OPINIÃO

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Regionalização: Cabo-verdianos! Quem somos nós, andamos de boleia? 17 Abril 2019

Deixam que o Povo, pelo menos uma vez, decida o seu destino, se sairmos mal, ficaremos empatados: 1º independência, 2ª abertura politica e a 3ª seria regionalização pelo Povo de Cabo Verde e não pelos círculos políticos. Afinal, não é o povo quem ORDENA, Cidadão atento?

Por: Efrem Soares

Regionalização: Cabo-verdianos! Quem somos nós, andamos de boleia?

Sábado ouvindo o Opinião Pública (Programa da Rádio Nacional de Cabo Verde) do tão badalado tema da semana, “REGIONALIZAÇÃO”, podemos escutar e assimilar um punhado de opiniões acerca do tema:

a] Poder mais próximo da população;
b] Inframunicipais-freguesias;
c]Molduras do estado- proposta apresentada pelo Governo;
d]Encargos de regionalização, mais um peso para os bolsos dos cabo-verdianos;
d] Profunda reforma do Estado que pode reduzir os custos e até anular;
e) Governo deve aprofundar mais a regionalização, descentralizando mais e melhor;
f] Um único movimento pro-regionalização, e em S. Vicente;
g] Cada Ilha uma região, exceptuando Santiago divida em duas;
h] Duas regiões, barlavento e sotavento;
i] Três regiões, S. Vicente e S. Antão, S. Nicolau, Sal e Boa Vista, Santiago, Maio, Fogo e Brava,
j] Divergências de opinião de quem anulou a proposta de lei da regionalização em discussão na especialidade no parlamento, e que foi cancelada pelo governo, etc, etc.

Na minha singela opinião, estamos perante duas forças em Cabo Verde. A 1ª independentista, considerada libertadora da Nação Cabo-Verdiana, das mãos do colonizador Portugal, do regime ditatorial e fascista, que foi combatido, mesmo em Portugal Continental, pelos próprios portugueses de raiz. Tanto assim é que a independência das colónias Portuguesas, no Continente Africano, aconteceu pouco tempo depois da abertura política em Portugal.

Se formos aprofundar, nós não fomos colonizados, mas sim embrionados, produto final do cruzamento de Portugueses/Europeus e Africanos, porque encontraram as ilhas desabitadas e foram eles os Portugueses a povoar as ilhas de Cabo Verde, diferente do Brasil e dos Países do Continente Africano, (Guine, Angola, Moçambique, e S. Tome e Príncipe), Timor Leste e uma parte da Índia onde também falam Português.

Caso para dizer quem colonizou quem, na minha opinião, as Ilhas de Cabo Verde foram anexadas e não colonizadas, porque não existia Homem. Espero ser esclarecido por expertos no assunto, em epígrafe.

A mesma força que era esperada, como uma força libertadora, colonizou, oprimiu e dividiu o próprio povo durante quinze anos, alcunhando os que aderiram ao regime de patriotas, camaradas e os restantes de reacionários, de um modo nunca antes visto em Cabo Verde.

Como “colonos”, o mal-estar grave que os cabo-verdianos memorizam do “colonizador português”, é do abandono do País ao Deus dará, principalmente, nos períodos de seca prolongada, levando mesmo a mortandade das populações das Ilhas.

Portanto, temos duas feridas, uma de orgulho ferido e outra de abandono a própria sorte.

Vendo do outro lado do prisma, como “colonos”, circulavamos livremente dentro de todo o território Português, tanto no Continente, como nas Colónias e mesmo com maior facilidade para emigrar para os Países Europeus e Americanos, sem tanta burocracia, como fomos e somos encurralados após a independência territorial e politica, porque económica, depois de mais de quarenta anos, ainda não conseguimos vislumbrá-la, no fundo do túnel, dado a nossa fragilidade, como um pau boiante, solitário, no meio do oceano.

O Cabo-Verdiano é uma raça estranha, por vezes desconfiado, outras vezes orgulhoso de nada possuir, sustentando a fama de povo trabalhador conquistado pelos nossos antepassados, isso porque depois da independência, nos foi incutida a ideia de adotar o socialismo comunismo, onde todos tinham os mesmos direitos de adquirir posses mesmo sem trabalhar para tal, basta adotar o camarada.

Levando muita gente destas gerações ao comodismo, o Estado criava Empresas e eram recheadas de funcionários camaradas que só assinavam o ponto e recebiam o salário no fim do mês e eram intitulados de melhores trabalhadores, daí os resultados que se obtinham e são obtidos hoje em todas as empresas públicas e na função publica que dependiam e ainda dependem do Estado, e o Estado das ajudas externas dos países amigos, criando o laxismo existente ainda hoje no mercado laboral Cabo-Verdiana, por constar no DNA das gerações atuais, ou seja, piorou, porque hoje com a ação da abertura politica, deu azo para se sentir livre e irresponsável e a mentalidade de emprego ainda prevalece, principalmente nas instâncias já mencionadas, gerando um grande mal na economia cabo-verdiana, dada a falta da cultura de produção e de trabalho.

E se não existe produção não se pode falar em riquezas, porque sem trabalho, rigor, disciplina, limites, que são ações chaves da democracia, que exige respeito de parte a parte, as coisas não funcionam é nunca.

E aí o caos acontece pior que nos países ditatoriais, dada a confusão mental da liberdade com a libertinagem, no povo geral, e dos governantes que continuam com a mentalidade de estar no poder para enriquecer. Eles, mais uma pequena franja da população que os circundam, através de partidos políticos.

Enquanto a maioria é escravizada, desprezada e enganada com promessas falsas.
O que passou a acontecer depois da abertura política, em que o propósito foi de pouca dura.

No primeiro mandato, trabalharam, naquilo que o povo esperava, aprovando uma constituição, como carta magna do País, criando leis de consagração de liberdade de expressão, acordando a paridade cambial com a moeda euro e outras coisas mais, mas com a idolatria do povo, no segundo mandato, começaram a cometer erros graves e acumulação de riquezas em benefício próprio.

Lembro de um pequeno episódio, que assisti, sem querer, no funeral do primeiro Presidente da Camara Municipal do Sal, Zeca Azevedo, em que dois amigos partidários presentes, na última homenagem, àquele que foi um Presidente exemplar, para a maioria do povo do Sal, em que um deles, que na altura presidia a maior Câmara Municipal do País, dizia ao outro que a vida tinha mudado para melhor, e que, no momento, possuía o seu carro privado e a mulher também, fiquei abismado.
De seguida, veio a questão da Enacol/Sonangol, que abalou o Partido 2º, no poder na segunda República, que é um caso sem desvendar até hoje, dada a conivência entre partidos, o tão falado consenso, que nunca deixou de existir entre eles, podem ofender mutuamente, mas nunca mexem nos assuntos acordados.

Para ressaltar que as pessoas envolvidas nesses casos, aqui mencionados, desde a 1ª República até agora, para mim, são pessoas supra dotadas e que contribuíram para estarmos no patamar escola onde estamos, mas assim como são ressaltadas as ações benéficas e as menos benéficas, também as ruins, não podem ser esquecidas, para que possamos, nós, e as novas gerações tirar ilações e criar imunidade e responsabilidade para as ações futuras.

Se é que são méritos da 1ª República vanguardearem da libertação do País, e da segunda República, da abertura política, democracia, descentralização do poder com a criação dos Municípios, agora seria o momento ideal, para os dois unirem na criação da regionalização, contribuindo assim para uma distribuição de riqueza mais justa e igualitária para todos os cabo-verdianos.

Preparação para mim é desculpa do mau pagador, o que está em jogo são dividendos políticos, semelhante ao que está acontecendo um pouco em todas as instituições e Empresas públicas do País, vulgarmente chamado de “LUVAS”.

Digo isso porque a Independência não foi preparada e aconteceu normalmente, a abertura política e a criação dos Municípios também não, mas está funcional, porque todos partiram de decisão de pequenos grupos e o povo aceitou.

Então! Porque não criar a regionalização e logo se vê, limando as arestas lá onde for necessário, como já fomos habituados, de certeza que pior que já estamos não vamos ficar.

Então, não estamos numa escola? Deixam que o Povo, pelo menos uma vez, decida o seu destino, se sairmos mal, ficaremos empatados: 1º independência, 2ª abertura politica e a 3ª seria regionalização pelo Povo de Cabo Verde e não pelos círculos políticos. Afinal, não é o povo quem ORDENA, Cidadão atento?

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