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Camarões: Jornalista na prisão suscita interrogações sobre intervenção de França e EUA 11 Novembro 2018

A intervenção francesa e americana nos Camarões está a ser questionada à medida que aumenta a repercussão internacional da prisão, na noite de quarta-feira, 7, de Mimi Mefo, vice-chefe de redação e apresentadora da ‘Equinoxe Television’, na seção anglófona.

Camarões: Jornalista na prisão suscita interrogações sobre intervenção de França e EUA

A condenação da jornalista à prisão foi decidida no tribunal militar de Douala, cidade do litoral onde ela está detida. Ela foi acusada de “ter divulgado, com indicação da fonte, uma nota que dizia que eram do exército as balas que mataram o missionário americano Charles Trumann Wesco”, em fins de outubro após um ataque na província anglófona do nordeste camaronês.

A jornalista contraditava assim a versão do Ministério da Defesa de que tinham sido os separatistas anglófonos os assassinos do missionário.


‘Os jornalistas que cobrem a crise anglófona não são criminosos’

Mimi Mefo na prisão tem recebido manifestações de solidariedade do sindicato dos jornalistas, bem como de jornais como L’Oeil du Sahel, semanário regional (Camarões-Norte), Quotidien Le Jour Cameroun.

‘Os jornalistas que cobrem a crise anglófona não são criminosos’, defende a RSF-Repórteres sem Fronteiras, ONG internacional pela liberdade de expressão, que pede a libertação da jornalista.

O conflito armado na zona ocidental dos Camarões — onde camaroneses francófonos e camaroneses anglófonos se digladiam, com apoios respetivos da França e Estados Unidos — começou em fevereiro de 2017. Dois meses depois, um tribunal militar condenou o jornalista Ahmed Abba, da RFI, a dez anos de prisão por “não ter notificado atos de terrorismo”. O julgamento foi criticado por organizações internacionais e têm-se sucedido reivindicações pela liberdade do jornalista desde há mais de um ano.

A cobertura jornalística do conflito tem estado, pois, sob a mira das autoridades, que se tornaram ainda mais repressivas após a reeleição do presidente Paul Biya.

O mais longevo chefe de Estado numa república, Biya está no poder desde 1975. Foi sete anos primeiro-ministro sob Ahmadou Ahidjo — o 1º Presidente da República após a descolonização francesa em 1960 —, a quem sucedeu na presidência desde 1982.

União Africana intervém com pedido de paz

O presidente da União Africana, Moussa Faki Mahamt, interveio na quinta-feira, 8, sobre a crise nos Camarões, com um pedido para que o governo e os opositores encontrem juntos uma solução pacífica.

Na véspera, sinais duma vontade de paz pareciam emergir com a devolução de dezenas de crianças às respetivas famílias.

Os raptores, do Boko Haram ou de secessionistas da área anglófona, segundo as versões postas a circular dum e doutro lado, tinham libertado as crianças e uma parte do corpo docente raptadas na terça-feira, 6. Entretanto a diretora e uma das professoras continuam em cativeiro.
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Fontes: Le Monde/BBC/ outras referidas. Foto: A página do Twitter que motivou a condenação à prisão da jornalista Mimi Mefo. Ela retificava a versão dada pelo governo sobre a responsabilidade dos militares na morte dum missionário norte-americano, no passado dia 30.

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