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Canábis de uso médico tem mercado de $600M — Israel e Canadá pioneiros, França corre 10 Setembro 2021

Em França a produção, venda e distribuição da canábis como estupefaciente mantém-se ilegal, mas desde junho é legal o trabalho do laboratório Stanipharm que extrai os princípios ativos e elabora fórmulas de tratamentos futuros. A ANSM-Agência Nacional da Segurança do Medicamento deu luz-verde à biotecnológica embora só para testes ’in vitro’ enquanto que desde março selecionou ’biotechs’ do Canadá e Israel que estão a fornecer o produto a 600 doentes — de epilepsia, cuidados paliativos, escleroses, sintomas ligados às terapias do cancro, neuropatias — no primeiro grande ensaio da canábis como medicamento.

Canábis de uso médico tem mercado de $600M — Israel e Canadá pioneiros,  França corre

A dimensão económica da experiência — em que seiscentos voluntários, pacientes medicados com canábis, estão a ser seguidos em cerca de duzentos centros hospitalares franceses — não é de menor monta. De facto está em causa um mercado apetecível de 500 milhões de euros (55 milhões de contos).

A França ressente-se desta concorrência desleal que ocorre no Hexágono. Como analisam peritos ouvidos pelos jornais da referência, é uma pílula amarga esta que a biotecnológica Stanipharm tem de tragar: não pôde participar do primeiro concurso, suplantada que está pelas marcas israelita Panaxia, canadianas Tilray e Aurora, americanas Curaleaf e Emmac, australiana Little Green Pharma.

A start-up francesa , aponta-se, não beneficiou, como as concorrentes, da abertura legal que desde 2001 levou o Estado de Israel, o Canadá a avançarem não só na investigação médica mas na indústria milionária da "marijana para fins recreacionais".

Dezenas de marcas presentes

Só no mercado europeu, a canadiana Tilray tem 20 marcas implantadas na Alemanha — em certos casos, consorcia-se com marcas nacionais —, além de estar presente, entre outros, nos mercados de canábis tanto medicinal como recreacional da Espanha, Reino Unido (Grã-Bretanha).

O que diz a Ciência

A Ciência demonstra que os efeitos benéficos do estupefaciente canabinóide se acompanham de várias contraindicações? Nem sempre a indústria aceita o que lhe diz a Ciência. Em vez disso, questiona e avança para a sua própria estrutura de investigação. Enfim, sustenta com a sua própria agência científica as apostas económicas empreendidas.
Nos últimos anos, à medida que se expande a legalização do uso da canábis, cientistas na contracorrente têm apontado os seus impactos nocivos sobre a economia, a saúde enfim sobre a sociedade.

Um estudo recente divulgado via ’Medical NewsToday’ indica os novos desafios sobre a economia e a sociedade trazidos pela legalização em Estados como o Alaska, Colorado, Oregon e Washington — os primeiros a descriminalizarem a posse e a venda de cannabis, tanto medicinal como recreacional — ou o distrito federal, Washington.DC, que em 2015 legalizou o uso pessoal mas criminaliza a venda.

Impacto financeiro pior que o do álcool. O estudo da Universidade da Califórnia que, entre outros fatores, compara o consumo de álcool e o de estupefacientes como a canábis chega à conclusão de que o impacto financeiro desta é pior que o do álcool.

"Os consumidores de canábis tendem a baixar as suas expectativas de mobilidade social e a aumentar os seus problemas financeiros, tais como dívidas, inadimplência, perda de crédito".

No mesmo sentido apontou um estudo na Nova Zelândia, sobre 1.037 crianças observadas desde o nascimento e que se prolongou até aos 38.


Note-se contudo que apesar do impulso económico que a descriminalização trouxe a comunidades economicamente deprimidas, em zonas remotas do EUA, por exemplo, há outros fatores a ponderar.

Impacto social pior que o do álcool. Os resultados tanto no estudo da Califórnia como no da Nova Zelândia indicam que os consumidores de álcool tal como os consumidores de canábis tendem a baixar as suas experiências de sociabilidade através das decisivas etapas de crescimento, mas que o efeito ainda é mais dramático em quem consome canábis.

Os comportamentos antissociais, incluindo a violência tanto em meio laboral como no seio familiar e círculo de amigos, tendem a ser mais frequentes entre os consumidores de canábis.

Impacto na saúde pior que o do álcool. Também o impacto na saúde é pior, devido a dois fatores principais: Um: dado o maior dispêndio financeiro com a canábis, os consumidores têm menos dinheiro disponível para a sua alimentação, logo impacta nocivamente a saúde. Outro: o crescente uso da canábis vai incrementar ainda mais os efeitos negativos sobre a saúde individual e pública.

Menos efeitos secundários? "A cannabis pode ter menos efeitos secundários que o álcool, mas é exponencialmente mais perigoso para as finanças do seu consumidor", resume assim o professor Moffitt, catedrático de psicologia na Duke University-Institute of Psychiatry do King’s College, Londres.

Fontes: L’Express/Le Figaro/Times of Israel... Foto: Apreensão de mais de 10 kg de canábis.

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