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Canadá: Mais de 40 farmacêuticas no banco dos réus por milhares de mortes com opiáceos 31 Agosto 2018

A Justiça da província canadiana da Colômbia-Britânica, uma das mais atingidas pelas overdoses com opiáceos, arrancou, na quarta-feira, 29, com o processo que acusa mais de quarenta empresas farmacêuticas por milhares dessas mortes, mais de quatro mil em 2017. O governo da província da Colômbia quer recuperar as centenas de milhões de dólares que gastou em serviços de urgência e hospitalizações devidos aos opiáceos, vendidos como analgésicos e com recurso a “publicidade enganosa” que mascara os “riscos do seu consumo”.

Canadá: Mais de 40 farmacêuticas no banco dos réus por milhares de mortes com opiáceos

“Já é tempo de responsabilizar as farmacêuticas pelos custos financeiro e humano que os seus produtos representam para tantas famílias”, lê-se no comunicado do ministro da Justiça da Colômbia-Britânica, David Eby.

Uma overdose mortal, por abuso de substâncias derivadas do ópio, como heroína e morfina, acontece a cada meia hora no Canadá, dizem as estatísticas.

Substâncias estupefacientes, que matam, são nos Estados Unidos (mais de 70 mil mortes em 2017, segundo a última contagem) e Canadá, vendidas não por traficantes (drugdealers), mas são aviadas com receita médica ao balcão dos estabelecimentos licenciados, numa transação legal.

A epidemia de opiáceos levou o governo provincial canadiano a agir, com medidas legais criadas para travar as empresas fabricantes de opiáceos, que na sua maioria são canadianas e americanas.

A principal ré é a multinacional Purdue Pharma, que fabrica o ‘OxyContin’ apontado como o fármaco que provoca mais mortes em toda a América do Norte.

Silêncio no resto do mundo? Brasil faz festival de preços de "Oxycontin" na internet

Uma busca por "Oxycontin" dá-lhe mais de 800 mil resultados em seis segundos, só no Brasil — aqui tão perto de nós. Nenhuma referência a "receita médica", nos sites brasileiros. Mas ao limitar a busca a Portugal, surge a advertência de que é de uso proibido, controlado sob supervisão médica.

No Brasil, a embalagem de 28 comprimidos tem o preço habitual R$ 281,15, ou seja 6.418$79. Mas em maré de "festival de preços" há fabricantes (como a Giga Farma) e lojas — sob os denominativos "farmácia", "drogaria" — que oferecem descontos de 15% e pagamento em prestações "sem juros".

O controlo na União Europeia existe desde há décadas. Só agora começou na América do Norte, ao fim de décadas de consumo sem atenção aos efeitos secundários.

E no resto do mundo como vai ser?

Fontes: AFP/Le Monde. Foto (AFP): Oxicodona, mesmo com uso "restrito e sujeito a receita médica especial", está no centro da crise dos opiáceos em toda a América do Norte. Que dizer de onde está à venda até na Internet?

Relacionado: América em overdoses: 22 000 rostos esculpidos em comprimidos alertam sobre opiáceos, 14 de abril 2018

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