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Canadiana despedida porque ‘dress-code’ impõe uso de sutiã – Ela aciona Tribunal de Direitos Humanos alegando discriminação de género 06 Setembro 2018

Uma empresa pode impor às suas funcionárias o uso de sutiã? É esta a questão que o Tribunal de Direitos Humanos da Colômbia-Britânica, Canadá, tem entre mãos, no caso que opõe uma mulher de 25 anos e o seu recém-ex-patrão.

Canadiana despedida porque ‘dress-code’ impõe uso de sutiã – Ela aciona Tribunal de Direitos Humanos alegando discriminação de género

O uniforme escolar no país recém-independente foi aceite sem quezílias? E se fosse hoje? A pergunta surge quando vemos que as tentativas institucionais para impor um código vestimentário por vezes têm esbarrado com as leis vigentes e a Carta dos Direitos Humanos. E quem se sente ofendido, nos seus direitos, não hesita em recorrer aos tribunais.

Christina Schell residente na cidade de Alberta saltou para os noticiários do planeta global esta terça-feira, 4, quando o seu caso ficou conhecido.

Ela contou à televisão CBCN que foi despedida do seu trabalho de empregada de mesa num clube de golfe de Osoyoos, na costa do Pacífico, porque recusou usar sutiã sob o uniforme. Ela alega que há dois anos deixou de usar essa peça de roupa por razões de saúde e conforto.

O diretor do clube, Doug Robb — ao perceber que ela não está a cumprir o código de vestuário que lhe entregou em maio ao ser recrutada – explicou-lhe que esta regra é feita para proteger as funcionárias perante os clientes. “É que eu sei o que se passa neste clube de golfe quando há álcool , enfatizou ele.

A funcionária discorda. Para ela, “esta regra é sexista. É só para as mulheres, mas os homens também têm mamilos. Logo, é uma questão de direitos humanos”.

A funcionária despedida tem fé que o tribunal em Ontário lhe venha a dar razão. Em 2016, a Comissão dos Direitos Humanos de Ontário, acionada para julgar os “dress-codes” de empresas que impõem às funcionárias vestir minissaia e usar saltos altos, decidiu que são ilegais. O mesmo espera agora Christina Schell, cujo caso vai ser julgado no dia 14.

Contra a hipersexualização, o “No Bra “

A hipersexualização é o comportamento indesejado que tende a desviar as conversas para o sexo em vez de cultivar o respeito mútuo entre as pessoas sejam rapazes ou raparigas, como explica a especialista em Estudos de Género, Meredith Harbach, professora na universidade de Richmond, Tennessee. "Este género de mensagens tem como alvo as jovens. Ora é a saia curta demais, ora a aparência demasiado ’sexy’, ou ainda o pretexto de que está a distrair os rapazes. Tanto pode acontecer no liceu como no clube de golfe".

O movimento social “No Bra“, nascido nos Estados Unidos e que chega ao Canadá, incentiva as as mulheres a não usar sutiã, em nome da saúde. Na foto, a inscrição, "o teu sutiã pode estar a matar-te", retoma uma tese médica segundo a qual o uso desta peça de roupa pode contribuir para criar nódulos linfáticos nas axilas. Outras reivindicações têm a ver com o conforto e a liberdade.

Nos Estados Unidos, grupos de mulheres têm participado em comícios “bracott” (boicote ao sutiã). Entre elas, as estudantes liceais que desde a primavera começaram a entrar nas escolas sem essa peça de vestuário e usam t-shirts com uma inscrição "bracott", como a da foto ("Os meus mamilos incomodam-te?").

Fontes: Le Monde/CBCN/www.usnews.com

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