POLÍTICA

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Candidato Alcides Graça à CPR do PAICV S.Vicente: Não tenho razões para pensar que vou perder 20 Novembro 2019

O jurista Alcides Graça vai concorrer a mais um mandato à frente da Comissão Política Regional do PAICV em S.Vicente, nas diretas de 24 deste mês, tendo como adversário Nilton César Silva, professor licenciado em geografia. Além de fazer um balanço positivo do seu desempenho, Graça avisa que está convencido numa vitória confortável. «Não tenho razões para pensar que vou perder. Estou confiante numa vitória confortável no próximo domingo, sendo certo que aceitarei com toda a humildade o veredito do povo do Partido». O candidato à CPR avança que vai também apostar na coesão interna, mas alerta que se deve respeitar a oposição interna tranquilamente. «Um bom exercício de um mandato depende das críticas construtivas da oposição interna. Temos que naturalizar as críticas e conviver com elas tranquilamente». Por não ter saído em simultâneo com o outro candidato por impossibilidade do próprio Alcides devido à questão da agenda, preferimos publicar, nesta edição, a entrevista que o mesmo concedeu ao ASemanaonline.

Candidato Alcides Graça à CPR do PAICV S.Vicente: Não tenho razões para pensar que vou perder

Como está a decorrer a campanha para as diretas de 24 de novembro?

- A campanha está a decorrer muito bem, seguindo o ritmo do nosso cronograma de trabalho. Já percorremos todos os grupos de base, nas zonas urbanas e rurais, onde temos militantes. Nas redes sociais criamos uma página no Facebook, onde temos estado bastante ativos, inovando inclusivamente no apelo ao voto, com vídeos bem conseguidos de apoio à candidatura, com um grande impacto junto dos militantes amigos e simpatizantes. Vamos a partir de segunda feira iniciar os vídeos com os candidatos à Comissão Política Regional, para que os militantes possam conhecê-los e, em função disso, exercer o seu direito de voto consciente. Na semana passada fizemos alguns encontros convívios com os militantes nas zonas que consideramos estratégicos, para reforçar o apoio à nossa candidatura.
Aproveitamos esta oportunidade para convidar todos os militantes a visitar a nossa página no Facebook “candidatura – eleições internas regionais – 2019”, para saber tudo sobre esta candidatura que tem como slogan “PAICV SEMPRE!!”

Com que base de apoio conta?

- Temos sentido um conforto muito grande dos nossos militantes, mas também de amigos e simpatizantes do Partido que reconhecem o trabalho feito e manifestam o seu apoio à nossa continuidade para garantir a estabilidade nos trabalhos realizados. É preciso lembrar, sobretudo aqueles que andam distraídos, os trabalhos realizados durante os dois mandatos 2013 – 2019.

Em 2013, quando fui eleito para Presidente da Comissão Política Regional, encontrei um Partido endividado, desorganizado e sem Sede Regional, uma vez que por decisão do meu antecessor foi encerrada a sede na Rua Machado (cidade), alegadamente porque não tinha condições para acolher o Partido nesta Região, e passamos a partilhar a sede da JPAI, em Chã de Cemitério.

Encontrei uma dívida avultada, mais 100.000$00, de rendas em atraso, com ameaças de despejo pelo senhorio. A primeira coisa que fiz foi a elaboração de um plano de pagamento das rendas em atraso. Não ficaria bem a um Partido como o PAICV ter rendas em atraso, correndo o risco de ser despejado a qualquer momento.

Conseguimos liquidar todas as dívidas de rendas em atraso, mas ainda estamos a pagar uma dívida de campanha com a Telecom, seguindo também, e responsavelmente, um plano de pagamento.

Ao mesmo tempo, tomamos a decisão de mudar para a nossa sede na cidade (Rua Machado) como forma de estancar a dívida, reduzir os custos de funcionamento e restituir alguma dignidade ao Partido.

A sede recebeu algumas obras de restauração e mudamos para Rua Machado, conferindo centralidade e mais dignidade ao Partido.

O Partido não tinha receitas próprias, pois funcionava com contribuições de alguns militantes, amigos e simpatizantes. Era com as generosas ajudas de alguns militantes, que não tinha dia para entrar, e nem certeza da sua entrada, que o Partido pagava os seus funcionários e as despesas de funcionamento, tais como água, luz, materiais de limpeza, etc.

Um Partido como PAICV não poderia funcionar na dependência do apoio, incerto, de alguns militantes. Por isso, desencadeamos uma ampla campanha de angariação de militantes pagantes de quotas mensais. A campanha sob o lema “quota segura e confortável”, teve um enorme sucesso, pois conseguimos angariar cerca de 150 pessoas que pagam regularmente as suas quotas, o que permite uma previsão de receitas, e, consequentemente, de despesas.

Tenho muito orgulho em dizer que somos a única estrutura do Partido que tem autonomia financeira. Não pedimos nada ao Secretariado Nacional para o nosso funcionamento.

Resolvido o grave problema de dívidas e sustentabilidade financeira do Partido, passamos para a parte organizativa.

Assim, renovamos todas as estruturas do Partido, Setores Nortes e Sul, Federação de Mulheres Norte e Sul e recuperamos a JPAI que estava desativada e sem dirigentes.
Posteriormente, foram renovados todos os secretários coordenadores dos Grupos de Base Norte e Sul. No Sul chegamos inclusivamente a criar alguns grupos de base.
Os órgãos do Partido passaram a funcionar nos termos estatutários, com reuniões ordinárias, atas, etc.

A Assembleia Ordinária anual para a prestação de contas, e aprovação dos instrumentos de trabalho, orçamento e plano de atividades anuais, passou ser uma realidade.

Esta é a única Região Política do PAICV onde se presta contas aos militantes todos os anos religiosamente.

Instituímos a comemoração do dia 5 de julho no nosso calendário político. Esta data emblemática passou a ser celebrada nas ruas, com chamada “Marcha da Independência”.

A gala Cantar Cabral foi outro evento que foi instituído no nosso calendário político.
Concebemos e idealizamos a transformação do Partido numa fonte geradora de rendimento e de emprego. Hoje temos todos os projetos e o estudo de viabilidade para construir uma sede de raiz, que pode proporcionar ao Partido boas condições para gerar rendimentos próprios. Este ambicioso projeto só não foi concretizado porque a Direção Nacional do Partido onerou a sede para outros fins.

Não sendo possível, por agora, a construção da sede regional de raiz, desencadeamos uma campanha de apoio para a restauração da nossa sede. Foi um sucesso, a prova disso é a nossa sede que está de cara lavada e condições dignas para o nosso Partido.

Está em curso também o projeto da sala de leitura e de formação profissional de curto e medio prazo. A ideia é transformar a sede num espaço atrativo para os jovens estudantes e formandos nos diversos domínios profissionais.

No campo político, e enquanto Presidente da Comissão Política Regional e líder da bancada do PAICV, dei combate sem tréguas à Câmara de Augusto Neves, quer na Assembleia Regional, quer nos órgãos de comunicação social.

Nessa qualidade visitei por diversas vezes todos os bairros de São Vicente, contactando a população, militantes, amigos e simpatizantes num árduo trabalho político.

Fizemos com regularidade muitas reuniões com os grupos de base, realizamos atividades políticas nos diversos bairros.

Os militantes reconhecem o trabalho feito, e é por isso que a nossa candidatura tem merecido o reconhecimento e o apoio da esmagadora maioria dos militantes, amigos e simpatizantes, o que aproveitamos para agradecer.

Como está constituída a sua a equipa?

- Temos uma grande equipa para a Comissão Política Regional, que é constituído por gente séria, idónea, competente, comprometida com os princípios e valores do Partido: como Vice Presidente tenho duas grandes mulheres: Arlinda Medina e Celeste da Paz: como Vogal tenho Óscar Mélico, Jorge Tienne Cardoso, Eneida Vitória, José Cândido, Maria da Luz Monteiro, Henrique Rendall, Cristalina Rodrigues e José António Mascarenhas. Uma equipa claramente ganhadora e que muito pode contribuir para a felicidade dos militantes do PAICV em São Vicente, garantindo vitórias nos próximos embates eleitorais.

Como perspetiva a sua equipa, no tocante as eleições autárquicas e legislativas em Cabo Verde?

- São duas eleições muito importantes para o Partido, tendo e conta os últimos resultados eleitorais. Por isso têm de ser encaradas com muita responsabilidade e sem demagogia política. Sabemos que as eleições autárquicas antecedem as eleições legislativas, e que estas podem ser influenciadas por aquelas. Daí a grande importância das eleições autárquicas. Eu tenho defendido, é continuo a defender, que o Partido deve apresentar com o seu melhor candidato nas eleições autárquicas. E o melhor candidato é aquele que vai de encontro à vontade do Povo. Por isso, uma sondagem será determinante, embora não decisiva, para a escolha dos candidatos à Câmara e à Assembleia Municipais. Só depois de uma sondagem, credível e confiável, e com base nela a CPR tomará certamente a melhor decisão sobre o assunto. Uma coisa é certa, os interesses do PAICV estarão sempre em primeiro lugar.

E a coesão interna do PAICV, no Mindelo?

- Este foi, e continuará a ser, sempre o meu apanágio no Partido. Desde que entrei tenho procurado por todas as vias encontrar uma plataforma de entendimento. Consegui alguns resultados, mas estou certo que poderia ter conseguido muito mais.
Contudo, a coesão interna não pode ser confundida com a unanimidade. Nunca, e nem é desejável, conseguirei a unanimidade. Haverá sempre vozes discordantes, e é salutar que assim seja. Um bom exercício de um mandato depende das críticas construtivas da oposição interna. Temos que naturalizar as críticas e conviver com elas tranquilamente.

Sonho com um partido inclusivo, onde todos têm espaço para participar, coeso, mesmo na diversidade. Ninguém pode recear a oposição interna e nem tentar silenciar vozes discordantes. O fortalecimento do partido depende da dinâmica da sua democracia interna e na multiplicidade de vozes.

Se perder, vai trabalhar em sintonia com a equipa vencedora?

- Não tenho razões para pensar que vou perder, estou confiante numa vitória confortável no próximo domingo, sendo certo que aceitarei com toda a humildade o veredito do povo do Partido.

Se eventualmente não sair vitorioso nas eleições do dia 24 de novembro, deixo aqui a minha disponibilidade para trabalhar com o PAICV em quaisquer circunstâncias, e estarei sempre disponível para o meu contributo lá onde entenderem por bem.

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