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Santiago Sul: Candidatos querem combater desemprego para melhoria da segurança na Capital do país 06 Abril 2021

A situação da segurança na cidade da Praia apresenta alguns aspetos críticos, resultantes do rápido crescimento urbano e de ser o centro de maior aglomeração do país, no entanto houve, segundo fontes oficiais, uma redução de 7,2% em 2020. Questionados sobre as propostas em relação à segurança no país, em particular no círculo eleitoral de Santiago Sul, os candidatos desta corrida eleitoral pretendem focar nos jovens e na educação para diminuir o nível de desemprego no país e combater assim a criminalidade em Cabo Verde.

Santiago Sul: Candidatos querem combater desemprego para melhoria da segurança na Capital do país

Dando seguimento à nossa proposta de levar a informação e contribuir para o debate sobre as ideias e propostas das várias candidaturas, o A Semanaonline foi à conversa com as candidaturas de Santiago Sul sobre este setor crucial para a competitividade e desenvolvimento da capital nacional.

De longe a maior concentração populacional do país, com aproximadamente dois terços da população nacional, a Praia enfrenta maiores desafios do que os restantes municípios do país em praticamente todos os setores, incluindo a criminalidade e segurança - tèm sido freqeuntes crimes de sangue com assassinatos, assalatos à mão armada a pessoas e institiuições bancárias e comerciais em plena luz do dia, desaparecimento de crianças e pessoas, mortes de agentes policiais por colegas, entre outros casos complexos que exigem uma resposta adequada por parte das forças de segurança e do poder judicial.

Questionados sobre as propostas em relação à segurança no caso particular de Santiago Sul, as várias candidaturas são unânimes na relação estreita entre a criminalidade e insegurança e o fenómeno do desemprego. Daí que todos aleguem foco especial na educação e no emprego jovem, como forma de diminuir o nível de desemprego no país e combater assim a criminalidade em Cabo Verde e na Praia, em particular.

Todavia, o Primeiro-Ministro cessante e cabeça de lista do Movimento para a Democracia (MpD) em Santiago Sul, Ulisses Correia e Silva, prega “tranquilidade” devido aos investimentos do seu governo em mais e melhores condições para a força policial, mais meios, equipamentos, e melhores condições salariais e investimentos feitos como os sistemas modernos de videovigilância nos principais centros urbanos.

O mesmo ainda avança que a sua equipa tem estado a investir numa outra parte importante que é a segurança para a cidadania ou a cidadania para a segurança. “O que tem a ver com um conjunto de medidas que abarcam desde a redução do abandono escolar, maior permanência dos jovens, das crianças e dos adolescentes nas escolas, a reinserção dos ex-detidos, uma atuação muito forte sobre a lei e a lei do álcool para reduzir situações que estão muito prevalecentes, crimes ligados ao alcoolismo e a droga”. Em suma, salienta, há “um conjunto de ações que tem estado a ser desenvolvidas e que tem hoje reflexos na redução dos índices de criminalidade”.

Contrariando essa “tranquilidade” do seu adversário, a cabeça de lista do PAICV, Janira H. Almada, diz que o país precisa fazer mais no que tange a medidas preventivas, nomeadamente de políticas sociais. Para esta líder, um fator propiciador da criminalidade e da sua “complexificação” é “não somente a pobreza como se tem dito e sim a desigualdade social!”.

Daí que afirme que é preciso criar mais oportunidades para as pessoas, “para além de um forte investimento na formação cívica, na educação para a cidadania para que as pessoas sintam que o país também é delas e que têm vez e voz”. Ou seja, o país precisa de políticas sociais propiciadoras de uma sociedade mais justa, igualitária e que estimule o mérito e a competência.

“É o momento de avançarmos com um novo modelo de organização policial para que a policia funcione melhor, para que seja melhor avaliada e melhorar, também, o seu desempenho. Mas é preciso igualmente nós garantirmos a territorialização dos serviços, das respostas em função do mapeamento demográfico e do mapeamento da criminalidade”, acrescenta H. Almada que anuncia, caso vença as eleições de 18 de Abril, criar a Guarda Nacional Republicana, um novo ramo da polícia que implementará sobretudo o policiamento da proximidade.

“Quando você tem um país muito desigual, quando as autoridades não se preocupam com o bem-estar social do cidadão, quando a juventude não tem qualquer outra opção senão álcool, droga, não tem qualquer esperança, a ultima tabua de salvação é a violência”, afirma, por seu turno, o líder do Partido Popular (PP), Amândio Barbosa Vicente. Daí que aponte a medidas estruturais e que almejem o equilíbrio social.

“Acabar com acabar com a desigualdade social que é galopante em Cabo Verde e dar às pessoas e à juventude opções para não entrarem na violência”. O foco é acabar com a desigualdade social, com a miséria e o desemprego”, sublinha Barbosa Vicente. Ao mesmo tempo que é preciso ter agentes da polícia atuantes, vídeo- vigilância, policiamento de proximidade, reflete aquele líder.

Na mesma linha, Francisco da Silva, candidato da UCID, propõe uma política transversal que passa não só pela segurança em si, mas, “pela criação de empregos com o intuito de estabilizar as camadas sociais de modo a evitar ter classes vulneráveis que eventualmente possam vir a cometer impunidades”.

“Nos tratamos a segurança num sentido transversal não só em termos de pequenos delitos, mas sim a segurança económica, a segurança nacional e a segurança mesmo a nível de empregos.”

Para este líder político o desemprego está “fortemente” ligado à segurança uma vez que “se diminuirmos o desemprego e ocuparmos sobretudo a camada juvenil, os jovens para além de terem uma ocupação e outras responsabilidades não terão tempo para cometerem pequenas criminalidades que têm assolado a capital do país “.

Silva ainda acrescenta que a questão da segurança deve ser trabalhada estruturalmente e não no sentido coercivo apenas, e que isso tem a ver com “deficiência em termos de planeamento e sobretudo à falta de políticas publicas para a criação de emprego para ocupar os jovens”.

Sobre o posicionamento das candidaturas do PTS e do PSD prometemos trazer nas próximas publicações, uma vez que não foi possível entrar em contacto com elas. KSilva/Redação

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