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Cantor Mirri Lobo: “Esta pandemia serviu para mostrar que há a necessidade de haver união entre os músicos” 22 Mar�o 2021

O cantor Mirri Lobo defende que um dos grandes desafios impostos pela pandemia de Covid-19 é “sem dúvida” a dificuldade em garantir a sustentabilidade financeira dos músicos. Em entrevista exclusiva ao Asemanaonline, o intérprete cabo-verdiano da ilha do Sal afirma que com a pandemia a promoção do seu mais recente projeto, o álbum Salgadim”, acabou por ficar muito afectado por conta das restrições. Entretanto, o artista acredita que os músicos conseguiram tirar com esta crise grandes lições. "Há a necessidade de haver união entre os músicos e aprender a diversificar e a se adaptar continuamente", revelou.

Entrevista conduzida por: Luciana da Cruz/Redação

Cantor Mirri Lobo: “Esta pandemia serviu para mostrar que há a necessidade de haver união entre os músicos”

Asemanaonline: Como a pandemia afetou a indústria musical?

Mirri Lobo - O sector da música profissional, de modo geral, foi o primeiro a sentir os efeitos da pandemia de covid-19 e seguramente será o último a retomar as atividades. Foi um impacto brutal nos negócios do sector com efeito avassalador na vida de muitas famílias que sobrevivem desta área de trabalho.

Os eventos foram cancelados de uma hora para outra com consequências devastadoras para o sector.

Podemos afirmar que com a pandemia as lives ganharam força já que a internet se tornou a única alternativa para muitos artistas?

- As Lives já existiam e já eram bastante populares mesmo antes da pandemia, mas não há dúvida que o surgimento da Covid-19 deu uma nova importância a esta ferramenta, tornando-a num recurso fundamental para não só a divulgação de novos trabalhos mas também para dar às pessoas em isolamento social uma sensação presencial embora que virtual. No entanto, não acredito que a ‘internet’ seja o caminho por que jamais poderá substituir a real sensação do presencial, nem para o artista, nem para o espetador.

Quais são suas considerações da relação entre música, audiovisual e digital?

- A utilização desses meios vieram desencadear uma revolução na forma de apresentar os trabalhos, com grande destaque para as produções audiovisuais, que vieram revolucionar a forma como a música é apresentada e como é consumida.
A associação da trilha sonora ao produto Audiovisual foi uma aposta inteligente e que nos tempos modernos predomina.

Pandemia e novos projetos musicais

Houve algum projeto seu que não foi divulgado por conta da pandemia?

- O Meu mais recente projeto, o Álbum "SALGADIM", saiu antes da Pandemia, mas a promoção do mesmo acabou por ficar muito afetado devido às restrições impostas.

Para quando um novo trabalho?

- Tenho projetos em carteira, mas neste momento aguardam melhores momentos para o arranque.

Na sua opinião, que lição os músicos podem tirar com esta pandemia?

- A Primeira lição que esta classe musical pode tirar com esta pandemia é que não é privilegiada como muitos poderiam pensar. Outra lição foi perceber a necessidade de haver união entre os músicos. Aprender a diversificar e a se adaptar continuamente.

Qual é o principal desafio que os músicos tiveram que enfrentar com esta pandemia?

- Sem qualquer dúvida terá sido a dificuldade em garantir a estabilidade financeira

A arte em tempos da pandemia e balanço musical

Na sua opinião, qual a relevância da arte em momentos tão delicados como este?

- A arte é uma ajuda indispensável em tempos de crise. Durante esta crise vários artistas usaram da sua arte para alegrar as pessoas ao vivo, como foi o caso de vários concertos ‘online’ nas redes sociais.

Como um músico ou artista pode estimular a criatividade em momentos de crise?

- Dependerá seguramente da sensibilidade de cada artista, mas penso que qualquer dia a dia de um artista poderá resultar numa inspiração especial para uma criação... Afirmar que a crise ofereceu esta oportunidade? Eventualmente para alguns sim, porém para outros foi mais correr atrás da sobrevivência, o que, eventualmente poderá vir a servir de material para alguma criação artística.

Que balanço faz da sua carreira como músico?

- À partida eu não considero a minha participação na música como sendo uma carreira, tendo em conta que nunca me dedico a ela a 100%. Sempre será algo que farei em paralelo com a minha real vida profissional. No entanto, faço um balanço muito positivo quando avalio a parte social e a minha relação com o meu público. Tenho recebido destes um reconhecimento enorme e sobretudo muito carinho e amizade que afinal de contas é parte que sempre mais apreciei e valorizo.

Temas de sucesso e morna como género de preferência

Quais foram os trabalhos que mais tiveram sucesso?

- Sem sombra de dúvidas o maior sucesso foi o tema "Encomenda de Terra" de autoria de Paley Spencer gravada em 2011 no álbum "Caldera Preta". Mas se recuar no tempo considero que a música "Bela", da autoria de Nazário Fortes e gravada no meu primeiro álbum intitulado "Alma e Violão", foi de igual sucesso, e terá sido a única morna a ter estado no TOP da rádio Nacional, para além de ter sido a música mais cantada nos concursos de "todo o mundo canta" da época.

Do último Álbum "Salgadim" não haverá nenhum tema que terá estourado a semelhança desses dois últimos, mas vários temas tem rodado nas rádios com alguma frequência, tais como "Ta da Ta da" funamba de autoria de Kim Alves e o próprio tema "Salgadim", de autoria de Cláudio Brito e música de Kim Alves, entre outros...

Porque gosta de interpretar a morna?

- Por que é o estilo com que mais me identifico, no entanto, recentemente tenho gravado cada vez menos normas por que tenho vindo a interessar-me por outros estilos tradicionais sobretudo na busca de novas sonoridades, sem perder a identidade que me é reconhecida.

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