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Capital Economics: Vacinas ajudam Angola e Cabo Verde, mas panorama em África é sombrio 21 Dezembro 2020

A consultora Capital Economics considera que países como Angola e Cabo Verde podem estar entre os principais beneficiados da campanha de vacinação que está a arrancar, embora o panorama se mantenha sombrio na África subsaariana.

Capital Economics: Vacinas ajudam Angola e Cabo Verde, mas panorama em África é sombrio

“A distribuição das vacinas contra a Covid-10 será, provavelmente, muito mais lenta em África do que em muitas outras partes do mundo e o impulso da “vacina” na atividade económica interna deverá ser também, mais reduzido, mas os países que vão beneficiar mais são os principais exportadores de matérias-primas e as economias dependentes do turismo”, como Angola e Cabo Verde, dizem os analistas da Capital Economics, citado pelo Jornal Económico.

De acordo com uma análise ao impacto da introdução de vacinas na África subsaariana, enviada aos investidores e a que a Lusa teve acesso, os analistas escrevem que “apesar do impacto positivo, a recuperação económica na região vai provavelmente continuar lenta e a perspectiva de evolução será ensombrada pelos elevados níveis de dívida”.

Para os analistas, “a distribuição será mais problemática na África subsaariana do que noutras partes do mundo, principalmente devido à fraca infra-estrutura de armazenamento e oferta”, mas o desafio não é inultrapassável, acrescentam, lembrando que a vacina contra o Ébola conseguiu ser eficazmente distribuída. “Paradoxalmente, a grande vantagem das vacinas virá do facto de começarem a ser administradas não tanto aos cidadãos africanos, mas sim, nos países que são os principais clientes das exportações africanas”, cita a fonte.

“Apesar de o impulso para as economias africanas do levantamento das medidas de confinamento ser limitado, um abrandamento das restrições à circulação noutras partes do mundo significa que os benefícios indirectos para a África subsaariana podem acontecer mais rápido que o previsto”, através do aumento da procura de matérias-primas e da possibilidade de fazer turismo, notam, citado pelo Jornal Económico.

Os analistas admitem que os grandes beneficiados vão ser provavelmente, os maiores produtores africanos, como Nigéria e Angola. Ainda assim, alertam, que o panorama permanece sombrio para a região. “Apesar da perspectiva económica melhorada, a crise vai ter um legado duradouro, muitos países em África deverão sofrer com os seus efeitos, e comparando com outros países no mundo, os governos em África deram pouco apoio directo e isto agrava o risco de falências e de desemprego, bem como um aumento do crédito malparado que limita o crescimento do crédito”, afirma, conforme escreve a noss fonte.

Para além disso, concluem, que os governos vão acabar por ter um peso maior da dívida, já que até agora os esforços de alívio da dívida não têm estado à altura das expectativas e a nova iniciativa do G20 sobre um enquadramento comum deverá seguir o mesmo caminho, por isso deverá haver mais austeridade nos próximos tempos.

Importar salientar que a pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.675.362 mortos resultantes de mais de 75,6 milhões de casos de infecção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP. Pelo menos, em África, há 58.313 mortos confirmados em mais de 2,4 milhões de infectados em 55 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia no continente.

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