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Diretas em Santiago Sul/PAICV: Carlos «Calicas»Tavares concorre a mais um mandato com foco em ajudar a Câmara da Praia a trabalhar para servir todos os munícipes 23 Maio 2021

Em entrevista ao Asemanaonline, Carlos Tavares, presidente da Comissão Politica Regional do PAICV em Santiago Sul (CPRSS), confirma que é candidato à sua própria sucessão nas eleições diretas que acontecem a 27 de Junho próximo. Com o lema “Confiar no Futuro”, este candidato, que foi também eleito deputado nacional nas últimas legislativas, promete continuar o trabalho feito para consolidar os ganhos políticos conseguidos com a eleição das três Câmaras Municipais (Praia, São Domingos, Ribeira Grande de Santiago) e afirmar cada vez mais o PAICV em servir esta que é considerada a maior região política de Cabo Verde, caso venha ser reeleito ao mesmo posto. Reagindo a vozes críticas sobre a gestão do Edil Francisco Carvalho, Calicas desmonta que «é preciso refletir um pouco sobre esta noção de vozes críticas», asseverando que «a CPRSS irá colocar o seu enfoque na ajuda à Câmara Municipal da Praia (CMP), mas para trabalhar a favor de todos os munícipes».

Entrevista conduzida por: Celso Lobo/Redação

Diretas em Santiago Sul/PAICV: Carlos «Calicas»Tavares concorre a mais um  mandato com foco em ajudar a Câmara da Praia a trabalhar para servir todos os munícipes

Asemanaonline - Tendo expirado o mandato dos órgãos regionais, quando serão realizadas as eleições diretas para a renovação da liderança regional do PAICV em Santiago Sul?

Carlos Tavares - A data para as eleições dos órgãos regionais foi fixada para o dia 27 de junho de 2021.

Quando está prevista a eleição a nível dos sete setores do partido em Santiago Sul?

- Entre 1 de Agosto e 5 de setembro de 2021 devem acontecer as eleições nos sete sectores de Santiago Sul - São Domingos, Ribeira Grande de Santiago e Praia (este concelho tem cinco sectores).

Vai haver um novo recenseamento de militantes ou vai-se trabalhar com as bases de dados já existentes?

- O Recenseamento é permanente e nos dias que antecedem haverá um período de inalterabilidade dos Cadernos. Há novos militantes que se inscreveram e que vão poder exercer o direito de voto.

Vai-se criar uma nova Comissão Eleitoral ou o processo será conduzido pela Comissão Regional de Jurisdição e Fiscalização?

- O processo será conduzido pela Comissão Regional de Jurisdição e Fiscalização.

Confirma que é candidato à sua própria sucessão nas diretas de 27 de Junho?

- Sim, confirmo! E com o lema: Confiar no Futuro.

Motivação da candidatura e conslidação dos ganhos políticos

Porque concorre a mais um mandato à frente da Região

- Para continuar o trabalho feito e afirmar cada vez mais o PAICV na região. Sempre estivemos na linha de frente a defender o partido e as causas da região e as pessoas não esquecem isso e reconhecem em nós a dedicação e o trabalho feito. Daí que os estímulos e incentivos positivos de muitos militantes e pessoas em geral, constitui também um fator especial para a nossa recandidatura. Por isso, vamos para estas eleições com propósito firme de ganhar, com olhos postos no futuro. Estaremos na estrada a ouvir para juntos construirmos um novo ciclo. E sempre com espírito de humildade, responsabilidade, entrega, seriedade e honestidade. Estes são os princípios que forjaram a nossa candidatura há 3 anos e às quais nos manteremos fiéis.

Qual é a sua principal motivação para o cargo?

- Eu estou na política por missão, porque amo o meu país e a região onde nasci e quero contribuir politicamente, através do PAICV, na defesa dos interesses do nosso povo. Face aos desafios que temos, não podemos simplesmente dizer que isto não é nada connosco. Este é um povo que merece a nossa entrega. Estou aqui para uma luta empenhada que só tem a ambição de servir.

O PAICV ganhou as três Câmaras da região, mas perdeu nas legislativas. Este aspeto não é desfavorável à sua recandidatura à presidência da CPRSS?

- Quando eu me candidatei pela primeira vez, o partido na região vinha de uma situação difícil, e conseguimos por o órgão a funcionar de forma estável para alavancar o trabalho partidário e político. Passado este tempo, o sentimento é de dever cumprido e advém do intenso trabalho desenvolvido. Face ao ponto de partida, o PAICV se fortaleceu na região e os resultados provam isso.

Do balanço do ciclo eleitoral que começou com autárquicas 2020 de registar que o Partido, na Região de Santiago Sul, conquistou todas as Câmaras: Praia, que alberga capital do país, Ribeira Grande de Santiago e São Domingos, aumentando, de forma significativa, o número de representantes locais, naquilo que foi o melhor resultado de sempre do Partido em eleições autárquicas ao nível da Região de Santiago Sul, passando a ser poder e abrindo oportunidades para que o mesmo possa implementar a sua visão e agenda de governação local em prol da população.

Nas legislativas 2021, não conseguimos obter maioria, é facto, mas registo que aumentamos de forma significativa o nosso score. Os dados definitivos indicam que PAICV obteve, na Região, 45,27% dos votos válidos, e o MPD, 49,80%. O partido passa de 7 para 9 deputados, crescendo a sua base de apoio e mandatos no círculo. Esses resultados das eleições ao fim do primeiro mandato do MPD, e de todo o contexto em que ocorreram, dão uma noção do trabalho feito e apontam para o futuro. Assim, considero que a nível regional, estamos no caminho certo e cada vez mais com vontade de lutar por esse caminho, confiando no futuro.

Reformulação da equipa e novos desafios

Com que tipo de equipa irá concorrer?

- Com uma equipa intergeracional, capaz, composta por homens e mulheres, seniores e jovens com amor à PAICV e comprometidos em servir Cabo Verde e Santiago Sul.

Quais serão principais desafios neste seu segundo mandato?

- Em termos partidário, a grande prioridade será acordada ao reforço da organização, a renovação e funcionamento das estruturas. Por outro lado, precisamos continuar a formar os nossos dirigentes e militantes, tendo como fim elevar o grau de análise e de intervenção sobre a realidade da nossa região política e sobre os temas da conjuntura local, regional e nacional. Continuaremos com a nossa política de proximidade, que foi uma das grandes marcas da nossa CPR. Existirá igualmente o desafio de equilibrar posicionamentos políticos, num contexto em que, na região, somos oposição e poder ao mesmo tempo, mas sempre com a postura construtiva, na defesa das justas e legítimas reivindicações das populações.

Como pretende suportar politicamente a Câmara da Praia que vem sendo criticada fortemente pela oposição (MpD) de desorganização e falta de realizações?

- O suporte político da Comissão Política Regional Santiago Sul do PAICV é estatutária, mas também um suporte natural, dito de outro modo, é um suporte que deriva, diretamente, do facto de a CPRSS e Câmara da Praia sob a liderança do PAICV e Francisco Carvalho, comungarem de uma mesma ideologia política. De maneira que as medidas que a CMP vier a implementar encontrarão sempre apoio da CPRSS, uma vez que partilham entre si, um conjunto de princípios orientadores e formas de organização da sociedade. Por exemplo, a igualdade de oportunidades, um Estado que esteja ao lado dos munícipes, orientando e apoiando, sempre, e o enfoque nas famílias. Outra forma de apoio da CPRSS é também através da utilização de mecanismos de concertação permanente, designadamente, com a participação do Presidente da CMP nas reuniões deste órgão político regional.

Grandes medidas da Câmara da Praia, críticas e suporte político da CPRSS

Vozes críticas defendem que a presidência de Francisco Carvalho deve mudar rapidamente de chip, reforçando o seu staff de apoio com conselheiros, assessores e técnicos capazes para imprimir uma maior dinâmica no governo da Capital. O que diz sobre essas observações?

- É preciso refletir um pouco sobre esta noção de "vozes críticas". O município é de todos e é preciso cautela para não se tomar a parte pelo todo. No que tange à equipa, sabemos que neste momento, a reformulação da estrutura tradicional da CMP, ao nível de diretores já está concluída, e foi pensada tendo como princípio orientador fundamental o elevado grau de experiência e de especialização técnica. Tenho informações também de que Francisco Carvalho está a trabalhar na reformulação da orgânica e que emerge no âmbito de uma Estratégia de uma perspetiva de longo prazo. Este tempo passado até agora, por um lado, permitiu conhecer, razoavelmente, o estado em que o MPD deixou a CMP, atolada em dívida e num regime de funcionamento de "bombeiro", sem mecanismos de ação de fundo como PCCS, sem planos estratégicos e políticas públicas sectoriais de habitação, educação, inclusão, desenvolvimento empresarial, saúde, muita intransparência em matéria de contratualização, etc. Por outro lado, este tempo passado permitiu efetuar uma primeira captação dos principais problemas do município. Uma vez conhecido o estado atual do município e os seus principais problemas, a CMP entrará numa nova fase.

Por outro lado, não podemos deixar de frisar as medidas de grande alcance que já foram implementadas na CMP com a nova liderança, em beneficio de franjas importantes da população e também a atitude diferente de relacionamento com os munícipes. As pessoas voltaram a acreditar na CMP porque é uma Câmara que como bem disse Francisco Carvalho, não proíbe nenhum munícipe de entrar pela porta da frente. Todos entram pela porta da frente.

Foco no trabalho para servir os municpes

O que a CPR irá fazer para garantir que o Edil Francisco Carvalho renove mandato à frente da Câmara nas próximas eleições autárquicas?

- A renovação de mandato não tem de ser uma obsessão. Se tem mesmo de haver uma obsessão que seja pelo trabalho abnegado, justo e transparente. Defendemos que a renovação do mandato tem de depender do resultado do trabalho desenvolvido. Sendo assim, a CPRSS irá colocar o seu enfoque na ajuda à CMP, mas para trabalhar a favor de todos os munícipes.

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