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Carta aberta de Amândio Barbosa Vicente em agradecimento à denuncia da Eurodeputada Ana Gomes sobre o caso do ex-embaixador José Manuel Pinto Monteiro 11 Janeiro 2018

Em meu nome pessoal e em nome de muitos cabo-verdianos, devo endereçar-lhe um “muito obrigado” por ter denunciado junto do Gabinete Antifraude Europeu as suspeitas de benefício pessoal e favorecimento do ex-embaixador da União Europeia, José Manuel Pinto Teixeira, por parte da autarquia da Praia, gerida actualmente por militantes do MPD, na alegada compra ou doação de um terreno numa das zonas mais valorizadas da capital cabo-verdiana.

Por: Amândio Barbosa Vicente

Carta aberta de Amândio Barbosa Vicente em agradecimento à denuncia da Eurodeputada Ana Gomes sobre o caso do ex-embaixador José Manuel Pinto Monteiro

Um muito obrigado à Senhora Ana Gomes, a Eurodeputada, que denunciou junto do Gabinete Antifraude Europeu o caso dos terrenos da Prainha doados ou vendidos ao ex-embaixador da EU, José Teixeira, pela autarquia da Praia

Minha Senhora,

Em meu nome pessoal e em nome de muitos cabo-verdianos, devo endereçar-lhe um “muito obrigado” por ter denunciado junto do Gabinete Antifraude Europeu as suspeitas de benefício pessoal e favorecimento do ex-embaixador da União Europeia, José Manuel Pinto Teixeira, por parte da autarquia da Praia, gerida actualmente por militantes do MPD, na alegada compra ou doação de um terreno numa das zonas mais valorizadas da capital cabo-verdiana.

Esteja certa que fez o melhor para o martirizado povo destas ilhas, pois que eles não podem escudar-se na defesa da imagem do país, para se apoderar indevidamente dos recursos que a todos pertencem. Esteja convicta de que quem denúncia as suspeitas de corrupção presta um serviço público relevante à nação e está a cuidar da imagem do país, ao contrário de quem dirige o país sem zelar prudencialmente para que as suas acções sejam transparentes, justas e de interesse público, pelo que não tome conhecimento de certas avaliações feitas por certos agentes públicos em Cabo Verde no que tange à denúncia que fez.

Minha senhora, é uma pena que a Comunidade Internacional tem feito vistas grossas com o nível da corrupção instalado em Cabo Verde. O que denunciou junto do Gabinete Antifraude Europeu é apenas uma ponta do iceberg neste mar de corrupção. Tivéssemos uma justiça independente e actuante, à semelhança de Portugal, teríamos muitos agentes públicos na prisão em decorrência da falta da lisura e probidade na condução dos negócios públicos em Cabo Verde.

Pergunte-me quantos agentes públicos estão presos em decorrência de uma conduta impropria na condução dos negócios públicos em Cabo Verde. Zero, minha senhora, mas esta estatística é indicador de que as instâncias de controlo tem tido um papel inócuo no combate à corrupção e não de que Cabo Verde é comparado aos países nórdicos onde a corrupção está num nível baixo.

Outras denuncias

Prova disso, senhora eurodeputada, Ana Gomes, é só relembrar-lhe os seguintes casos de indícios fortes de corrupção cujo artifício e os subterfúgios utilizados é deixar que o tempo apague na memória dos cabo-verdianos os acontecimentos, esquivando assim a justiça. Eis os casos recentes:

1. Corrupção dos terrenos na Câmara Municipal da Praia – denuncia feita à Justiça de Cabo Verde pelo Ilustre Advogado, Dr. Vieira Lopes, até hoje nenhuma resposta;

2. Corrupção na gestão do Fundo Ambiente – uso do dinheiro público de forma irregular– denuncia feita à Justiça de Cabo Verde e até hoje nenhuma resposta;

3. Indícios de Corrupção na gestão do Projecto CASA PARA TODOS – que mais se assemelha a trama relatada por John Perkins no seu livro Confissões de um Assassino Económico, em que governantes fantoches cedem a pressão e os interesses de um outro Estado, pondo em causa o interesse nacional – não é do domínio público que haja qualquer acção da Justiça de Cabo Verde, para investigar o caso;

4. Indícios de Corrupção na gestão do NOVO BANCO – um Banco criado em 2010, com o dinheiro público, cerca de 8.490.000 USD, declarado, hoje, como insolvente e não vemos qualquer acção da justiça de Cabo Verde, para por cobro a má gestão do dinheiro público;

5. Caso dos TACV – falta da transparência na condução dos negócios – nenhuma acção da justiça;

Por outro lado, Minha Senhora, enquanto os recursos públicos são esbanjados e mal geridos pelos agentes públicos afectos às maiorias parlamentares, encontro cidadãos na rua, que não podem aceder a tratamento de saúde no Hospital do Estado porque não tem 3 USD que lhes são cobrados logo na listagem para a consulta.

Minha senhora, é esta imaculada imagem deste país, que tem que ser preservada, pois há uma minoria que ganha com este país injusto, cada vez mais desigual e mais corrupto.

Enfim, um muito obrigado pela denúncia feita.

Amândio Barbosa Vicente

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