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Crise no sistema de saúde mundial — Reino Unido tem debandada de enfermeiros: 10% saem do público para o privado 23 Maio 2022

A informação sobre a crise nos sistemas de saúde, mundo fora, é ainda pouco sistemática, pelo que se torna útil o conhecimento revelado no mais atual relatório do NHS, o sistema de saúde britânico, publicado no dia 18, um ano exato após o 18 de maio de 2021, em que "o insultante 1%" de atualização salarial aos profissionais de Saúde pôs a classe em fúria e teve como símbolo a enfermeira Jenny McGee, um dos "anjos de Bo Jo". A voz dela, a anunciar que ia deixar a profissão, porque "não recebemos o respeito nem o salário que merecemos", tornou mais audível a luta de médicos, enfermeiros e cuidadores.

Crise no sistema de saúde mundial — Reino Unido tem debandada de enfermeiros: 10% saem do público para o privado

A recente crise no setor da saúde, apontada em relatórios desde 2018, agudizou-se durante a pandemia. Os deputados conservadores, perante o alerta dado por um relatório do ano anterior, tinham lançado em junho de 2020 um estudo sobre o estado do sistema.

Um ano depois, as conclusões apontavam que, mais que a pandemia, tinha sido a falta de planeamento o principal fator da crise no setor da saúde. "Como é que se governa, sem saber quantos médicos, enfermeiros, serventes e outros cuidadores vão ser necessários a curto, médio e longo prazo", interrogavam as vozes críticas informadas.

Burn out. Relatórios parciais como o das associações médicas britâncias (BMJ, anteriores a janeiro de 2020, tinham apontado o burn out ("extremo cansa5ço") de médicos. Um em dada três médicos, a maioria deles a atender nos bancos de urgência, dizia ter atingido o seu limite.

Como está a situação por cá? Sem vozes audíveis, pode-se inferir de desabafos por profissionais que se queixam de "extremo cansaço". Um grande número de pacientes atribuído a cada um. Deslocações para atender populações dispersas ou grupos organizados.

"Hoje atendi trinta pacientes. Depois tive de me deslocar a (outra localidade) e atendi mais doze". Neste caso, é um profissional ao serviço exclusivo da sua instituição pública a desabafar sobre "o trabalho que cada vez mais está mais pesado".

"Anjos de Boris"

Esta expressão ressurgiu na crítica ao tratamento que o governo de Boris Johnson dá ao NHS. É uma referência à situação vivida em 2020, quando a enfermeira neozelandesa Jenny McGee (foto) foi como o seu colega português Luís Pitarma alvo de público reconhecimento do primeiro-ministro "grato à Jenny e ao Luís que estiveram [com ele] 48 horas seguidas e [lhe] salvaram a vida".

Em maio de 2021 a neozelandesa — que completou dez anos a trabalhar no hospital londrino onde Boris Johnson esteve internado em abril de 2020 — bateu com a porta.

Oportunidade de ouro para o presidente do partido trabalhista, Sir Keir Starmer, pôr em ação a nova estratégia de afrontamento do executivo "tory".

Um ano depois, o que fez o governo-sombra cujo líder prometeu fazer o que "é minha responsabilidade: consertar o que está mal"?

Neste 2022 da guerra, ninguém do "quarto poder" faz a pergunta. Silêncio da imprensa, distante pois da tradicional marcação cerrada sobre o poder legislativo que carateriza a sociedade britânica.

Fontes: BBC/Guardian/Telegraph/

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