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Casal perfeito vive 40 anos felizes ... até chegar o FBI 16 Julho 2020

Um fugitivo procurado pelo FBI viveu 40 anos sob a capa de marido exemplar da Cheryl "doce, suave, inocente até à quase ingenuidade" que fez dele extremoso pai dos quatro filhos do casal e até o diácono da igreja local.

Casal perfeito vive 40 anos felizes ... até chegar o FBI

O cidadão Robert Love descreve a esposa numa série de filmes sobre vivências novaiorquinas. Cheryl, a cara-metade de Bobby, nas palavras deste é "doce, suave, inocente até à quase ingenuidade".

Três traços que segundo ele ajudaram a cimentar a sua relação ao longo de quase quatro décadas, desde o dia em que Bobby — nascido na Carolina do Norte mas que depois passou a viver em casa do irmão mais velho na capital, Washington DC — e a novaiorquina Cheryl se conheceram no trabalho num hospital de Brooklyn.

A confiança que ela depositava nele era tão grande que Bobby decidiu tornar-se o homem que ela via nele. Para quê "dizer a Cheryl quem eu era e causar-lhe um desgosto desnecessário?", explicaria ele mais tarde.

Tornou-se o marido exemplar, o extremoso pai dos quatro filhos do casal e até o diácono da igreja local. Enfim, seguia as linhas direitas da moral de que Cheryl era a guardiã. Mas havia uma barreira nele que Cheryl não conseguia penetrar: "Não era uma pessoa expansiva, era algo frio, distante".

Bobby em retrospetiva confessa que teve de omitir tudo sobre o seu passado, mesmo quando os seus familiares do sul, na sua terra-natal de Carolina do Norte — que o sabiam mudado, como prometera à mãe, entretanto falecida, na véspera de ser condenado —, lhe diziam para contar toda a verdade à esposa.

Bobby sabia que se lhe contasse a verdade, Cheryl ia dizer-lhe que só havia um caminho certo, entregar-se — e ser preso de novo era o contrário do que ele tinha escolhido.

Tinha pois de continuar a apresentar-se como Robert Love e enterrar no fundo de si mesmo a sua verdadeira identidade, Walter Miller fugitivo da justiça desde 1977.

FBI tira-o da cama

Nessa manhã de inverno de 2015, Cheryl estava a preparar o pequeno almoço quando uma brigada policial do FBI, lhe entrou pela casa dentro.

"O que é que se passa?", assustou-se enquanto os seguia até ao quarto onde Bobby ainda se encontrava na cama. Ouviu-os perguntar o nome e quando ele respondeu "Robert Love", o agente disse: "Não, o nome verdadeiro".

«Nada fazia sentido. Estávamos casados há quase quarenta anos e o Bobby nunca tinha tido nenhum problema com a lei, nem sequer uma simples multa. Comecei a chorar e a gritar: ’Bobby, o que é que fizeste, mataste alguém?’ E ele respondeu: ’Não, não é de agora, é uma história antiga, muito antes de te conhecer’».

O FBI tinha conseguido encontrar o fugitivo que procuravam havia quase quarenta anos. Walter Miller tinha sido condenado à prisão por assaltar um banco da Carolina do Norte. "Andava com um gang em D.C. (a capital), decidimos que íamos assaltar um banco, mas não podia ser numa grande cidade. Em Raleigh era canja, pensámos". Enganaram-se: foram apanhados.

Aos vinte e poucos anos, estava a cumprir a pena de trinta anos a que fora condenado e destacava-se pelo seu bom comportamento, na cadeia central de Raleigh, capital da Carolina do Norte.

Conhecido como um preso exemplar, a vigilância sobre ele era mínima e ajudou-o a conceber um plano de fuga. No dia escolhido, escondeu-se no autocarro que conduzia os presos acorrentados para os campos de trabalho.

"Naquela manhã, vesti a roupa normal debaixo do uniforme laranja do presidiário. A meio caminho saltei, meti-me pelos campos e fui apanhar um autocarro para o Norte. Paguei dez dólares até Nova Iorque".

Fontes: You Tube...Humans of NY/NY Daily News. Foto (Instagram): Preso pelo FBI, extraditado de NY para NC, Bobby foi beneficiado com uma pena de um ano de prisão. O juiz diante dos factos da sua vida de 40 anos julgou-o "regenerado". Cheryl congratula-se: Bobby tornou-se o marido sensível, que ela lamentava não ter. " Ele libertou-se do peso moral que, sem saber, sempre pressenti que Bobby carregava".

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