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Caso Alex Saab: PAICV acusa Governo da falta de transparência e de ser incapaz de gerir os dossiers que envolvem o diplomata venezuelano 16 Mar�o 2021

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) acusa o Governo da falta de transparência, do amadorismo e da incapacidade de lidar com dossiers que envolvem o diplomata venezuelano Alex Saab, colocando em sérios riscos os objectivos nacionais permanentes e a imagem do país no plano internacional.

Caso Alex Saab: PAICV acusa Governo da falta de transparência e de ser incapaz de gerir os dossiers que envolvem o diplomata venezuelano

O maior partido da oposição entende que não se pode esconder que este caso está envolto em interesses, que envolvem outros países, deixando Cabo Verde numa situação de "embaraço e dilema" perante qualquer desfecho do caso, cuja última palavra advém do Supremo Tribunal da Justiça.

"Dois factos engrossam essa situação que em nada abona à boa imagem de Cabo Verde: a que o Governo de Cabo Verde perdeu a capacidade de “gerir dossiers complexos e delicados” que o processo exige e que indicia desnorte da política externa em face da gravidade do dossier", mostra o Secretário Geral do PAICV, Julião Varela, para quem a abordagem deste assunto "tão melindroso, quanto complexo", deveria merecer da parte das autoridades nacionais, uma atenção, de modo a não manchar a imagem do país e capital Diplomático granjeado desde a independência de Cabo Verde em 1975.

Diante de tudo isto, o PAICV exige que o Governo da República explique, "TIM POR TIM", os contornos desse dossier. "Os discursos redondos e de circunstância, nestas horas, revelam-se insuficientes e inúteis. O POVO precisa saber, de forma inequívoca, as razões e os contornos deste processo. O GOVERNO da República pode até tentar fintar a inteligência dos cabo-verdianos, mas uma coisa é certa:L para quem consegue fazer a leitura das configurações do poder, percebe-se, com nitidez, que o caso de Alex Saab encerra muitos atores e muitos VIGILANTES do PODER, pelo que a verdade há de vir ao de CIMA", adverte.

O partido tambarina alerta, por oturo lado, que as especulações andam à "solta" e, legitimamente, questionam-se as verdades oficiais e levantam-se suspeições sobre a falta de transparência, sobressaindo disso o amadorismo e a incapacidade de Cabo Verde em lidar com dossiers tão delicados, colocando em sérios riscos os Objetivos Nacionais Permanentes.

"Não é a primeira vez que Cabo Verde encara e gere dossiers internacionais que exigem alta articulação da sua diplomacia e da sua inteligência estratégica. Desde a Primeira República, o Governo Cabo-verdiano pôs a política externa ao serviço da utilidade internacional, na promoção da paz e da cooperação, desenvolvendo uma diplomacia pragmática e reconhecida como uma referência e uma marca do “modus operandi” da nossa política externa. E, foi assim durante a II República, nestes quase 30 anos, que a nossa diplomacia tem se afirmado como um fator crucial dos ganhos que o país tem tido", afirma Julião Varela.

O político do maior partido da Esquerda Democrática refere ainda que os incidentes em torno da prisão em território cabo-verdiano de Alex Saab, detentor de passaporte diplomático venezuelano e em missão da República Boliveriana da Venezuela, alegadamente, a pedido da INTERPOL, tem exposto Cabo Verde como alvo de notícias internacionais e, "infelizmente", com o teor que põe em causa a boa imagem e reputação do país.

"Somos um Estado de Direito Democrático e somos um Estado com responsabilidades internacionais, cuja credibilidade depende, em grande medida, do respeito pelas normas e pelos compromissos a que Cabo Verde", sublinha.

Julião Varela garante que seu Partido vai analisar atentamente o acórdão do Tribunal da CEDEAO para um oportuno pronunciamento. "A CEDEAO já se pronunciou por duas vezes e o Governo, bem ao seu estilo, tem fingido de morto, mas a última decisão do Tribunal desta organização sub-regional, por ser clara e por envolver a Juíza cabo-verdiana como relatora e como subscritora do acórdão, exige Primeiro Ministro, Ulisses Correia e Silva, que deve vir a público dizer o que Cabo Verde pensa fazer", manifesta.

De salientar que Alex Saab está sob custódia da justiça cabo-verdiana, desde que foi detido no dia 12 de Junho, na ilha do Sal, e, na sequência disso, aguarda a decisão do Supremo Tribunal da Justiça sobre sus possível extradição ou não para os Estados Unidos da América.

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