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Caso Alex Sabb provoca terramoto político: Oposição denuncia tempestade diplomática e pede explicação ao governo sobre alegados emissários à Venezuela 23 Agosto 2020

O caso Alex Sabb, preso que espera pela extradição ou não para os EUA, está a provocar um autêntico terramoto político em Cabo Verde com o alegado envio dos emissários Gil Évora e Carlos dos Anjos à Venezuela pela cidade da Praia. Em conferência de imprensa, o PAICV (Oposição) exigiu, hoje, esclarecimentos por parte do Governo de Ulisses Correia e Silva, denunciando que «o país foi apanhado no meio de uma tempestade diplomática, envolvendo outros países e criando um visível mal-estar entre os Executivos de Cabo verde e da Venezuela».

Caso Alex Sabb provoca terramoto político: Oposição denuncia tempestade diplomática e pede explicação ao governo sobre alegados emissários à Venezuela

Em causa estão notícias da imprensa internacional e nacional que informaram que, na última segunda-feira (ver o Asemanaonline), o demissionário Presidente do Concelho da Administração de EMPROFAC (Gil Évora) e do ex-Diretor Geral do Turismo (Carlos dos Anjos) estivaram em Venezuela, onde mantiveram, na qualidade de emissários de Cabo Verde, encontros secretos com o Governo de Nicolás Maduro. «O que o Governo de Cabo Verde tem que explicar, de forma clara, para todos compreenderem, é se os cidadãos Gil Évora e Carlos Anjos foram ou não a Venezuela, como noticiados por órgãos de comunicação social estrangeira e nacional, com detalhes de uma investigação que parece ter baseado em bases e fontes seguras», exigiu o Secretário-geral do PAICV.

Segundo Julião Varela, o Governo, tentando disfarçar esta grave situação, quer agora passar todas as culpas para os outros, designadamente para o PAICV, enquanto oposição com obrigações específicas e com o dever de controlar e fiscalizar as ações do executivo. «Veio a público um grave incidente, envolvendo duas personalidades que ocupam ou ocuparam altas responsabilidades em cargos nomeados pelo Governo e que, tanto quanto se sabe, exercem influências no sistema MpD e com costas quentes para passar a vida a criticar publicamente os dirigentes do PAICV», questionou.

Para Varela, o executivo, para lavar as suas mãos, toma a decisão de demitir um dos seus homens de confiança do cargo de Presidente do Conselho de Administração de uma das empresas estratégicas para o país, como é a empresa de importação, comercialização e distribuição dos produtos farmacêuticos - EMPROFAC. «Entendemos que o Governo queira rapidamente abafar esta questão e encerrar esta polémica incómoda que demonstra falhas graves no mosaico diplomático cabo-verdiano. Entendemos também que o Governo se atira ao PAICV, com toda a sua sanha, com o objetivo de transformar esta questão num objeto de barganha política entre os partidos e tentar, mais uma vez, ludibriar os cidadãos que se revelaram muito preocupados com, ao que tudo leva a crer, mais um deslize diplomático desta maioria que conduz os destinos do país», alertou.

Escândalo diplomático e esclarecimentos à população

Conforme Julião Varela, o caso se transforma num grande escândalo diplomático. «As informações veiculadas nos últimos dias, a confirmar-se, mete o país num grande escândalo que não pode contar com a cumplicidade do PAICV, sob pena de trair as suas responsabilidades para com os cabo-verdianos».

Por isso, o SG do maior partido da aposição considerou o Governo de Ulisses Correia e Silva não pode esconder o que os dois referidos cidadãos foram fazer na Venezuela. «O que os cabo-verdianos precisam saber e, que o Governo, enquanto responsável pela gestão dos negócios do Estado, não pode esconder é a mando de quem estes cidadãos foram a Venezuela e para fazer o quê? O que os cabo-verdianos têm direito de saber é quem assumiu os custos desta caríssima viagem que envolve avião privado semelhante ao que teria transportado Alex Saab?», exigiu.

O político fez questão de realçar que Governo do MpD «queira insinuar que se trata de uma viagenzinha normal de cidadãos que, de sua livre criação, foram visitar este país da América Latina, para um turismo de curta estadia». Advertiu que o executivo tem de entender «que não é qualquer cidadão neste país que tem o poder de compra para alugar um jatinho», como diz a informação largamente difundida, de Portugal para a Venezuela. «Aqui entra, mais uma vez, a questão de custo porque uma viagem com estas despesas tem que ter um retorno que compense o investimento feito e que garanta lucros de negócios que todos nós desconhecemos. O Governo tem que esclarecer também como é que estes cidadãos, ligados ao poder, conseguem, no meio desta crise pandémica, circular com tanta facilidade para países com fronteiras parcial ou grandemente condicionadas».

Demissão apressada sem inquéritos e diplomacia responsável

Diante de tudo isto, Julião Varela advertiu que o Governo da República não pode esquecer que estamos perante um alto funcionário de Estado que tem deveres acrescidos e cujas decisões podem comprometer a imagem do País e que a questão não se resolve com apenas uma demissão e a peregrina ideia do encerramento definitivo do caso. «Não deixa de ser estranho que a demissão tenha acontecido no meio desta tempestade, sem esclarecimentos convincentes e sem inquéritos prévios para se apurar e divulgar os factos e as responsabilidades. As coincidências acontecem, e estamos cientes disso, mas parece ser coincidência à mais, a viagem, as notícias, a demissão apressada e os comunicados com os quais o Governo pretende pôr ponto final a esta discussão», fundamentou.

O Secretário-geral da oposição democrática terminou a sua comunicação, defendendo uma diplomacia estribada na verdade e na responsabilidade em preservar a boa imagem de Cabo Verde no plano internacional. «O PAICV defende que a diplomacia cabo-verdiana deve continuar a ser uma questão de regime, estribada na verdade, na responsabilidade, na seriedade, na cumplicidade, no respeito mútuo e na valorização da competência de uma classe diplomática que tem cumprido o seu papel de forma exemplar e que orgulha o país», sugeriu o dirigente da formação tambarina.

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