ACTUALIDADE

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Caso Binter continua a dar que falar: PM nega falar sobre o assunto, líder da oposição exige ao Governo que não transforme o Estado em refém de nenhuma empresa privada 29 Setembro 2018

O caso da ameaça da Binter Cabo Verde de suspender a ligação inter-ilha, mas que recuou na sua posição na sequência da negociação com a Agência da Viação Civil (AAC) para prorrogar a entrada em vigor do novo tarifário para o sector aéreo a partir de Janeiro de 2019, conhece um novo momento com o posicionamento divergente entre a Líder da oposição e o Primeiro-ministro. É que enquanto Janira Hopffer Almada pede ao Governo que não transforme o Estado de Cabo Verde em refém de nenhuma empresa privada, Ulisses Correia e Silva negou, hoje, responder os questionamentos feitos pelos jornalistas sobre a matéria em causa que tem mobilizado, nos últimos dias, a opinião Publica Nacional, adiantando que o disser Binter está a transformar-se numa espécie de novela. O PM negou assim informar os cabo-verdianos sobre o negócio com a Binter-cv, cuja transparência vem sendo posta em causa por vozes críticas da sociedade cabo-verdiana.

Caso Binter continua a dar que falar: PM nega falar sobre o assunto, líder da oposição exige ao Governo que não transforme o Estado em refém de nenhuma empresa privada

Continua a dar que falar a polémica surgida com a ameaça da Binter de suspender as ligações áreas inter-ilhas por causa do aumento das tarifas aéreas. Isto não obstante a companhia monopolista de capital cabo-verdiano-espanhol ter reconsiderada a sua posição, na sequência da proposta que apesentou à AAC para prorrogar a entrada da medida em vigor a partir de Janeiro de 2019.

Numa primeira tomada de posição pública sobre o assunto, a presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) pediu, esta sexta-feira, ao Governo que assuma a sua responsabilidade e que não transforme o Estado de Cabo Verde em refém de nenhuma empresa privada.

Janira Hopffer Almada falava aos jornalistas à margem do II Congresso Autárquico do PAICV, a decorrer na Cidade da Praia, quando foi instada a comentar a reacção do Governo face ao posicionamento da Binter Cabo Verde perante a actualizaçao das tarifas máximas dos voos inter-ilhas, por parte da Agência de Avião Civil (AAC).
“O primeiro-ministro deve recordar que ele tem o mandato para governar o país. Nós somos um país-ilha, um arquipélago e os transportes inter-ilhas fazem parte da coesão nacional e da garantia da mobilidade dos cabo-verdianos”, disse a presidente do PAICV, citado pela Inforpess.

Segundo a mesma fonte, a líder do principal partido oposição adiantou que a “a falta da transparência” nos acordos com a Binter foi denunciada desde a primeira hora pelo PAICV, apelando ao Governo que priorize os interesses dos cabo-verdianos.
“Portanto, nós apelamos ao Governo que assuma as suas responsabilidades e não transforme o Estado em refém de nenhuma empresa privada, mas sobretudo que priorize e garanta e salvaguarda os interesses dos cabo-verdianos”, realçou JHA.

PM recusa informar cabo-verdianos

Comportamento bem diferente teve o Primeiro-Ministro, que quer ficar longe do holofotes da comunicação social, como o diabo foge da cruz. É que, esta sexta-feira, Ulisses Correia e Silva escusou-se a comentar o posicionamento da Binter e disse que não vai alimentar “essa novela”, referindo aos comunicados da Binter e da AAC, adiantando que o posicionamento do Governo está num comunicado enviado à imprensa.

Com isso, o PM minimiza as inquietações dos cabo-verdianos que querem ser esclarecidos sobre esse dossier quente da vida nacional e que tem que ver com as políticas públicas do actual Governo para o sector dos transportes – delas dependem a livre circulação de pessoas e bens dentro e para fora de Cabo Verde.

Entretanto, o comunicado governamental, remetido depois a este jornal, garante que o executivo está empenhado em criar todas as condições para Cabo Verde ter um mercado livre e competitivo ao nível dos transportes aéreos inter-ilhas, por forma a continuar a melhorar a qualidade dos serviços prestados.

“O Governo tudo fará, e está preparado, para garantir a continuidade dos serviços de transportes inter-ilhas em quaisquer circunstâncias. Preferencialmente, num ambiente de concorrência”, pontua o documento, acrescentando que sendo este mercado regulado e existindo uma autoridade de regulação independente, qualquer desentendimento entre a operadora e o regulador deve ser dirimido entre ambos, nos termos da lei e dos regulamentos em vigor no país.

Na quinta-feira, 27, o secretário de Estado das Finanças, Gilberto Barros, adiantou, por seu turno, numa espécie de réplica às declarações do deputado Nuías Silva do PAICV, que está descartada a subsidiação da Binter Cabo Verde pela via do Orçamento do Estado.

É de recordar que que foi, no dia 25 deste mês, que a Binter Cabo Verde, num comunicado distribuído, anunciou que ficou “gravemente prejudicada” com a redução das tarifas dos voos domésticos, conforme avançada pela AAC, e mandou suspender a venda dos bilhetes a partir de 28 de Outubro. Entretanto, no dia seguinte, num novo comunicado, informa que reabriu a venda de bilhetes para além do dia 28 de Outubro, após reunir-se com a Agência da Aviação Civil e pedir a reavaliação do quadro tarifário das passagens. Vamos esperar pelos novos capítulos.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade



Mediateca
Cap-vert

blogs

Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project