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Vereador do Rio preso por infanticídio do enteado de 4 anos 18 Abril 2021

Um mês depois da morte de Henry, de quatro anos, declarada no hospital na madrugada de 08 de março, a mãe e o padrasto Jairo Souza Santos Júnior, vereador do Rio de Janeiro, foram detidos sob suspeita do infanticídio. A autópsia revelou graves hematomas por todo o corpo, o que levou a polícia a descartar a hipótese de acidente.

Vereador do Rio preso por infanticídio do enteado de 4 anos

Há um mês que a morte do menino Henry de 4 anos causada por "hemorragia interna e laceração hepática [no fígado]" atribuível a "uma ação contundente [violenta]" tem feito a atualidade mediática no maior país da Lusofonia.

Na madrugada de 08 de março, a criança alegadamente após ter caído da cama deu entrada no hospital, levado pelo padrasto, o vereador conhecido por Dr. Jairinho, e a mãe Monique Medeiros.

Logo à chegada, o menino foi dado como morto. Com o avançar da investigação, aponta-se que teria morrido cinco horas antes de dar entrada no hospital.

Além disso, o vereador do Rio é acusado de tentar impedir que a criança fosse autopsiada. Para isso, "abusou da sua posição de poder", que incluiu ainda a "intimidação das testemunhas"- As empregadas da casa teriam presenciado agressões à criança.

Segundo o delegado responsável, a babysitter Thayná Ferreira mentiu no primeiro depoimento. Com o avançar da investigação, que incluiu a visualização de mensagens (entretanto recuperadas após terem sido apagadas) entre Thayná e a mãe de Henry, chegou-se à conclusão de que "o menino sofria agressões frequentes". Mais tarde a faxineira também retificou o depoimento inicial.

Também retificaram o depoimento inicial, uma ex-companheira de Jairo, durante seis anos, e uma empregada dela. Ouvidas segunda vez após a prisão do vereador depuseram sobre maus-tratos aos dois filhos dela, o mais novo com três anos. De notar que outra testemunha, a ex-esposa do vereador, garantiu que os dois filhos do casal nunca foram vítimas de agressão, mas ela sim.

Com todos estes testemunhos a juntarem-se aos dados da autópsia indiciadora da tortura — graves hematomas em todo o corpo, lesões hemorrágicas na parte frontal, lateral e anterior da cabeça, escoriação no nariz, hematomas no punho e abdómen, lesões nos pulmões e rins e hemorragia abdominal —, peritos diversos, médicos, pedo-psicólogos têm vindo a debruçar-se sobre o perfil do vereador perpetrador do crime "chocante" que vitimou o pequeno Nenry.

Para os peritos, a avaliação psicopatológica do médico vereador tem de contar com a hipótese de que ele seja atraído por mulheres com filhos, na mira de obter acesso às crianças para as torturar.

Cônjuge de vereador quadruplica salário

A pedagoga Monique e o vereador Jair conheceram-se no final de agosto último, num almoço, no Rio de Janeiro, segundo a Globo. O romance começou de imediato e dois meses depois a mãe e o filho mudaram para o luxuoso apartamento do vereador.

A situação profissional da pedagoga também sofreu uma grande progressão em outubro quando passou a trabalhar no Tribunal de Contas do Rio com um salário quatro vezes mais alto.

A edilidade fluminense já reagiu à "brutalidade da morte de Henry" e tomou medidas que vão além dos seus trâmites tradicionais: suspendeu os salários e afastou o vereador do Conselho de Ética.

Mas a tentativa de antecipar a saída da Câmara foi, apesar "do clamor social" indeferida pela justiça "em nome da presunção de inocência" e "da separação dos poderes".

Envolvimento com milícias

Assim como os ex-colegas presos, Jairinho é suspeito de envolvimento com milicianos; o nome dele aparece na CPI das Milícias, finalizada em 2008 pela Assembleia Legislativa do Rio, refere o Estadão.

O seu pai, o ex-deputado Coronel Jairo, é "mencionado no relatório e foi preso em 2018 no âmbito da operação Furna da Onça, que focou no suposto pagamento de ’mesada’ para parlamentares aprovarem projetos de interesse do governo estadual", no âmbito do processo que em 2016 condenou a 342 anos de prisão o ex-governador do Rio de 2014 a 2017, Sérgio Cabral Filho.

Depois de um mês a investigar o crime, a Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, na passada quinta-feira, Monique Medeiros e o vereador Jairinho, encontrados na casa de um familiar de Monique, com as “malas prontas para fugir".

O vereador e Monique devem permanecer presos preventivamente durante, pelo menos, 30 dias.

Fontes: Globo/CNN/UOL/Estadão.

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