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Caso Khashoggi: Arábia Saudita nega "totalmente" relatório da CIA que acusa MBS — Olhos sobre Biden 01 Mar�o 2021

"O governo do Reino da Arábia Saudita rejeita totalmente a acusação negativa, falsa e inaceitável do relatório concernente à liderança do Reino. Mais destaca que o relatório contém informação e conclusões inexatas", lê-se no comunicado do MNE saudita de domingo, 28.

Caso Khashoggi: Arábia Saudita nega

O comunicado saudita, em Riade no domingo, 1º dia útil após o feriado, reage assim à divulgação oficial em Washington na antevéspera, sexta-feira, 26, do relatório da CIA que refere o príncipe saudita Mohammed Bin Salman como responsável do assassínio do jornalista Jamal Khashoggi, em 2018.

A tão aguardada divulgação oficial da Casa Branca baseia-se no relatório da CIA-Agência Central de Informação nos seguintes termos: "Chegámos à conclusão de que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita validou uma operação em Istambul para capturar ou matar o jornalista saudita Jamal Khashoggi".

O documento redigido pela CIA só obteve agora a sua "desclassificação"[ordem para ser publicada], mais de dois anos após ter sido emitido e quando ao longo deste tempo extratos têm vindo a ser publicados e a ONU apresentou as mesmas conclusões (ver links abaixo).

Esta divulgação oficial acontece no momento em que começa a sentir-se a pressão sobre a novel presidência de Joe Biden para responsabilizar o "aliado estratégico saudita" por um assassínio que internacionalmente provocou grande indignação. Nos Estados Unidos, intensas manifestações em frente â Casa Branca exigiam que Trump declarasse sanções aos sauditas, por entre acusações — expressas com violência gráfica — ao presidente-magnata de estar só a zelar pelos seus interesses empresariais nas relações com o Reino Saudita.

"O príncipe herdeiro considerou Khashoggi como uma ameaça para o Reino e apoiou totalmente o uso de medidas violentas, se necessárias, para o silenciar", acrescenta-se no documento.

Recorde-se que há oito meses os filhos do jornalista exilado nos Estados Unidos expressaram público perdão aos assassinos. Na foto(à esqª), vê-se o encontro em fins de maio entre o príncipe e um dos filhos de Khashoggi (Caso Khashoggi: "Perdoamos aos que mataram o nosso pai e esperamos em Deus", 23.mai.020).

Biden e rei Salman ao telefone

O primeiro telefonema entre o 46º presidente norte-americano e o soberano da Arábia Saudita aconteceu na quinta-feira, mas não foi divulgado o seu teor.

Analistas políticos prognosticam que "a divulgação pública (do relatório) marcará um novo capítulo nas relações dos Estados Unidos com a Arábia Saudita e uma diferença clara entre a política do presidente Joe Biden e a do ex-presidente Donald Trump", segundo a emissora NBC na quarta-feira.

Segundo a AP-Associated Press, a divulgação pública do documento irá, "provavelmente, dar o tom" para o relacionamento da nova administração norte-americana com um país que Biden criticou, mas que a Casa Branca considera que, nalguns contextos", constitui "um parceiro estratégico".

A Casa Branca anunciou na sexta que irá tomar "medidas", mas sem adiantar quais. Dois dias antes tinha informado que o presidente ia falar com o rei saudita e que um dos temas seriam os direitos humanos: "É esperado que o presidente Biden faça a prometida "recalibragem" na relação com o reino saudita".

"Isto significa que [o presidente Biden] não ficará em silêncio, [mas] falará alto e bom som [se] estiverem em causa violações dos direitos humanos e a falta de liberdade de imprensa e de expressão", rematou a porta-voz da Casa Branca.
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Fontes: Referidas. Relacionado: Khashoggi: ONU tem "provas fiáveis" de implicação de príncipe herdeiro saudita, 20.jun.019; Desfecho do caso Khashoggi: 5 condenados à morte, 3 a penas longas, 3 soltos, no julgamento em tribunal saudita, 24.dez.019. Fotos: O ambicioso príncipe herdeiro, de 35 anos, Mohammed Bin Salman é publicamente responsabilizado pelo cruel assassinato de Khashoggi. A Casa Branca faz, mais de dois anos depois, esta extraordinária repreensão ao príncipe saudita, que foi aliado e "muito próximo" de Trump — cuja administração foi acusada de ter fechado os olhos à questão dos direitos humanos.

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