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Caso da morte da jovem grávida de Santiago: Júlio Correia acusa o Governo de ser responsável pela tragédia e pede intervenção do Ministério Público 24 Junho 2018

Numa denuncia com acusação pública contra o Governo que circula nas redes sociais, o deputado nacional Júlio Correia pede a intervenção do Ministério Público (MP) para o apuramento das responsabilidades sobre a morte, a bardo de um barco no sábado último, da jovem de Santiago e do seu filho que não nasceu, no trajecto Boa Vista-Sal. «A questão, para além de política, social, moral e ética, é da alçada da Procuradoria Geral da República. Há crime público – incúria e gestão danosa», fundamentou.

Caso da morte da jovem grávida de Santiago: Júlio Correia acusa o Governo de ser responsável pela tragédia e pede intervenção do Ministério Público

Júlio Correia faz questão de realçar que, como Deputado da nação, acusa publicamente este Governo da IX Legislatura, pedindo-lhe o mínimo de decência que tome medidas em conformidade, enquanto a opinião pública faz o luto das suas vítimas. « Temos todos de reagir antes que nos vendam a República e entreguem a causa pública a um Leviatão de negociantes sem pudor e sentido de Estado», denuncia o deputado tambarina.

O político diz ter ficado revoltado com a morte da jovem por recusa do Binte-cv em recusar transportar doentes nos seus aviões, ao mesmo tempo que afirma demarcar-se desta formar de Governo Cabo Verde. «A morte de uma jovem mãe e do seu filho que não nasceu, na ilha de Boavista, devido não à emergência médica, mas à incúria de não ter sido evacuada por uma companhia aérea a operar, como monopolista dos voos domésticos, obriga-me a expressar enquanto Deputado e cidadão de forma bem clara e consequente, a minha indignação e a demarcar, de maneira irreconciliada, com esta forma de governar o País. Não me presto a ser cúmplice de coisas indefensáveis, especialmente quando danosas».

Júlio correia lembra,no entanto, que a TACV nunca deixou de transportar os doentes por causa de negócios, denunciando que o actual governo de Ulisses Correia e Silva vem se posicionado contra o dever social e à revelia do interesse público. « Lembro que a TACV, malgrado todos os seus problemas (por mim sempre denunciados) nunca deixou um doente nas ilhas por razões de negócios. Governar contra o dever social e à revelia do interesse público é implantar uma lógica perversa na relação entre os cidadãos e a sua classe política. O MPD, por desonestidade, dizia vir governar para as pessoas e, por crime, sim, crime, desampara os doentes nas ilhas, preferindo honrar os negócios e as imposições de uma companhia estrangeira que não atende a casos de emergência médica, comprometendo vidas humanas em Cabo Verde».

Para o deputado da oposição, cai em definitivo a máscara e a cara desavergonhada deste Governo. «E esta afronta e este descaso me interpela a reagir com esta inequívoca veemência. Estou a reagir para acusar o governo da república de Cabo Verde de ser o responsável pela falta de socorro aos doentes das ilhas com critério de evacuação para os hospitais centrais. Estou a reagir para condenar os governantes deste país de gestão desumana e predadora. Exorto a todos os cidadãos à insurgência legal e cidadã contra este estado de coisas e contra o laxismo que custa vidas humanas».

Caso o problema não for resolvido, Correia avisa que não vai viabilizar qualquer entendimento politico a nível da Assembleia Nacional. « Demarco-me de qualquer tipo de entendimento político e muito menos de consenso parlamentar, enquanto permanecerem as tragédias dos doentes não ilhas, em situação crítica, que não são evacuados (por claras razões de delapidação do sentido da prioridade pública)».

Governo e crime público

O deputado tambarina considera que há um crime público que é da alçada do MP, responsabilizando o actual governo pela tragédia com a morte do jovem e do seu filho que não nasceu. «A questão, para além de política, social, moral e ética, é da alçada da Procuradoria Geral da República. Há crime público – incúria e gestão danosa. Como Deputado da nação acuso publicamente este Governo da IX Legislatura, pedindo-lhe o mínimo de decência que tome medidas em conformidade, enquanto a opinião pública faz o luto das suas vítimas. Temos todos de reagir antes que nos vendam a República e entreguem a causa pública a um Leviatão de negociantes sem pudor e sentido de Estado».

Júlio Correia termina a sua denuncia, afirmando que fica à espera da resposta de sempre à denuncia com acusação pública que fez. «Fico à espera que a resposta a esta minha acusação seja a de sempre: A oposição democrática como bode expiatório de toda a desgovernação do país e de fuga em frente, acusarem os parlamentares de fazerem a exploração da tragédia. Digo já que faço a politica exatamente no contraponto de se evitar a tragédia e de apelo à punição dos que a provocam»,conclui o deputado nacional do maior partido da oposição.
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