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Caso da morte por Covid -19 da jovem Jocelene Baessa Gonçalves na Praia: Pedido de esclarecimento e protesto dirigido por familiares às autoridades sanitárias 23 Junho 2020

Em nota remetida ao Asemanaonline, familiares da Jovem Jocelene Baessa Gonçalves, falecida recentemente por Covid -19,depois de ter um parto prematuro no Hospital Agostinho Neto, na Praia, pede esclarecimento cabal às autoridades sanitárias sobre as circunstâncias em que a mesma perdeu a vida. «Nós os familiares e os cabo-verdianos em geral que gostariam de ver este combate ganho, como vem dizendo as autoridades, exigimos um cabal esclarecimento deste facto concreto para servir de exemplo e procurar mudar de atitude para evitar que situações desta natureza venha a acontecer, se realmente queremos combater a propagação do coronavírus no país». Por isso, os irmãos da falecida ( Kevin e Kátia» solicitam o apoio da comunicação social na divulgação deste protesto «para a promoção da saúde, do bem-estar e dos direitos fundamentais da pessoa humana». Confira o conteúdo dessa missiva, que publicamos a seguir.

Caso da morte por  Covid -19 da jovem Jocelene Baessa Gonçalves na Praia: Pedido de esclarecimento  e protesto  dirigido por familiares às autoridades sanitárias

NOTA DE ESCLARECIMENTO E DE PROTESTO

Os familiares da Jovem JOCELINE BAESSA GONÇALVES, falecida no dia 19 de junho no Hospital Agostinho Neto, supostamente vítima de Coronavírus, após ter sida submetida a uma Cesariana no dia anterior, solicita aos órgãos de comunicação social cabo-verdianos para divulgarem esta nossa nota de protesto, visando esclarecer o seguinte:

1. As diligências para o tratamento e controle da gravidez nas últimas semanas

A vitima já vinha se deslocando, com frequência, às estruturas de saúde na capital, tanto ao Centro de Saúde de Tira Chapéu, como, também, à maternidade do Hospital Agostinho Neto, fazendo o seu controle e acompanhamento pré-natal, devido a algumas complicações da gravidez. Por isso, a mesma esteve no Hospital Agostinho Neto, nos dias 05, 15 e 17 de Junho, para efeito de consultas.

2. A realização de alguns testes rápidos

Para além da mesma, de abril a junho, já tinha realizado dois testes rápidos na comunidade, com resultados todos negativos, nessas sucessivas deslocações para o Hospital Agostinho Neto ela foi submetida a mais um teste rápido no dia 15 de junho, com resultado negativo e, no dia 17 de Junho, a um outro teste rápido que acusou presença de anticorpos de Corona Vírus, seguido de um teste PC R, que confirmou a presença de Covid-19 no organismo da falecida.

3. A decisão de se efectuar a Cesariana

Devido ao resultado do teste PCR ter dado covid-19 positivo, no dia 17 de junho, os familiares foram informados dos procedimentos a serem seguidos a partir deste resultado, o que começaria por uma cesariana a fim de isolar a mãe do filho e submeter ao tratamento em separados, o que acabou por acontecer no dia 18 de Junho, no período de manhã e a família , foi informada de que o parto por cesariana já se concretizou, que o bebé já se encontrava na incubadora e a mãe estava em repouso na maternidade.

4. A fase pós cesariana e os contornos da morte

No mesmo dia, 18 de junho, pelas 19:00hs, a família foi informada que a mãe estava agitada com complicações respiratórias e que a mesma já foi transferida para os cuidados intensivos do Hospital Agostinho Neto e em isolamento devido ao teste positivo de Covid-19.No dia 19 de Junho, pelas 8:30hs de manhã, a família recebeu a triste e surpreendente notícia do falecimento da Jovem Joceline Baessa Gonçalves, vítima de Coronavírus.

No processo de sepultamento foram seguidas todas as recomendações sanitárias que o caso exige e foi da inteira responsabilidade da Delegacia de Saúde da Praia, sob um olhar atento e à distância de, apenas, dois Tios da falecida.

5. A extrema NEGLIGÊNCIA das autoridades Sanitárias junto dos familiares

Tendo sido propalado todos os dias nas conferencias de imprensa que após identificação de casos positivos as autoridades sanitárias fazem uma intensa investigação epidemiológica junto dos familiares e contactos do caso positivo, os familiares da Jovem indignados com o abandono total deste caso pelas autoridades sanitárias, questionam o seguinte:

i. Qual foi verdadeiramente a causa da morte da Jovem Joceline? Complicações pós-cesariana, com um deficiente acompanhamento dos serviços da maternidade ou complicações respiratórias devido a Covid-19?

ii. Se for uma morte provocada pelo coronavírus, porque que não houve o cumprimento imediato de todos os trâmites do protocolo sanitário em vigor no âmbito da Pandemia de Covid-19, principalmente a investigação da origem desta contaminação?

iii. O porquê que, desde o dia 17 de Junho que a vítima testou positivo, ninguém dos serviços de saúde ou de protecção civil procurou saber aonde e como a Jovem se contaminou com corona vírus, dizendo na conferência de imprensa uma tamanha inverdade de que se tratava de uma contaminação de um caso positivo do companheiro marital da vítima? Pois o companheiro da falecida nunca testou positivo e ainda não se sabe se é ou não positivo porque ninguém que vivia ou convivia com a falecida tinha sido testado até hoje, dia 22 de junho, pelas 14:00hs e nem foram colocados em quarentena para serem testados.

iv. O porquê que as autoridades de segurança e Ordem Publica não passaram pela zona de residência da vítima para exigir o cumprimento do distanciamento social e evitar o acúmulo de pessoas para o tradicional cumprimento e pêsames?

v. Perante esta situação de negligência, que não deve ser a única, como que as autoridades deste País querem controlar esta epidemia agindo com ligeireza, superficialidade, amadorismo, aparência e faz de conta?

vi. Na ausência das autoridades sanitárias e da decisão de se efectuar testes para os membros da família e contactos próximas da falecida, alguns dos familiares mais próximas, incluindo o companheiro marital, decidiram, hoje dia 22 de Junho, por realizar testes rápidos numa das Clínicas da Cidade da Praia, a fim de poderem saber o que fazer para se proteger ou proteger pessoas de convivência próxima e justificar perante as suas entidades empregadoras na volta ao trabalho após o período de dispensa legal.

Nós os familiares, e os cabo-verdianos em geral que gostariam de ver este combate ganho, como vem dizendo as autoridades, exigimos um cabal esclarecimento deste facto concreto para servir de exemplo e procurar mudar de atitude para evitar que situações desta natureza venha acontecer se realmente queremos combater a propagação do corona vírus no país.

Contamos com o apoio da comunicação social cabo-verdiana na divulgação deste protesto para promoção da saúde, do bem-estar e dos direitos fundamentais da pessoa humana.

Praia, 22 de junho de 2020

Os Irmãos da falecida:
Kevin e Kátia, em representação dos familiares. Contacto: 9345588

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