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Caso da mulher encontrada morta em Achada Baleia: Familiares de Antónia Lobo não acreditam que sua morte tenha sido por afogamento e remetem queixa à Polícia Judiciária cabo-verdiana 29 Novembro 2019

Familiares mostram-se perplexos e denunciam não acreditar nas informações das autoridades sanitárias relativas à causa apresentada sobre a morte da Maria Antónia Lobo (ver na foto). Esta foi encontrada morta, na manhã de quinta-feira, 21, em Achada Baleia, Concelho de São Domingos, ilha de Santiago, alegadamente por afogamento no mar daquela localidade. Desconfiados de que se trata de mais um caso de homicídio registado em Santiago Sul, os irmãos, sobrinhos e primos da vítima já remeteram uma queixa à Polícia Judiciária (PJ), exigindo «uma investigação rigorosa para que se possa confirmar as causas certas que terão estado na origem da morte de Nhatónia», como era conhecida enquanto vendedeira ambulante, e «os verdadeiros motivos que a levaram a percorrer longa distância até parar à praia do mar de Achada Baleia», já que a mesma residia em Sant’Aninha-Várzea da cidade da Praia, sequer frequentava o mar e nem sabia tomar banho de mar.

Caso da mulher encontrada morta em Achada Baleia: Familiares de Antónia  Lobo não acreditam que sua morte tenha sido por afogamento e remetem queixa à Polícia Judiciária cabo-verdiana

O ASemenaonline foi investigar sobre este caso para saber, sobretudo junto de familiares e vizinhos da vítima, como aconteceu esta tragédia no dia 21 de Novembro, em São Domingos. "Guta" de Andrade, uma das irmãs da falecida, contou a sua versão da história. Disse que, nesse dia, a notícia dada pela imprensa cabo-verdiana, sobre a morte de Maria Antónia Lobo, chocou os familiares e inquietou muita gente em Cabo Verde. A versão era de que "Nhatónia", como era conhecida, depois de ter saído de casa, sem comunicar o ponto de destino, na quarta-feira, 20, os familiares aguardavam o seu regresso até o dia seguinte, o que não aconteceu. "Ficámos todos preocupados com a sua ausência, porque nunca esteve fora de casa por mais de 24 horas. Daí que fomos obrigados a acionar a Polícia Nacional, no sentido de prestar algum apoio na sua busca e seu paradeiro", esclarece.

Conta a mesma fonte que, no dia seguinte (Quinta-feira, 21), segundo informações avançadas por amigos, uma jovem, que circulava pela praia de Achada Baleia, em são Domingos, teria encontrado "Nhatónia" deitada em cima de rochas já sem vida e, reconhecida através de uma foto postada nas redes sociais, comunicou de imediato às autoridades e aos familiares, na Cidade da Praia, sobre o ocorrido.

Dúvidas de familiares e auto de transladação do cadáver

Para os irmãos, amigos e toda a vizinhança, fica a dúvida de como e porque é que "Nhatónia" foi parar à uma praia de mar tão distante da sua residência em Sant’Aninha-Várzea que, além de não saber nadar, não tem nenhum conhecido naquela localidade. A esperança da família é para que as autoridades não descartem
algumas suspeitas sobre a morte desta mulher - a PJ precisa de investigar sobretudo familiares e pessoas da vizinhança que sempre estavam próximas da vítima.

Conforme o Auto de Transladação do Cadáver para a Cidade da Praia, assinado pela Delegada de Saúde de São Domingos, Sandra Helena Martins Brito, o corpo de Antónia Lobo de Andrade se encontrava em bom estado e sem qualquer risco para a saúde pública. Um fato que, segundo familiares, leva a crer que não apresentava nenhum sinal ou escoriações que justificassem a sua morte por afogamento. "Mas mais: a atitude da médica e Delegada de saúde nos deixou indignado e com sérias dúvidas acerca do seu profissionalismo. Pois, em momento algum ela examinou o corpo no local através de mecanismos procedentes e fiáveis no âmbito de um laudo médico. Tudo foi por uma mera e simples observação a olho nu, para depois nos revelar tratar-se de morte por afogamento", desabafa Djonson, sobrinho de Nhatónia, num tom que aparenta revolta.

Mesmo assim foi feito o levantamento do corpo para a Cidade da Praia. Mas a família, segundo os entrevistados deste jornal, diz não acreditar na versão avançada pela Delegada de Saúde de São Domingos, nem tampouco na do Hospital Dr. Agostinho Neto (HAN). Isto porque, como referem as mesmas fontes familiares, há várias "pontas soltas" e vários aspetos que parecem não ter explicações que os convençam.

"Para já, em nenhum momento foi encontrado e retirado restos de água do mar no organismo da vítima e os próprios ferimentos vistos no cadáver parecem estranhos. Alguém que não saiba nadar e que tenha afogado no mar, dificilmente aparece morta na praia no mesmo dia, sem que o mar esteja agitado, mormente parar a uma distância de cerca de 100 metros do mar", estranha um amigo e vizinho da vítima.

Descontentes com as informações fornecidas pelas autoridades sanitárias da morte da vitima por afogamento, familiares, parentes e amigos de "Nhatónia" suspeitam ter ocorrido um homicídio. Por isso, exigem, através de uma queixa apresentada à PJ, que seja feita a autópsia ou outro exame da malograda, capaz de certificar as reais causas que terão estado na origem da sua morte.

Mas os questionamentos relativos ao desaparecimento e a versão dos médicos sobre a causa da morte de Nhatónia não ficam por aí. A"Souzinha", por exemplo, observa que nunca acredita que a sua irmã tenha sido morta por afogamento ou suicídio. "Primeiramente, porque ela não sabe nadar. Depois, não tinha nenhuma perturbação mental ou problemas familiares que pudessem levá-la à morte por suicídio, numa localidade muito distante da sua residência em Sant’Aninha - Várzea. Aqui, na Cidade da Praia, há muitas praias de mar que "Nhantónia" pudesse ir tomar banho, em vez de percorrer tanta distância até parar ao Concelho de São Domingos. Por isso, há fortes hipóteses de que alguém a tenha levado para a praia de mar de Achada Baleia. Todavia, mesmo que lá fosse de sua livre e espontânea vontade, não acredito que seria capaz de cair no mar sozinha. Tudo isto nos leva a supor que por detrás dessa morte estará algum homicida, porque o cadáver não apresentava barriga inchada, nem escoriações por arrastamento até às rochas da praia do mar onde foi encontrada morta", argumenta a irmã da vítima.

Familiares remetem queixa à Polícia Judiciária (PJ)

A par dos fatos referidos, familiares da Nhatónia criticam que ao fazerem o levantamento do corpo no local ninguém os comunicou de que seria ou foi submetido à autópsia, ouvindo somente "rumores" de que a morte foi provocada por afogamento, sem que recebessem algum documento oficial do Hospital Agostinho Neto como prova. Por isso, dizem que não acreditam nas informações fornecidas e ameaçam levar o caso à justiça, para que possam ser melhor esclarecidos sobre esta tragédia.

Para Isa Andrade, filha mais velha de "Nhatónia", estas razões são mais do que suficientes para não descartar a hipótese de ser um crime, mesmo que essa teoria apareça demasiado cruel para ser verdade. "Suspeitamos da versão das autoridades sanitárias e estamos dispostos a ir até às últimas consequências para esclarecer as reais causas da morte da nossa mãe, que deixou a casa em Sant’aninha, no dia 20 de Novembro, para nuca mais voltar com a vida. Ou seja, foi encontrada morta, no dia seguinte, junto à praia de mar de Achada Baleia, no Concelho de São Domingos».

Diante dos questionamentos referidos, familiares de Nhatónia garantem, em declaração a este diário digital, que já apresentaram uma queixa junto da Polícia Judiciária (PJ) e dizem esperar «que se faça uma investigação criteriosa e rigorosa por forma se desvendar o mistério à volta ocorrido e chegar a conclusões finais com base em informações credíveis e convincentes».

É de salientar que Antónia Lobo de Andrade morreu aos 44 anos de idade. A mesma vivia de venda ambulante e deixou três filhas maiores e cinco netos, todos residentes no bairro de Sant’Aninha, na Várzea - Cidade da Praia, Santiago.

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