POLÍTICA

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Caso do chumbo do Vice-Presidente da AN abre conflitos no MpD: Orlando Dias fala de traidores e avisa que haverá consequências imprevisíveis 20 Maio 2021

O caso do chumbo da proposta da candidatura do deputado Orlando Dias ao cargo de 1º Vice-Presidente da Assembleia Nacional gera conflitos no seio do MpD no Governo. O parlamentar ventoinha contesta que foi «traído pelo seu próprio partido, incluindo membros do governo de Ulisses Correia e Silva, e avisa «que haverá consequências imprevisíveis». Observadores atentos alertam que esta ameaça de Dias precisa de ser levada em devida conta pelo MpD, já que apenas dois votos contra são suficientes para fazer cair o programa e a moção de confiança do Governo da X Legislatura que, dentro de 15 dias, serão submetidos à aprovação pelo parlamento cabo-verdiano.

Caso do chumbo do Vice-Presidente da AN abre conflitos no MpD: Orlando Dias fala de traidores e avisa que haverá consequências imprevisíveis

Na sua página de Faceboock, Dias, cuja candidatura para Vice-Presidente da Assembleia Nacional foi chumbada com 35 votos sim na sessão constitutiva da AN desta quarta-feira, 19, reage ao caso, considerando que foi traído pelo seu próprio partido. Foi «uma traição organizada pelo meu próprio partido e Grupo Parlamentar».

Orlando, que é também parlamentar da CEDEAO, precisa que foi traído por 10 deputados do MpD, incluindo cinco membros do Governo de Ulisses Correia e Silva. «No mínimo, dez deputados eleitos do meu próprio partido traíram-me, incluindo membros do Governo -5», indicou.

Sem papas na língua, Orlando Dias vai mais longe, avisando possíveis retaliações com consequências políticas imprevisíveis para o sistema MpD. «Haverá consequências imprevisíveis...», fez questão de realçar no post que publicou na sua página de Faceboock.

Esta ameaça do deputado Orlando Dias precisa de ser levada em devida consideração pelo sistema MpD. É que, segundo observadores atentos, o MpD tem uma maioria absoluta apertada de 38 deputados na AN. «Dois votos contra poderão fazer cair o programa e a moção do Governo da X Legislatura que, dentro de 15 dias, vão ser submetidos à apreciação e aprovação da Assembleia Nacional», alertam as mesmas vozes críticas.

Quem também não gostou do chumbo da candidatura de Orlando Dias ao cargo de 1º Vice-Presidente da Assembleia Nacional foi Carlos Sá Nogueira, que questionou na sua página de Faceboock: QUEM TRAMOU ORLANDO DIAS? NISTO, HÁ TRAIÇÃO E TRAIDORES.

Nogueira defendeu que isto não era para acontecer. “O que se passou hoje (19/05/2021), em sede da instalação da Mesa da Assembleia Nacional, na Cidade da Praia, é típico dos filmes onde os actores são desavergonhados. Orlando Dias, um homem que tanto tem lutado pelo MpD, foi humilhado pelo seu próprio Partido, diante de um hipotético líder, que não teve pejo e nem jeito de colocar, em sede do Partido, os pontos nos ís. Parece que há um grupo que tomou o partido de assalto e Ulisses Correia e Silva hoje vai a sabor do vento», criticou.

Derrota à liderança «frouxa» de Ulisses Correia e Silva

Ainda no seu post, Sá Nogueira criticou que o líder Ulisses Correia e Silva não mostrou ter tomates para amainar a ganança de alguns para controlar a máquina do partido no governo. «Não podemos esquecer que o que se passou hoje na Assembleia Nacional é uma derrota da própria Liderança do MpD. Mais do que colocar Orlando Dias numa situação humilhante, Ulisses não mostrou ter tomates para amainar a ganança de uns que, feito as eleições, estão a ver que lugares terão nas próximas eleições, onde estarão, o que farão e como farão para controlar o Partido. É que, nestas coisas, há sempre uma sina neste Partido de Democracia, em que aqui e acolá tem dados sinais de stress».

Fundamentou que Orlando Dias não foi um candidato dele próprio. «Foi, sim, um candidato do Partido, votado e aprovado em sede do Órgão do Partido. Portanto, foi o Partido que o levou como proposta a Primeiro Vice-Presidente. E foi esse mesmo partido que o derrotou, derrotando a si mesmo. Pior... com o patrocínio de almas muito bem colocadas na pirâmide do Poder que olham para o grande bolo com uma ânsia desmedida».

Diante de tudo isto, Sá Noqueira questionou: Onde está Ulisses Correia e Silva para tomar conta do Partido? Onde está a liderança do MpD? Quem manda, hoje, no MpD? Aonde o Partido irá parar governado com estas mãos frouxas? E concluiu: «Não podemos deixar de dizer que Ulisses Correia e Silva revelou-se um líder frouxo neste caso do Orlando Dias, o que deixa muito a desejar».

Lembrou que Orlando Dias, que ganhou a antipatia do PAICV face ao combate que travou contra este partido para defender, justamente, o Governo de Ulisses Correia e Silva. « Logo Orlando Dias, que travou todos os combates na África, para trazer para Cabo Verde a sonante vitória do MpD em São Tomé e Príncipe, coisa nunca antes vista. Logo Orlando Dias, homem de primeira hora em todos os combates do Movimento para a Democracia. É esse mesmo Orlando Dias que é castigado de forma vil pelo MpD, procurando transformá-lo numa chacota pública», realçou.

Traição e traidores

Escreveu ainda Carlos Sá Nogueira que Orlando Dias fez o que tinha que fazer. «Lutou integramente até agora. Vai para a cama de consciência tranquila. Fez o que tinha que fazer. Mas, todos não irão, esta noite (19/05/2021), para a cama tranquila. Porque, nesta história, há traição e traidores», lê-se no post que vimos citando.

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