ESCREVA-NOS

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Caso de deputados do PAICV que abandonaram a sessão da AN e votaram contra o seu partido: Golpe traiçoeiro 01 Novembro 2018

Eu não creio que os Deputados que abandonaram a sessão com o fim de diminuir o número de Deputados do seu Grupo Parlamentar, bem como aqueles dois que ficaram, deliberadamente, na sala para votar com o MpD (é bom que os militantes, amigos e simpatizantes do PAICV saibam que sem esses dois votos, a proposta do MpD seria chumbado!), o terão feito por manhenteza ou porque esperam quaisquer benefícios vindos do Governo de Ulisses Correia e Silva, ou ainda por simples desejo de meter na boca lobo, precisamente quando ele está esfomeado!?
A seguinte pergunta tem estado a martelar-me o pensamento: Os Deputados tambarinas (em número de 7!) cuja manobra traiçoeira viabilizou a aprovação da proposta do MpD, tinham ou não conhecimento da existência da proposta de Lei do seu Partido!? E que era apenas uma questão de tempo ate que se procedesse à concertação que estava pendente entre as duas forças políticas para a viabilização de um Diploma consensual!? Então, se sabiam, como é óbvio, qual a razão que os levaram a aliar-se com a situação, naquilo que à partida seria considerado, por uma grande parcela do eleitorado, como um golpe contra-natura?

Por: António Neves

Caso de deputados do PAICV que abandonaram a sessão da AN e votaram contra o seu partido: Golpe traiçoeiro

GOLPE TRAIÇOEIRO

Como o prometido é devido, aqui estão as minhas considerações sobre a situação urdida e desembocada na votação da proposta de Lei sobre a Regionalização, aprovada com uma certa fraudulência, apesar de certos adeptos externos do golpe pretenderem demonstrar o contrário, com ajuda falaciosa de que os Deputados do PAICV agiram de acordo com as normas e de forma democrática, quando sabem que nesse imbróglio não é apenas isso que está em causa.

Porque o que aconteceu, que já é do conhecimento geral, pode ser tudo o que se quiser menos democracia, que, como é óbvio, não se compadece com esquemas de Deputados “passarem pau ou perna” ao seu próprio Partido e Grupo Parlamentar. E se dúvidas houvesse sobre a premeditação do golpe, que foi cozinhado em panela de alta pressão, basta lembrar que aquando das jornadas parlamentares do MpD, em S.Vicente, Deputados desse Movimento exteriorizaram a opinião de que a proposta de Regionalização ia ter uma aprovação histórica.

O golpe traiçoeiro (é disso que se trata!) aplicado no seio do PAICV por certos Deputados devidamente identificados tem suscitado muita hipocrisia, essencialmente vinda da parte de militantes do Movimento no poder, bem como de gente afeta a esse Movimento. Há quem vá ao ponto de considerar, descontextualizada e apressadamente, a insólita atitude como um problema de liderança existente no seio do PAICV, cujo pontapé de saída foi da autoria de alguns ainda na liderança anterior, mais precisamente na altura das eleições do atual Chefe do Estado.

Por isso é bom que se lembrem que a atual liderança do PAICV é jovem, sólida, capaz e competente, está de boa saúde, e que a Dra. Janira Hopffer Almada disputara as eleições, uma e outra vez – com alguns dos que não se cansam de tentar, por todos os meios, pôr em causa a sua liderança – venceu-as, desafogadamente, e tem vindo a ocupar o cargo de Presidente do PAICV por direito próprio e com muita dignidade. E enquanto os militantes assim o desejar ela estará na linha frente do PAICV lutando a bem do povo e de Cabo Verde.

Creio que aqueles que aparecem a meter o bedelho de modo atabalhoado, desviando essas peripécias para questões de legalidade, liderança e democracia – que são parte da questão mas não são o seu essencial – deveriam, já agora, estar também lembrados (as vezes é triste ver pessoas espertas, por natureza, dar mostras de memória curta quando isso convém aos seus objetivos escusos!!) que, altura em que certos membros do governo e altos dirigentes do MpD puseram em causa, publicamente, a liderança de Carlos Veiga no seu primeiro governo da década de 90, os resultados foram catastróficos: ministros foram escorraçados dos seus postos, altos dirigentes punidos severamente, etc., o que levou à uma profunda “purga” no seio do MpD na sua primeira Legislatura pós abertura política, que ficara desmantelado e dividida em três bocados sem conserto, dando origem a mais dois partidos que acabaram por resultar em nados-mortos.

Os militantes que elegeram Janira Hopffer Almada ao cargo de Presidente do PAICV não têm dúvidas de que ato semelhante não acontecerá com esta liderança. Porque aqueles dirigentes que procuram pôr a atual liderança do seu partido em causa, fazem-no apenas por despeito e por desejo de alcançar o poder a qualquer meio, mesmo destruindo o PAICV caso seja necessário. Mas estou mais do que nunca certo de que os Militantes do PAICV não irão permitir tal maledicência.

Por outro lado, soa a ingenuidade pensar que a população caboverdiana, bem como o povo do PAICV, não saibam que os adversários políticos do partido da Estrela-Negra, ao pretenderem transformar a questão de liderança em slogan, fazem-no porque têm a plena consciência de que, enquanto a Dra. Janira Hopffer Almada se mantiver à frente dos destinos do PAICV com o aval dos seus membros, o MpD, a governar como está, numa espécie de navegação à vista, não irá longe: porque é voz corrente que os dias dos ventoinhas, como partido da situação, poderá estar já em contagem decrescente.

Indo ao ponto fulcral do problema, a meu ver quando alguns adversários acenam aos militantes do PAICV com clichés de desonestidade intelectual, por estarem a condenar a atitude que levou ao golpe sorrateiramente perpetrado pelos seus próprios camaradas, estão agindo de forma superficial. É que não existe nenhuma réstia de intelectualidade nos pressupostos que levaram os Deputados da bancada do PAICV a votarem, premeditadamente, com a bancada do MpD. Segundo a célebre frase do falecido escritor e cientista João Vário, por sinal, meu irmão, e que é muito citado pelos seus pares: “NÃO SE PODE SER MANHENTO E INTELECTUAL AO MESMO TEMPO”.

Eu não creio que os Deputados que abandonaram a sessão com o fim de diminuir o número de Deputados do seu Grupo Parlamentar, bem como aqueles dois que ficaram, deliberadamente, na sala para votar com o MpD (é bom que os militantes, amigos e simpatizantes do PAICV saibam que sem esses dois votos, a proposta do MpD seria chumbado!), o terão feito por manhenteza ou porque esperam quaisquer benefícios vindos do Governo de Ulisses Correia e Silva, ou ainda por simples desejo de meter na boca lobo, precisamente quando ele está esfomeado!?
A seguinte pergunta tem estado a martelar-me o pensamento: Os Deputados tambarinas (em número de 7!) cuja manobra traiçoeira viabilizou a aprovação da proposta do MpD, tinham ou não conhecimento da existência da proposta de Lei do seu Partido!? E que era apenas uma questão de tempo ate que se procedesse à concertação que estava pendente entre as duas forças políticas para a viabilização de um Diploma consensual!? Então, se sabiam, como é óbvio, qual a razão que os levaram a aliar-se com a situação, naquilo que à partida seria considerado, por uma grande parcela do eleitorado, como um golpe contra-natura?

Porque ao fim e ao cabo a assunção da Regionalização entre as três forças políticas com assento parlamentar já era um dado adquirido, pelo que, quem diz que já tinha esperado muito poderia esperar mais um pouco. Que foi feito do bom senso (que é suposto ser um ponto de honra dos altos dignitários da Soberania do seu País) desses Deputados da bancada do maior partido da Oposição? Ou será que a criação de uma Comissão Paritária para a viabilização das duas ou três propostas existentes numa só, era também parte da diabólica manobra?

E depois os adeptos do golpe vêm à praça congratular-se, publicamente, com posições e os votos assumidos sem um pingo de escrúpulo, atribuindo o facto à uma vitória da democracia. Então é esse o sentido que determinadas personalidades têm da Democracia? Qual teria sido a reação desses adeptos se o golpe tivesse acontecido no seio do MpD? Haveria mais outra série de “purgas”, expulsões e despedimentos. Convenhamos que a Política caboverdiana sofreu um forte revés!!!

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade



Mediateca
Cap-vert

blogs

Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project