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Caso de deputados do PAICV que abandonaram sessão da AN e votaram contra seu partido: Dirigente Carlos “Calicas” Tavares escreve sobre este facto, militância, partido, quintal e parlamento 31 Outubro 2018

O presidente da Comissão Politica Regional de Santiago Sul acaba de colocar na rede social um post, criticando a postura dos deputados que abandonam a sala e votaram contra a proposta do PAICV aquando da aprovação da lei que cria as Regiões Administrativas. «Na minha humilde opinião o que se passou no parlamento, aquando da votação da proposta de lei sobre a regionalização, foi grave e que merece, balizado regulamentar e estatutariamente, total condenação. Alguns deputados do PAICV, no parlamento tiveram um triste e condenável comportamento, fizeram a pequena politica e não estiveram à altura do prestigio, do nome, dignidade e respeito que um parlamento e património histórico e político como o PAICV merecem. Em vez de marcar o golo na baliza adversária, marcaram um autogolo na baliza do PAICV, pior, apoiando um legado desastroso para Cabo Verde». Carlos «Calicas» Tavares defendeu ainda que, ao arrepio do regimento da assembleia e do estatuto dos deputados e da ética partidária e do senso de responsabilidade politica, estes deputados do PAICV ajudaram o MPD a fazer passar uma proposta desinteressante, ligeira e avulsa, sem qualquer laivo de credibilidade. «Uma proposta que junta apenas ao que já existe, uma outra estrutura, para se criar novas bases e vícios de poder, aumentando as despesas dos cofres do Estado e satisfazer interesses dos boys», diz o dirigente tambarina no seu post, também colocado no site Paralamento-online. Confira o artigo, a seguir, que está a provocar muito debate dentro e fora do país.

Caso de deputados do PAICV que abandonaram sessão da AN e votaram contra seu partido: Dirigente Carlos “Calicas” Tavares escreve sobre este  facto, militância, partido, quintal e parlamento

MILITÂNCIA, PARTIDO, QUINTAL E PARLAMENTO

Partido é uma organização politica onde as pessoas se agregam e decidem tomar parte de um dado caminho, empunhando bandeiras, valores e ideais comuns.
Um partido não pode ser um teatro. Ao aceitar fazer parte de um partido, o militante fica vinculado ao respeito dos seus princípios, estatutos e regulamentos e à disciplina partidária. Só quem entende isso deve estar num partido. Se cada um quiser fazer o que bem entender, o mais certo é largar o partido e faze-lo no seu “quintal”. Quem ainda não entendeu ou não quer entender isso, está a enganar-se a si mesmo e a enganar os outros.

De acordo com o artigo 6º dos estatutos do PAICV, os militantes gozam de plena liberdade de crítica e de opinião, devendo, no entanto, respeitar sempre as decisões da maioria tomada democraticamente nos termos estatutários e regulamentares. Também, o artigo 7º diz que o PAICV reconhece aos seus militantes o direito de tendência/sensibilidade internas compatíveis com os seus objetivos e o direito de se exprimirem publicamente nos termos da disciplina partidária, sendo proibida a organização autônoma de tendências ou facções. A mesma coisa no sentido de se respeitar o sentido de voto tomada por maioria em reuniões do Grupo parlamentar. E tudo isto é para se garantir a unidade e a coesão do Partido.

A condição do militante numa organização politica implica ceder parte da sua liberdade em troca de contrapartidas que a pertença ao partido proporciona, entre os quais lutar em grupo pelos ideais, aceder ao poder, ser eleito, incluindo ser eleito deputado.

No actual sistema de organização e funcionamento politico -partidário, os deputados entram no parlamento pela via dos partidos. E o mínimo que se espera de um deputado eleito na lista de um partido é lealdade legitimada nos próprios estatutos do grupo parlamentar e do partido.

É que, quem se apresenta às eleições são os Partidos Políticos. As plataformas eleitorais são apresentadas pelos Partidos aos eleitores e quem vai prestar contas nas eleições subsequentes são os Partidos. E partidos políticos fazem parte de Cabo Verde.

Tudo o resto são distrações e conversas para boi dormir e para legitimar atos inconsequentes e irresponsáveis e caprichos de quem se espera exemplaridade comportamental e politica.

Como se constatou, esse comportamento foi amplamente reprovado pelos militantes, felizmente cada vez mais esclarecidos, capazes de diferenciar o correto do incorreto, quem está na linha do partido e quem está fora dessa linha, com excepção de raras figuras que se dizem próximas do PAICV, os pseudo-intelectuais, dos que sempre ficam em cima do murro e que em vez de defenderem o partido, preferem comer consultorias do mesmo, fazer joguinho com indignação selectivas e dar machadadas à sua liderança.

Na minha humilde opinião o que se passou no parlamento, aquando da votação da proposta de lei sobre a regionalização, foi grave e que merece, balizado regulamentar e estatutariamente, total condenação. Alguns deputados do PAICV, no parlamento tiveram um triste e condenável comportamento, fizeram a pequena politica e não estiveram à altura do prestigio, do nome, dignidade e respeito que um parlamento e património histórico e político como o PAICV merecem. Em vez de marcar o golo na baliza adversária, marcaram um autogolo na baliza do PAICV, pior, apoiando um legado desastroso para Cabo Verde.

Ao arrepio do regimento da assembleia e do estatuto dos deputados e da ética partidária e do senso de responsabilidade politica, ajudaram o MPD a fazer passar uma proposta desinteressante, ligeira e avulsa, sem qualquer laivo de credibilidade. Uma proposta que junta apenas ao que já existe, uma outra estrutura, para se criar novas bases e vícios de poder, aumentando as despesas dos cofres do Estado e satisfazer interesses dos boys.

Apesar dos obstáculos, o PAICV não vai claudicar. Sabe-se o porquê dessas atitudes extremadas. Mas o PAICV não é flanu x, y ou h. O PAICV é grande, maior do que a soma de interesses de todos os seus militantes. E o tempo colocará tudo nos eixos.

Já passou a hora de certos camaradas entenderem o obvio, que o nosso adversário é o MPD. Se as pessoas são “livres” para fazerem o que bem entenderem, estas são presas das consequências das suas ações e atitudes. E "não devemos permitir que a esperteza de poucos crie uma cultura perversa que ultrapasse as fronteiras da civilidade. E se transfira perigosamente como princípios formadores das posturas e atitudes futuras das atuais gerações”.

Amanhã ninguém poderá dizer que não sabia, que a verdade não o tocou!

Carlos “Calicas” Tavares

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