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Caso de prisão receptores em S.Vicente: Familiares preocupados com saúde dos entes pedem justiça 13 Julho 2019

Os familiares do grupo de pessoas, presas na última segunda-feira por recepção de objectos roubados, dizem-se “preocupados” com a saúde destes. Por isso realizaram uma manifestação, esta sexta-feira, às portas do Tribunal do Comarca de S.Vicente para pedir justiça.

Caso de prisão receptores em S.Vicente: Familiares preocupados com saúde dos entes pedem justiça

Edilene Duarte disse à Inforpress temer pelo estado de saúde da tia de 60 anos, diabética e hipertensa, que recebeu a sentença de dois anos de prisão por comprar umas “simples” cortinas e desde então nem a têm conseguido ver, por causa das “muitas exigências” para se ter um cartão-de-visita na Cadeia de Ribeirinha, em São Vicente.

“Temos que ficar aqui à espera por muito tempo, imagine se ela sentir algum ataque, ela simplesmente comprou uma cortina para ajudar um pai de filho”, lançou.

Segundo a mesma fonte, Maria dos Santos Esteves também está na mesma situação pela irmã, condenada não por comprar, mas por ter aceitado que alguém deixasse uma tostadeira “no prego” por um dia em troca de 150 escudos para comprar um prato de comida.

“A minha irmã nem comprou e agora ela tem que passar dois anos na cadeia, foi para o tribunal e depois levada para a cadeia como se tivesse roubado um saco de cocaína”, contestou, acrescentando que a irmã sofre de alergia e até já foi levada às urgências por causa de comida ingerida na prisão.

Jacqueline Maocha e Irineu Maocha igualmente disseram em entrevista à esta agência de notícias estar o irmão “inocente” por “comprar ingenuamente” um par de coluna de som e quando se mostrou depois“ totalmente disposto” a colaborar com as autoridades e a pagar a multa, acabou por ir parar na prisão.

“Isto está a doer-me, não consigo dormir e nem comer por saber que o meu irmão está naquele lugar, no meio de psicopatas. O juiz está a cometer uma injustiça: ele não é nenhum criminoso, não matou ninguém e nem roubou”, declarou Irineu Maocha entre lágrimas.

“Ninguém está escrito na cara se é ou se não é ladrão, qualquer um de nós poderia ter feito a mesma coisa”, reforçou, pedindo justiça, a mesma que também clamavam na manhã de hoje (13/07) às portas do Tribunal de São Vicente, com muito barulho e cartazes.

No entanto, como expressaram na entrevista, apesar de manifestação ser espontânea foram barrados pela Polícia Nacional, que se apresentou em grande número às portas do tribunal e os “ameaçou”, asseguram, que se não parassem “seriam presos, tal como os familiares”.

Manifestação espontânea e barreira da Polícia

Reagindo-se à sentença do Tribunal, os manifestantes decidiram então percorrer algumas artérias da cidade do Mindelo para mostrarem o seu descontentamento, neste grupo, que esteve também Virgílio Morais, pai de um dos indivíduos envolvido no roubo e que alega ser o seu filho um réu primário, tal como os próprios recpetores, e agora foi condenado a quatro anos de prisão.

“O meu filho envolveu-se com os rapazes por desespero, por influência, mas antes nunca tinha estado na porta do tribunal”, assegurou, referindo que o filho sofre de epilepsia e é pai de um menor.

Conforme ainda a Inforpress, na última segunda-feira, o juiz Antero Tavares decidiu colocar em prisão preventiva um grupo de pessoas entre as quais uma mulher de 60 anos, acusadas de receptação de produtos roubados em residências no Norte de Baía.

Agora os familiares mostram-se revoltados por considerarem a pena de dois anos de prisão “excessiva”, tendo em conta que os “réus são primários e os valores envolvidos são irrisórios”.

Por isso, asseguram, vão continuar a lutar, porque mesmo com advogado e com recurso já em andamento por temerem, uma vez que os tribunais vão entrar em férias brevemente.

O juiz também condenou os oito indivíduos que estiveram envolvidos nos roubos a penas que vão dos dois aos 11 anos. Estes terão cometido os crimes entre os meses de Agosto e Novembro de 2018, em residências no Norte da Baía das Gatas, alguns dos quais pertencentes a emigrantes, refere a Inforpress.

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