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Caso do assassinato do agente Hamilton Morais: António Alte Pinho escreve sobre «trapalhadas» e construção de narrativa falsa pela PN 30 Novembro 2019

O jornalista António Alte Pinho resolveu escrever, na sua página de facebook, a propósito do polémico caso do assassinato, no dia 29 de Setembro na Praia, do agente da PN Hamilton Morais. Com experiência na área por ter exercido jornalismo judiciário durante vários anos, Pinho qualificou de «trabalhadas» a narrativa falsa que se pretendeu criar para ocultar o crime e o fato do Diretor Nacional da Polícia Nacional ter admitido publicamente que a morte do agente foi um acidente. «Num primeiro momento, após o homicídio, foi construída, por agentes policiais, uma narrativa falaciosa para ocultar (proteger, mesmo) o autor do homicídio, permitindo-se, até, lançar suspeitas sobre um cidadão que sabiam estar inocente e obstruindo a acção da Justiça, o que é de uma tal gravidade que, só por si, deveria levar os agentes à expulsão da corporação. No entanto, a direcção da PN fechou-se em copas, tornando-se cúmplice da prática de vários crimes», alertou. Confira detalhes do referido post, que publicamos a seguir.

Caso do assassinato do agente Hamilton Morais: António Alte Pinho escreve sobre «trapalhadas» e construção de narrativa falsa pela PN

TRAPALHADAS...

Com tantos "especialistas" nestas coisas a verberar palpites no Facebook, hesitei tomar posição sobre o assunto. De todo o modo, penso que vários anos de jornalismo judiciário me dão alguma legitimidade para dizer algumas palavras.

Este caso está marcado por várias sequências de trapalhadas. Primeiro, anunciaram o nome de um desgraçado qualquer imputando-lhe a suspeita de ser o homicida, publicaram até à exaustão a cara do cidadão, tramaram-lhe a vida e, por fim, percebeu-se que o homem não tinha nada a ver com o assunto.

Depois, ergueram um muro de silêncio, alimentando toda uma série de boatos, e, por fim, vieram dizer aquilo que qualquer jornalista bem informado já sabia: o tiro partiu da arma de fogo de um agente policial. Escarrapacharam o nome do homem em tudo o que era sítio e, agora, este senhor vem dizer que o tiro foi acidental...

Num primeiro momento, após o homicídio, foi construída, por agentes policiais, uma narrativa falaciosa para ocultar (proteger, mesmo) o autor do homicídio, permitindo-se, até, lançar suspeitas sobre um cidadão que sabiam estar inocente e obstruindo a acção da Justiça, o que é de uma tal gravidade que, só por si, deveria levar os agentes à expulsão da corporação. No entanto, a direcção da PN fechou-se em copas, tornando-se cúmplice da prática de vários crimes.

Agora, vem este senhor dizer que o tiro foi um acidente, o que, só por si, nos suscita várias interrogações:
1. Se o tiro foi acidental, por qual razão não esclareceram logo no início?
2. Se o tiro foi acidental, por qual razão o seu autor andava, aparentemente, a monte?
3. Se o tiro foi acidental, por qual razão foi aplicada a mais grave medida de coacção, a prisão preventiva?

Como se percebe, são as próprias autoridades (incluindo detentores dos mais elevados cargos) a construir narrativas de mentira, a propagar boatos e a alimentar a intranquilidade que parece ter tomado a sociedade a propósito da actuação, das vivências e das práticas ilegítimas e criminosas de parte dos agentes da Polícia Nacional, com a cumplicidade dos seus mais altos responsáveis.

É caso para dizer: "acudam, mas (por favor) não chamem a polícia!"

(António Alte Pinho, post publicado na sua página de facebook)

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