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Celebração do 05 de Julho: Várias manifestações de protestos contra Governo com epicentros na Praia e no Mindelo 04 Julho 2018

O 43º aniversário da independência da Cabo Verde vai ser assinalado, esta quinta-feira, com fortes protestos contra o actual Governo de Ulisses Correia e Silva, suportado pelo MpD. Mas os epicentros das manifestações estão localizados sobretudo na Praia com o Movimento Kordá (acorda) Cabo Verde - cujo cortejo vai passar frente à Assembleia Nacional em Achada de Santo António e ao Palácio do Governo na Várzea- e no Mindelo através do Sokols 2017, que tinha realizado duas grandes marchas de protestos em 05 Julho do ano passado e 13 de Janeiro deste ano. Residentes da Boa Vista, de S.Nicolau e do Fogo vão também sair pelas ruas na mesma data e com o mesmo fim – contestar o Acordo SOFA com os EUA, a insegurança, o desaparecimento de crianças, a morte da jovem grávida por falta de condições para evacuações de doentes, a descentralização com a Regionalização, entre outros aspectos.

Celebração do 05 de Julho: Várias manifestações de protestos contra Governo com epicentros na Praia e no Mindelo

Segundo o porta-voz de Kordá Cabo Verde (MKCV), na Praia tudo está a postos para a manifestação desta quinta-feira, em que apela aos praienses a participarem massivamente nesta jornada de cidadania. Pede a todos que compareçam trajados de preto, uma cor que, segundo a organização, simboliza a África e a solidariedade para com a pessoas desparecidas ou que foram assassinadas.

Yannick Nazoliny anuncia que a concentração far-se-á, às 9 horas, frente à Igreja Nova Apostólica na Fazenda, que fica depois da Escola Capelinha. O cortejo, munido de dístico e cartazes com várias palavras de ordem, segue pela Avenida Cidade Lisboa/subida Terra Branca e Achada Santo António, com uma paragem frente à Assembleia Nacional, que estará por essa ocasião reunida numa sessão solene especial evocativa do 05 de Julho. Depois os protestantes prosseguem em direcção ao Palácio do Governo, na Várzea, onde os líderes do movimento Kordá Cabo Verde farão, durante uma concentração dos populares, uma comunicação de protesto às políticas públicas do actual executivo de Ulisses Correia e Silva.

O porta-voz do movimento cívico (MKCV) destaca que, conforme o objectivo da manifestação, vai se despertar o país para as fatalidades que que vêm acontecendo, com foco no desaparecimento de crianças, na insegurança generalizada com mortes de pessoas, desproteção com a discriminação nas zonas periféricas da Praia, falta de informações sobre dossiers importantes para o desenvolvimento do país, com destaque para o recente acordo de defesa e segurança SOFA assinado como os EUA, que está a ser alvo de fortes contestações por alegadamente dispor de cláusulas inconstitucionais – Cabo Verde não pode prender nenhum soldado americano mesmo que tenha cometido crimes graves ou atentados aos titulares de órgão da soberania.

Desmontando suspeitas de que um dos partidos poderá estar atrás da marcha convocada, Yannick Nazoliny faz questão de realçar que Kordá Cabo Verde é um grupo cívico sem ligação a qualquer partido, mesmo que alguns tentam tirar o proveito político da manifestação desta quinta-feira. Informa que o MKCV vai ser legalizado e é constituído por jovens que não se identificam com as políticas públicas que vêm sendo executadas pelo actual governo.

Mindelo e marcha da fome

Entretanto, outras três ilhas vão sair à ruas nesta quinata-feira,05 de Julho, Dia da Independência Nacional.

Segundo a Lusa, o movimento Sokols, que promoveu, em São Vicente, duas das maiores manifestações cívicas realizadas em Cabo Verde – a 05 julho de 2017 e a 13 janeiro 2018 – promete reeditar, na quinta-feira, a Marcha da Fome do Capitão Ambrósio, percorrendo as ruas do Mindelo, “empunhando a negra bandeira da fome de tudo”, segundo os organizadores do protesto.

Trata-se da recriação da revolta do povo do Mindelo, em 07 de junho de 1934, para exigir respostas da então metrópole para o desemprego, a miséria e a fome porque passavam as populações na sequência da crise mundial.

A revolta foi liderada por Nhó Ambroze, um carpinteiro de Ribeira Bote, que se tornou num símbolo da resistência e foi elevado à categoria de mito no poema de Gabriel Mariano, datado de 1956, “Capitão Ambrósio”.

Na mobilização, feita através das redes sociais, o convite é para que os cidadãos se juntem à marcha “vestidos de negro e com cartazes alusivos às fomes dos dias de hoje: pão, saúde, educação, emprego, justiça, transporte, saneamento, meritocracia, autonomia, descentralização, transparência governativa, cidadania ativa e ambiente saudável”.

Segundo a organização, a marcha será pacífica e não será aceite nenhum “tipo de simbologia partidária ou a bandeira de Cabo Verde antes da democracia, pelas suas óbvias conotações partidárias”.

SOS Boa Vista, S.Nicolau e Fogo

O Movimento Kordá Cabo Verde convocou, além da Praia, manifestação para a cidade de São Filipe, na ilha do Fogo.

Em comunicado, a organização do movimento explica que a manifestação visa “apelar e sensibilizar o Governo e as autoridades competentes no sentido de agirem para que não haja mais negligência e mortes por falta de socorro em Cabo Verde”, numa alusão aos problemas com o transporte de doentes entre ilhas.

Conforme ainda a Lusa, o Movimento por São Nicolau está também a convocar a população para manifestações “por um Cabo Verde melhor”.

Já na Boa Vista, o movimento “SOS Bubista” vai sair de novo à rua, depois da manifestação de maio, que juntou centenas de pessoas, em protesto contra a falta de serviços de saúde e o abandono a que se dizem votados pelo poder central.
Naquela que é a segunda ilha mais turística do país, a manifestação de quinta-feira tem como lemas “SOS às evacuações desumanas e exigência de médicos especialistas”, “SOS às crianças desaparecidas”, “SOS ao sistema de saúde e previdência social”.

Para a mesma fonte, o descontentamento na ilha subiu de tom depois de uma mulher grávida, a quem alegadamente foi recusado transporte aéreo, ter sido levada de barco para a ilha do Sal, onde acabaria por morrer no hospital.

O problema no transporte de doentes entre ilhas vêm-se repetindo e os responsáveis do movimento apelam à população para que faça ouvir a sua voz, exigindo respostas do Governo.

“Será um dia de reflexão sobre a situação que o país atravessa neste momento. Não podemos ficar calados, não podemos ficar em casa. Temos de mostrar que basta dessa situação em que famílias perdem os entes queridos por causa de um sistema de saúde que não funciona”, adianta o movimento citado pela Lusa.

Acto solene e outras actividades nas ilhas

Entretanto, o 43.º aniversário da Independência de Cabo Verde será assinalado com a habitual sessão solene na Assembleia Nacional, na cidade de Praia, bem como com diversas iniciativas do Governo, partidos e instituições da sociedade civil um pouco por todo o país. O destaque vai para o PAICV que, além de uma conferência nacional sobre o pensamento de Amílcar Cabral e o futuro de Cabo Verde realizada esta quarta-feira na Praia, promove várias actividades em S.Vicente, Fogo, Santo Antão e Santiago Norte.

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