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Cenários apontam para 10 milhões a 35 milhões de pessoas com fome na CPLP 04 Maio 2020

Entre 10 milhões e 35 milhões de cidadãos da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) deverão ser afetados pela fome extrema devido à covid-19, mas estes países ainda dispõem de alguns instrumentos para minimizar os impactos da pandemia, segundo o último chefe da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em Lisboa.

Cenários apontam para 10 milhões a 35 milhões de pessoas com fome na CPLP

Em entrevista à Agência Lusa, Francisco Sarmento, que até Dezembro chefiou o escritório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em Portugal, referiu alguns dos cenários possíveis para o impacto da pandemia na alimentação na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), excepto Portugal.

“A concretização destes cenários dependerá da duração e intensidade da pandemia, bem como das respostas que os Estados derem para minimizar o impacto, mas deverão começar a sentir-se dentro de poucos meses”, afirmou, sublinhando que quem já estava vulnerável, vai ficar mais vulnerável e os fortalecidos vão ficar mais fortalecidos.

Citado pela Lusa, Angola registou o progresso mais expressivo, reduzindo de 55% para 23% a abrangência do impacto da fome na sua população. Em Moçambique essa diminuição foi de 37% para 30% da população, com reduções importantes também nos outros países da CPLP. "Isto significa que em Angola o número de pessoas com fome extrema passou de 18 milhões para oito milhões e, em Moçambique, esse número baixou de 8,9 milhões para 4,5 milhões. O Brasil saiu do mapa da fome em 2014, tendo livrado deste flagelo 30 milhões de pessoas", referiu Francisco Sarmento.

Impactos da Covid-19 nos países da CPLP

Perante a atual pandemia de Covid-19, estes países apresentam-se sem ferramentas nem soberania para tratar da questão dos alimentos, uma vez que são grandes importadores e dependem do abastecimento de países que, por seu lado, já se encontram a reduzir as exportações para garantirem o abastecimento interno. "Vamos ter países altamente dependentes de produtos importados, a preços muito mais elevados, porque existem em menor quantidade", disse a mesma fonte, acrescentando que com a Covid-19 e respetivas restrições os Estados desses países deixaram de ter mecanismos financeiros para fazerem face à situação, como a diminuição do valor do petróleo de Angola ou do gás de Moçambique, ou ainda do turismo em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

A juntar a estas dificuldades, a economia informal, que é muito frequente nestes países, está a revelar a fragilidade dos apoios sociais, deixando sem receitas muitos milhões de pessoas a quem resta engrossar as fileiras da pobreza e da fome, considerou o especialista. Perante estas circunstâncias, Francisco Sarmento apresenta três cenários para eventuais impactos da pandemia nos países da CPLP, apontando o "mais otimista" para 10 milhões de pessoas que vão ficar numa situação de fome extrema, "tantos quantos os residentes em Portugal".

Um cenário "do meio", e que o especialista em alimentação considera como mais provável, resulta em 25 milhões de pessoas com fome devido à Covid-19.
"Se a intensidade e a duração da crise forem muito maiores do que o desejável, poderemos estar a falar de 35 milhões de pessoas que vão ficar a sofrer com a fome, disse à Lusa.

Para este especialista, os impactos desta crise nos países vão ser desproporcionais, que deverão começar a sentir-se dentro de três meses e que poderão ser minimizados se os países apostarem numa aprendizagem coletiva de respostas que uns e outros têm aplicado. "Até 2014, o Brasil livrou da fome 30 milhões de pessoas através de medidas como a compra de alimentos nacionais, as hortas nas escolas e a dinamização do comércio local. Angola tem escolas de campo para a agricultura, Moçambique conta com programas de produção de alimentos locais e saudáveis e São Tomé e Príncipe é o país onde a agricultura menos depende de agroquímicos importados", enumerou.

De referir que, nas últimas horas, o número de mortes provocadas pela Covid-19 em África subiu para 1.589, com quase 37 mil casos da doença registados em 52 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

Entre os países africanos, que têm o português como língua oficial, Guiné Equatorial lidera em número de infeções (315) e uma morte, seguido da Guiné-Bissau (197 e uma morte), Cabo Verde (113 e uma morte), Moçambique (76), Angola (27 infetados e dois mortos) e São Tomé e Príncipe tem 14 casos confirmados, conforme escreve a Lusa

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