INTERNACIONAL

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Centro Norbert Zongo apela a CEDEAO e autoridades dos Estados-Membros a comprometerem-se com a segurança dos jornalistas 04 Maio 2019

A Célula Norbert Zongo para o Jornalismo Investigativo na África Ocidental (CENOZO) instou esta sexta-feira, 3 de Maio, durante as comemorações do Dia Mundial de Imprensa em Adis Abeba (Etiópia), a CEDEAO e autoridades dos Estados-Membros a comprometerem-se com a segurança dos jornalistas na região. Apesar de melhorias e do reconhecimento universal das liberdades de imprensa, os responsáveis por este centro de referência em matéria de investigação jornalística na África Ocidental mostraram-se preocupados com jornalistas de investigação em vários Estados membros da CEDEAO e na Mauritânia que continuam a viver com medo de represálias e intimidações. Pior ainda, enfrentam graves problemas de segurança e protecção, prisão e detenção arbitrárias, tortura, agressão e até mesmo a morte.

Centro Norbert Zongo apela a CEDEAO e autoridades dos Estados-Membros a comprometerem-se com a segurança dos jornalistas

Considerando que o trabalho dos membros do CENOZO contribui para melhorar a transparência, a boa governação e a denúncia das violações dos direitos humanos nos Estados membros da CEDEAO e o facto de o trabalho dos meios de comunicação social ser reconhecido nos instrumentos de direitos humanos da região a nível internacional e nacional, a CENOZO solicitou à Comissão da CEDEAO que inste os seus Estados membros a agirem de forma mais eficiente na protecção desses profissionais.

“Assegurar que as leis, políticas e práticas sejam compatíveis com as obrigações e compromissos internacionais existentes em matéria de segurança dos jornalistas. Revogar as penas privativas de liberdade por crimes de imprensa, tal como previsto nos quadros regionais, continentais e internacionais. Investigar crimes, incluindo assassinatos, prisões e detenções arbitrárias, tortura e outras violações dos direitos humanos contra jornalistas. Apoiar o projecto de resolução sobre a segurança dos jornalistas proposto para adoção pela Assembleia Geral das Nações Unidas no final de 2019”, defendeu os membros de CENOZO que se juntaram à comunidade dos média, à UNESCO e ao resto do mundo para comemorar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa em Adis Abeba.

Solidariedade a jornalista ameaçados e homenagem aos mortos

Os responsáveis deste Centro de Investigação Jornalística solidarizaram-se com todos os jornalistas da África Ocidental que, no decurso do seu trabalho, enfrentam ameaças de morte, processos judiciais e outras violações dos seus direitos. Citaram alguns: “Hoje, pensamos particularmente em Ahmed Hussein Suale, da Tiger Eye Media de Gana, que foi morto a tiro por pistoleiros desconhecidos em 16 de janeiro de 2019. Até à data, os autores deste acto não foram levados à justiça. Instamos o Governo do Gana a tomar todas as medidas necessárias para garantir que o assassínio de Suale não seja incluído na lista de jornalistas assassinados impunemente na África Ocidental. Estamos solidários com o nosso membro do Benin, Ignace Sassou, que atualmente enfrenta obstáculos legais, por causa de um artigo publicado pelo CENOZO sobre o projeto West Africa Leaks em 21 de maio de 2018”.

Não ficou de fora o falecido jornalista Burkinabé, Norbert Zongo a que deve o nome desse Centro de Investigação, sedeado em Burkina Faso. “Manifestamos também a nossa solidariedade para com as famílias do falecido Norbert Zongo (Burkina Faso) assassinado a 13 de Dezembro de 1998, de Deyda Hydra (Gâmbia) morta a tiro em Dezembro de 2004, de Dele Giwa (Nigéria) morta por uma bomba em Outubro de 1986. Ainda não foi feita justiça nestes casos”, lamentou CENOZO que, apesar desses casos que aguardam uma resposta urgente das autoridades dos Estados Membros, evidenciou um forte crescimento no número de jornalistas de investigação como membros na organização CENOZO.

O Conselho de Administração do CENOZO reiterou entretanto o seu compromisso para com os seus membros de continuar a defender um melhor ambiente de trabalho e mecanismos de segurança para os jornalistas de investigação na região.

Entretanto, Cabo Verde subiu quatro posições, passando para o 25º lugar, no ranking da Liberdade de Imprensa 2019, divulgado no último mês pela organização RSF, revelando que o arquipélago se distingue pela ausência de ataques contra jornalistas e «uma grande liberdade de imprensa», garantida pela Constituição. Mas há registo de censura nos órgãos públicos e retrocessos com o polémico Código de Ética da RTC imposto pelo Conselho da Administração da mesma empresa.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





Mediateca
Cap-vert

Uhau

Uhau

blogs

publicidade

Newsletter

Abonnement

Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project