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Céticos sobre eficácia da nova lei de impostos do G7 — Amazon "não pagará" 09 Junho 2021

A ’Amazon’ vai continuar a não pagar, avisam peritos após o "acordo histórico" para a taxação universal — um IRC mínimo de 15% sobre os lucros das grandes multinacionais, como Apple, Microsoft, Google e Facebook — que decidiram os ministros do G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) na reunião de sábado em Londres.

Céticos sobre eficácia da nova lei de impostos do G7 — Amazon

Esta segunda-feira, os mercados asiáticos começaram a reagir aos comentários da ministra das Finanças estado-unidense, Janet Yellen, que no regresso da reunião de sábado deu uma entrevista no domingo à Bloomberg em que defende quer o aumento dos juros quer o aumento dos impostos às multinacionais que pagam muito pouco".

"Há uma década que estamos a combater a inflação que está muito baixa e os juros que também estão muito baixos. Temos de voltar aos níveis de antes", defende Yellen que voltou de Londres com uma vitória: conseguiu convencer os seus pares do G7 a aderir ao plano dos Estados Unidos, sob Biden, de pôr as multinacionais a pagar mais. Segue-se a reunião do G20, que compreende os países da OCDE que há anos arrastam o debate.

A semana arranca, esta segunda-feira, com sólidos ganhos em Wall Street: os três índices bolsistas de Nova Iorque estão em alta. Mas do lado asiático, é o oposto.

A bolsa de Hong Kong caiu 0,80 por cento, Shanghai 0,2% igual a Sydney.

Também o "japonês Nikkei foi o maior perdedor da semana passada, mas acreditamos que a liderança sólida dos Estados Unidos vai permitir ao Japão melhorar os seus índices nesta semana", prevê Rodrigo Catril, do National Australia Bank.


Amazon pagou zero na Europa em 2020

Economistas e fiscalistas tinham começado a reagir horas depois de o ministro britânico das Finanças, Rishi Sunak, anunciar no sábado via Twitter o resultado de uma discussão que leva anos: "Estou encantado por anunciar que os ministros das Finanças do G7 alcançaram hoje, após anos de discussão, um acordo histórico sobre o sistema global de impostos", tuìtou o ministro anfitrião.

Como avisam peritos, as empresas pagarão uma percentagem dos seus lucros nos mercados onde têm maior volume de vendas, mas o comunicado do G7 esclarece que essa medida só se aplicará às empresas "cuja margem de lucro exceda os 10%", o que exclui a Amazon, a empresa de Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo segundo a Forbes.

Com um valor de mercado de $1.6tn — equivalente a 145 biliões CVE, 145 mil milhões de contos —, a Amazon pagou uma taxa zero na Europa em 2020 pelo volume de negócios de $386bn com lucros de c.$50bn (4,8 mil milhões de contos) em 2020.

Perante esta situação — em que a Amazon se destaca pela sua engenharia financeira caraterizada pelo reinvestimento intensivo e expansão no mercado de distribuição com margens de 6,3% —, os peritos dizem esperar que as negociações a ter lugar no grupo do G20 no próximo mês inclua a "segmentação", uma abordagem fiscalista pela qual as partes envolvidas na produção de lucros pagam impostos "como é de direito".

Richard Murphy, professor visitante na britânica Sheffield University Management School, entende em entrevista ao online Guardian que os 10% são um limite "inadequado" devido aos diferentes modelos de negócios que as empresas têm. Segundo o académico, as atuais metodologias para apresentação de lucros em cada país tornam possível que cada empresa "facilmente drible o jogo".

Para que o acordo histórico não se torne "uma falsa esperança", é preciso "chegar ao limite certo", rematou Murphy no domingo.

Fontes: WSJ/Bloomberg. Foto (AFP): Janet Yellen, a titular das Finanças dos Estados Unidos.

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