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Chefes de Estado africanos defendem necessidade de maiores investimentos nas políticas industriais 02 Dezembro 2022

Vinte chefes de Estado da União Africana defenderam esta quinta-feira, no fecho da Cimeira Extraordinária da União Africana sobre Industrialização, Diversificação Económica e a AfCFTA, em Niamey, que são necessários maiores investimentos nas respetivas políticas industriais.

Chefes de Estado africanos defendem necessidade de maiores investimentos nas políticas industriais

Em cima da mesa esteve a revisão do progresso de industrialização no continente, num contexto de choques globais, vulnerabilidade das dívidas, alterações climáticas e de preocupações de segurança, e os desafios que se colocam à implementação da Área de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA, na sigla em inglês), que entrou em vigor em janeiro de 2021.

"Não há muito tempo, a justaposição das palavras industrialização e África poderia ter parecido incongruente. Hoje, a questão que levanta é principalmente sobre as formas e meios", sublinhou o Presidente do Níger, Mohamed Bazoum, anfitrião da cimeira, citado num comunicado da União Africana (UA).

"A industrialização inclusiva, coerente e sequenciada que desejamos não pode ser imposta e só pode ser alcançada através da criação de sinergias entre os setores privado e público para capacitar as pequenas e médias empresas e criar empregos de qualidade”, acrescentou o chefe de Estado nigerino, que apelou aos países africanos para aplicarem permanentemente o Estado de direito e simplificarem o ambiente empresarial.

Bazoum referiu-se ainda à juventude e crescimento da população africana, considerando-as “um desafio”, mas também “um trunfo, desde que a transição demográfica seja bem gerida".

O Presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, considerou o fator demográfico em África uma “benção” que “pode fazer face à escassez de mão-de-obra”, sublinhando a necessidade da juventude africana receber “uma educação de qualidade que seja relevante” aos objetivos do continente e que “satisfaça as exigências do [seu] mercado de trabalho".

Já o chefe de Estado do Ruanda, Paul Kagame, sublinhou que o caminho da industrialização implica investimento em energia e infraestrutura, considerando o seu ritmo de crescimento “ainda demasiado lento para atingir os objetivos de desenvolvimento de África ao abrigo da Agenda 2063" da UA.

"Precisamos de investir uma parte maior dos nossos orçamentos nacionais na política industrial, e aumentar significativamente a energia e a capacidade das infraestrutura", argumentou.

Também o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) sublinhou a necessidade do continente se libertar da dependência das exportações de matérias-primas e de evoluir para o comércio de produtos acabados de valor acrescentado, acentuando que, se as zonas de comércio livre trouxeram prosperidade a nível mundial, não foi através do comércio de produtos de baixo valor.

"Em toda a África, precisamos de transformar os grãos de cacau em chocolate, o algodão em têxteis e vestuário, os grãos de café em café confecionado", afirmou o presidente do BAD, Akinwumi Adesina, num discurso lido na conferência pela sua vice, Marie-Laure Akin-Olugbade.

O BAD recordou ainda que está a investir 25 mil milhões de dólares para transformar o setor agrícola e agroindustrial do continente, que deverá atingir o valor de 1 bilião de dólares até 2030.

"África tem uma abundância de recursos naturais, petróleo, gás, minerais e metais, bem como uma vasta economia azul que precisa de ser rapidamente industrializada", afirmou Adesina.

"O futuro dos automóveis elétricos no mundo depende de África, dados os seus vastos depósitos de recursos minerais raros, incluindo lítio e ião, cobalto, níquel e cobre", acrescentou.

A dimensão do mercado de veículos elétricos foi estimada em 7 biliões de dólares até 2030 e 46 biliões de dólares até 2050. “A construção de instalações precursoras de baterias de lítio e ião em África custará três vezes menos do que noutras partes do mundo", argumentou ainda Adesina.

Durante a cimeira, o BAD, a UA, e a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial lançaram o primeiro Índice Industrial Africano, que destapa os progressos feitos em processos de industrialização em 37 dos 52 países africanos nos últimos 11 anos.

O índice classifica o nível de industrialização dos países africanos em dimensões como capital, dotações de mão-de-obra, instituições, infraestrutura e estabilidade macroeconómica, entre outras e revela que a África do Sul tem mantido uma classificação muito elevada ao longo do período entre 2010 e 2021, seguida de perto por Marrocos, que aparece em segundo lugar em 2022.

A Semana com Lusa

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