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China: Presidente Xi completa 21 meses sem sair — Ausente de COP26 "por razão mais forte que Covid" 03 Novembro 2021

A pandemia pode estar a contribuir para esta reclusão mantida com videoconferências com os homólogos, mas haverá razões estratégicas para o presidente da República Popular da China "ficar em casa". Estará a ser protegido o líder para a renovação do mandato — por mais cinco anos ou mesmo prolongá-lo para lá de 2030 —, além de se desenhar uma estratégia pervasiva contra comprometimentos inevitáveis entre lideranças nos encontros "olho no olho".

China: Presidente Xi completa 21 meses sem sair — Ausente de COP26

A presença do presidente do país mais poluente era tida como "crucial para ajudar a combater as consequências terríveis das emissões de carbono" para a Terra. Mas Xi não esteve nem em Roma nem em Glasgow, no que está a ser considerado um golpe infligido às expectativas de Biden presente em ambas as cimeiras.

Além do fator Covid a exigir a necessária proteção do líder máximo, cada vez mais forte e que deve sair ainda mais reforçado do congresso do PCC, de 08 a 11 próximo, existe uma estratégia por trás dessa restrição nas viagens internacionais. Isto depois de Xi ter batido o recorde de presidentes com mais milhas percorridas —34 viagens/ano contra 25 de Obama e 23 de Trump.

Existe uma estratégia da não-cooperação — primeiro e acima de tudo, com os Estados Unidos e aliados — alicerçada numa tendência para o reforço do nacionalismo chinês perante as ameaças vindas de outros blocos em formação pelo mundo, dizem analistas dos think-tanks e universidades de Paris, Boston, Berlim, Cambridge.
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"Está claro que a China está a viver segundo uma mentalidade de bunker (trincheira)", por parte da sua elite do PCC por trás da força de Xi Jinping, afirma Noah Barkin, perito em assuntos da China para a empresa Rhodium Group.

Há vinte e um meses que o presidente Xi mantém só encontros virtuais com os seus homólogos. Sem encontros presenciais, "elimina-se ou pelo menos reduz-se a oportunidade de estabelecer compromissos ao mais alto nível", afirma Helena Legarda, do Instituto Mercator de Estudos Chineses em Berlim.

Prossegue a especialista em estratégia: "Do ponto de vista diplomático, os encontros são ocasião para tentar resolver pontos divergentes, superar obstáculos e reduzir tensões", afirma Legarda.

À distância, Xi teve um papel de líder no processo negocial do regresso dos talibãs ao poder no Afeganistão — que envolveu também a Rússia, além dos Estados Unidos e aliados.

Entre as conferências de líderes, contam-se as que Xi manteve com Angela Merkel (foto, em meados de outubro), Emmanuel Macron, Boris Johnson na semana passada. Todas virtualmente. Tal como a reunião sem data que terá com o presidente Biden.

"Há custos que decorrem desta falta de encontros presenciais", sublinha o sinólogo Ryan Hass, do think-tank Brookings Institution e que foi conselheiro de Obama.

Ausente de Roma, Xi teve na cimeira do G20 o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi.

Em Glasgow , a agenda inclui um "discurso importante do presidente XI" transmitido por videoconferência, segundo informou a porta-voz do MNE Hua Chunying sem especificar a data.

Fontes: Global Times/SCMP/BBC/DW/Washington Post. Fotos: O presidente da China e a chanceler alemã cessante, em videoconferência em outubro.

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