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Cientista da Universidade de Coimbra participa no Relatório sobre o estado das plantas e fungos no mundo publicado pelo Jardim Botânico Real de Kew 02 Outubro 2020

O Relatório “Kew’s State of the World’s Plants and Fungi 2020”, do Jardim Botânico Real de Kew (RBG, Kew), no Reino Unido, foi publicado, nesta quarta-feira, 30, e teve a participação da investigadora Susana C. Gonçalves, do Centro de Ecologia Funcional (Centre for Functional Ecology - Science for People & the Planet), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Cientista da Universidade de Coimbra participa no Relatório sobre o estado das plantas e fungos no mundo publicado pelo Jardim Botânico Real de Kew

Em nota enviada ao Asemanaonline, aa organização garante que este relatório, de referência internacional, que já vai na sua quarta edição, é um mergulho profundo no estado atual do reino das plantas e do reino dos fungos à escala global. “Os novos dados, resultado de uma vasta e inédita colaboração internacional entre 210 cientistas de 42 países, mostram como nós atualmente utilizamos plantas e fungos, quais as propriedades úteis que nos faltam explorar, e o que corremos o risco de perder”, diz a investigadora Susana Gonçalves.

Segundo o documento, plantas e fungos são os blocos de construção da vida no planeta Terra; têm o potencial de resolver problemas urgentes que ameaçam a vida humana, mas esses recursos vitais estão a ser comprometidos pela perda de biodiversidade. O relatório alerta ainda, para a necessidade “premente” de explorar as soluções que as plantas e fungos podem fornecer para lidar com algumas das pressões que as pessoas e o planeta enfrentam.

Este estudo apresenta, pela primeira vez, uma síntese de novas espécies para a ciência, compilada tanto para plantas como para fungos. Os autores descobriram que 1.942 plantas e 1.886 fungos foram nomeados como novos para a ciência em 2019. Entre essas, estão espécies que podem ser valiosas como alimentos, bebidas, medicamentos ou fibras.

A cientista Susana C. Gonçalves participa em dois capítulos do relatório: um dedicado à importância das colaborações para assegurar um futuro sustentável para todos e outro que avalia o risco de extinção de plantas e fungos.

No capítulo que realça a importância das colaborações para assegurar um futuro sustentável para todos, a investigadora partilha o trabalho de conservação que está a ser desenvolvido em São Tomé e Príncipe no âmbito do projeto “Tesouros d’Obô”. A par da inventariação da diversidade de cogumelos, o projeto trabalha com as comunidades locais para valorizar e gerir de forma sustentável estes recursos, melhorando simultaneamente a sua qualidade de vida. “Esta abordagem, centrada nas comunidades, só possível com as parcerias existentes, está a abrir caminho para uma solução duradoura na conservação da floresta e dos fungos em São Tomé e Príncipe, conta Susana C. Gonçalves.

No que respeita à avaliação do risco de extinção de plantas e fungos, que enfatiza as lacunas e enviesamentos no conhecimento atual e que comprometem medidas de conservação eficazes, a investigadora da UC, que também é avaliadora do risco de extinção de fungos para a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), indica que há muito trabalho ainda por fazer. “Apenas 285 das 148.000 espécies conhecidas de fungos foram avaliadas para a Lista Vermelha da IUCN, correspondendo somente a 0,2 %”. Por isso, salienta que a Ciência Cidadã e ferramentas como a modelação e a inteligência artificial podem contribuir de forma determinante para acelerar este processo.

Questionada sobre as ações que podem ser dinamizadas pelos cidadãos individualmente, para proteger a biodiversidade fúngica do planeta, Susana Gonçalves argumenta que, “se quisermos trazer a conservação dos fungos para o primeiro plano, temos de desmistificar conceitos errados que persistem em toda a sociedade, por exemplo, os fungos ainda são muitas vezes confundidos com plantas ou retratados erroneamente como inimigos, e precisamos de desafiar a indiferença em relação aos fungos. Em última análise, só nos preocupamos em proteger o que amamos”, conclui em comunicado.

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