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Cientista do Ébola relata as suas 7 semanas de doente de Covid-19 22 Maio 2021

O professor Peter Piot da ’London School of Hygiene and Tropical Medicine’ — foi um dos coautores da descoberta do Ébola e combateu a SIDA — relatou esta sexta-feira ao semanário ’Science Magazine’ o que foi a sua recente experiência de doente de Covid-19.

Cientista do Ébola relata as suas 7 semanas de doente de Covid-19

O virologista belga de 71 anos contou à Science Magazine que ficou doente há dois meses, em março. Esteve hospitalizado por uma semana e depois continuou mais algum tempo em casa a recuperar-se.

Atual conselheiro da presidente Ursula von der Leyen, além de ex-diretor do Programa da ONU de Combate à Sida entre 1995 e 2008, Piot afirma que esta experiência mais atual, em que teve de lutar contra a doença do coronavírus, lhe mudou a vida inesperadamente.

Tudo começou "no dia 19 de março com a temperatura a subir muito" e "uma dor de cabeça insuportável, que sentia no crânio e no cabelo, o que é estranho".

"Não tive qualquer tosse e continuei a trabalhar".

O teste confirmou que estava infetado e por isso em casa passou a isolar-se do resto da família. Mas a febre não passava.

"Sempre fui saudável, nunca tive uma doença grave e nos últimos dez anos nunca faltei um único dia por motivo de saúde. Também faço caminhadas e sigo um estilo de vida saudável".

A única questão é a idade, admite. Por isso sentindo que a febre e o cansaço continuavam, seguiu o conselho dum colega e fez análises no dia 1 de abril.

"Os níveis de oxigénio estavam baixos", embora não tivesse qualquer sintoma disso, como a dificuldade respiratória. Também a chapa mostrou que tinha uma "pneumonia aguda" e ainda uma "inflamação bacteriana".

Vida nas mãos do destino e do pessoal hospitalar

Internado na UCI, para cuidados intensivos, o epidemiologista viveu a angústia da próxima injeção: "Parece que só vivemos para ser picados". A experiência do ventilador também foi aterradora porque só pensava "Quem é colocado no ventilador é porque está para morrer".

Isolado na UCI, viu depois chegar mais dois pacientes em situação grave. "Um deles, um limpa-vidros colombiano, vivia na rua. Outro, era do Bangladesh. Os dois sofriam de diabete, por acaso… Eu sentia-me sozinho de dia e de noite. Nenhum de nós conseguia conversar propriamente".

Teve alta ao fim duma "longuíssima semana". No "transporte público" de volta a casa, o virologista viu as ruas desertas e os estabelecimentos fechados. Estava contente por poder respirar ar puro, mas não podia andar normalmente porque os músculos estavam fracos por terem estado tanto tempo inativos.

Uma semana depois, Piot voltou a ter falta de ar. De volta ao hospital descobriu-se que estava com uma pneumonia do tipo "tempestade de citoquina" — que acontece quando o sistema imunitário está hiperativo. A situação, explica, em geral não é fatal.

Seguiu-se o tratamento com altas doses de esteróides para desacelerar o sistema imunitário. Desde então o virologista continua com os esteróides.

Início da recuperação após sete semanas

O médico especialista destaca que a doença do coronavírus expõe o sistema nervosos, os rins e o coração a muita pressão que pode permanecer por algum tempo e requer a devida atenção.

O artigo termina com a informação de que o início da recuperação deu-se sete semanas depois de adoecer. A radiografia aos pulmões mostrou isso mesmo na quarta-feira, 19, revela o médico no seu testemunho à publicação científica bicentenária dos Estados Unidos e Reino Unido.

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