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Cimeira do clima alerta: 2018 bate recordes nas emissões de carbono 06 Dezembro 2018

O mundo está longe de atingir os objetivos do COP21 para reduzir as emissões de CO2 das energias fósseis, apontadas como primeira causa das alterações climáticas. Este ano, o aumento das emissões de carbono, que atingem níveis recorde, é uma realidade alarmante que, espera-se, será central nas decisões dos Estados reunidos na cidade de Katowice, Polónia.

Cimeira do clima alerta: 2018 bate recordes nas emissões de carbono

O relatório anual, publicado esta quarta-feira, 5, à margem da vigésima-quarta conferência do clima da ONU, dá conta que as emissões de carbono provenientes da indústria e combustão de carvão , petróleo e gás devem vir a crescer 2,7% em relação a 2017, após uma alta de 1,6% no ano passado.

Estes resultados, que pioraram nos últimos três anos, só têm paralelo com os de 2011, à saída da crise financeira de 2008 , segundo o climatólogo Glen Peters, em declarações à AFP-agência noticiosa francesa.

“Os políticos estão mais preocupados com o crescimento da economia e energia”. Daí que “estamos longe da trajetória que nos permitia manter os objetivos do acordo de Paris de 1,5°C, máximo 2°C" de aquecimento.

China, primeiro emissor de CO2 mundial

A China é o país com mais emissões poluentes, com um quarto do total mundial, e atingiu em 2018 uma alta de 4,7%.

Os dados vêm no estudo ‘Global Carbon Project’, o projeto de carbono global, que envolve 80 cientistas. Os incentivos governamentais à indústria estão a ser apontados como um fator deste alarmante crescimento.

O segundo país emissor, os Estados Unidos, emitiu este ano 2,5%. Segundo o referido relatório, as políticas anti-clima do atual presidente podem não ter nada a ver com isso. É que as condições climáticas deste ano, um inverno muito rigoroso e um verão quente em excesso, com alto consumo de arcondicionado e aquecedores, serão o fator principal para este aumento.

Pegada de carbono aumenta porque há mais carros, mais aviões...

As emissões europeias de carbono conheceram um recuo de 0,7 por cento, em média. Mas estes números escondem um aumento de consumo do gás e de petróleo resultante do aumento do número de veículos em circulação.

"Mesmo se há progressos notáveis em matéria de energias limpas e carros elétricos, eles são ainda fracos para impedir o avanço das energias fósseis”, comenta Glen Peters.

O total das emissões de carbono devem vir a atingir um recorde de 37,1 Gt em 2018. A estes juntam-se 5 Gt provenientes da desflorestação, em contramão com os compromissos para os objetivos traçados até 2030.

Compromissos fracos. Onde pára a promessa de plantar um milhão de árvores em Cabo Verde?

A necessidade de travar a desflorestação — já apontada em 2015 como um fator não negligenciável no aumento da pegada de carbono — levou os países reunidos em Paris a assumir compromissos. Três anos depois, o resultado é decepcionante. Só um exemplo próximo: Onde pára a promessa de plantar um milhão de árvores em Cabo Verde?

Os compromissos assumidos para reduzir o aquecimento global a 1,5°C não estão a ser cumpridos. Se o mundo quiser de facto atingir esse valor antes de 2030, não pode perder mais três anos.

“Temos de abrir os olhos”, porque “debaixo da ilusão coletiva, dos balanços parciais e das mentiras, há as emissões que continuam a crescer”, sublinha o climatólogo Kevin Anderson, da Universidade de Manchester.

Os Estados reunidos para a 24ª Conferência do Clima, de 4 a 14 de dezembro em Katowice, discutem medidas para alterar o estado alarmante das emissões de carbono.

Mas o apelo dos países mais vulneráveis pode vir a cair em saco-roto, dados os interesses conflituantes dos participantes, entre eles os gigantes da produção industrial mundial que são a China, a Índia e os Estados Unidos.

Fontes: Agências. Foto: Chaminés de fábricas na cidade industrial chinesa de Hancheng

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