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Cirurgião especializado em maxilo-facial clama às autoridades de Saúde para o seu “devido enquadramento” profissional 12 Outubro 2022

O cirurgião Laurindo Andrade, director dos serviços maxilo-facial do Hospital Dr Agostinho, clama às autoridades de Saúde para o seu enquadramento como especialista, uma vez que continua encaixado como dentista, apesar de ser o único no país especializado no ramo.

Cirurgião especializado em maxilo-facial clama às autoridades de Saúde para o seu “devido enquadramento” profissional

Especializado há sete anos em maxilo-facial, e com formação de base em medicina dentária, Laurindo Andrade actualmente é o único profissional cabo-verdiano que responde a nível nacional por tratamentos em traumas faciais, patologia maxilo-facial, “tanto congénitos, como os adquiridos na vida”.

Com a reforma do seu antecessor, doutor Manuel Gomes, o fundador destes serviços em Cabo Verde, Laurindo Andrade passou a ser o único quadro nacional capacitado para dar cobertura e uma resposta esperada a todos quantos procuram estes serviços que trata as alterações que ocorrem nas estruturas da face, da cavidade oral e da região cervical, “ainda que em troca não tenha recebido nada”.

Este serviço tem sempre como objectivo a reabilitação das funções e a preservação da harmonia estética, em conjunto com a reconstrução.

À Inforpress garantiu que o Hospital Universitário Dr Agostinho Neto é o único do país, onde funciona os serviços desta área maxilo-facial, já que ali o profissional tem condições mínimas para exercer este trabalho, razão pela qual pacientes de todas as ilhas de Cabo Verde são transferidos para este hospital central, para as devidas cirurgias no bloco operatório.

“Apesar de toda a minha autonomia, de trabalhar como cirurgião, continuo a ser enquadrado como dentista normal. Recebi uma guia de marcha para trabalhar no Hospital Agostinho Neto como especialista, mas na prática nada mudou. Encontro-me na mesma situação como antes de especializar-me”, lamentou, Andrade que continua a exercer a profissão com toda a vontade, por ser a área da sua paixão.

Reconhecido como o único profissional capacitado para dar respostas a estas patologias, porquanto neste momento não existe atração dos jovens para este quadro no serviço público de saúde, Laurindo Andrade lamentou que este ramo tem sido prejudicial para os especialistas, por falta de uma carreira, uma vez que pertencem ao quadro comum da função pública.

“Estamos enquadrados como clínicos especialistas. Entramos no bloco operatório com a autonomia de especialistas. Temos um colega ao nosso lado com um salário e nós temos outro”, desabafou, acrescentando que após quatro anos a trabalhar sozinho nesta área, de há três meses a esta parte um colega cubano veio reforçar estes serviços, com a mesma formação, mas que veio logo enquadrado como especialista.

Lamentou ainda “uma outra situação caricata, em que o Ministério da Saúde publicou uma portaria 23/2029, na qual exije que apenas os inscritos na Ordem dos Médicos estão autorizados para “dar incapacidade temporária de trabalho”, quando, realçou, “nós que fazemos uma cirurgia de grande porte, salvamos vidas humanas, mas o INPS não reconhece os nossos avais para justificação de faltas”.

Enquanto isso, reclama que colegas do mesmo quadro, que praticam maxilo-facial via medicina geral, com a mesma competência e que praticam o mesmo trabalho, por serem do mesmo colégio de especialidade, são reconhecidos, razão pela qual alerta ao Ministério da saúde no sentido de passar a ter uma outra visão para com a classe a que pertence.

Revelou que existe colegas formados nesta área que decidiram ficar no estrangeiro por falta de motivação e de um outro que preferiu trabalhar no privado por falta de atração, pois, ainda que faz jus ao lema de que ninguém é insubstituível, o país fica sem qualquer quadro nacional nestes serviços caso, porventura, decida sair do sistema a nível da cirurgia maxilo-fabial. A Semana com Inforpress

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