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Polémica/Comandantes das Forças Armadas contra alegada afirmação «ligeira» e «leviana» da ministra da Defesa: Questionam como depositar confiança em Janine Lélis para liderar o sensível Ministério da Defesa 25 Janeiro 2022

A afirmação em São Vicente da ministra da Defesa, Janine Lélis, de que as Foras Armadas completaram 30 anos no dia 15 de janeiro deste ano, continua a provocar as mais diversas reações. Depois do protesto do combatente da Liberdade da Pátria Júlio de Carvalho, agora surgem onze antigos comandantes das FA, entre os quais o ex-Comandante da Brigada e Presidente da República Pedro Pires, a se insurgirem contra tal afirmação, que consideram ser «ligeira», «leviana» e uma ofensa grave à instituição castrense e aos seus principais fundadores. Por isso, questionam como depositar a confiança numa pessoa (ministra Janine Lélis) «tão ligeira e caprichosa para liderar um órgão tão sensível como o Ministério da Defesa».

Polémica/Comandantes das Forças Armadas contra alegada afirmação «ligeira» e «leviana» da ministra da Defesa: Questionam como depositar confiança em Janine Lélis para liderar o sensível Ministério da Defesa

Os antigos comandantes das FA fizeram ouvir a sua inquietação face ao discurso proferido pela da ministra da Defesa durante a celebração do Dia da instituição no Mindelo, através de uma conferência de imprensa proferida, nesta segunda-feira, por Álvaro Dantas Tavares, na Praia. O grupo dos 11 integra Pedro Pires, Comandante da Brigada, e quatro 1ºs Comandantes: Silvino da Luz, Olívio Pires, Osvaldo Lopes da Silva e Ângelo Dantas Pereira. Isto sem contar como os Comandantes João Pereira Silva, Carlos Reis, Álvaro Dantas Tavares e Herculano Vieira.

«Surpreendeu-nos e preocupa-nos particularmente a maneira ligeira, arbitrária e pouco profissional como a titular da pasta da Defesa Nacional trata questões tão sensíveis e complexas como são as matérias militares e profissionais referentes à Defesa e Segurança Nacional. Porém, o mais graves é que Sra. ministra, num discurso político arrogante e revisionista, de quem tudo pode, extinguiu as ‘velhas’ Forças Armadas e fundou as ‘suas novas’ Forças Armadas, enquanto estas são uma instituição da República com assento na Constituição, regida por normas e leis específicas, que não podem ser alteradas por mero capricho de alguém. Caso se queira rever o Estatuto das FA, está-se obrigado a seguir os trâmites legais», questiona o porta-voz dos Comandantes das FA.

Diante de tudo isto, Álvaro Dantas pergunta como depositar a confiança na atual ministra da Defesa Nacional. « Fica então uma pergunta de resposta complica: como depositar a confiança numa pessoa tão (Janine Lélis) ligeira e caprichosa para liderar um órgão sensível como Ministério da Defesa? Por tudo isso, apelamos ao Governo de Cabo Verde para que trate o assunto em causa com o devido cuidado e os feitos e fatos sejam repostos no merecido ludar», exige.

O conferencista salienta que os comandantes referidos entendem que não é razoável nem ponderado que a ministra da Defesa tenha aproveitado a cerimónia de comemoração do Dias das Foras Armadas, realizada na I Região Militar de São Vicente, «para contrariar as próprias leis do governo e tentar, de forma ligeira e imprudente, violar inclusive os termos do juramento da Bandeira» pelo militar que entra para as fileiras das FA, fazendo o uso impróprio da sua posição oficial para «reescrever a História das Forças Armadas», chegando ao absurdo de excluir delas os seus próprios fundadores.

Face à gravidade das declarações da ministra Janine Lélis, os antigos Comandantes das FA repudiam ser tratados como filhos de fora. «Por uma questão de ética, coerência e dignidade, repudiamos veementemente sermos tratados como ‘filhos de fora’ e chamados, direta ou indiretamente, servidores de interesses escusos que não tenham sido os interesses nacionais e patrióticos, pelo cumprimento dos quais temos pautado a nossa conduta profissional e cívica. Manifestamos ainda o nosso repúdio por esta ofensa», alerta Álvaro Dantas.

Respeito e resguardo da História

Referindo-se à fundação das FA, Álvaro Datas Tavares lembra que, em 1988 o governo de Cabo Verde decidiu, através do Decreto nº5/88 de 30 de janeiro, aprovar o dia 15 de janeiro como sendo a data que simboliza o surgimento das Farças Armadas de Cabo Verde. Fundamentou que foi a 15 de janeiro de 1967 que, em Cuba, um grupo de jovens patriotas cabo-verdianos, em preparação militar, prestaram, perante Amílcar Cabral, o pai da nacionalidade cabo-verdiana, o juramento solene de fidelidade à luta pela independência de Cabo Verde, afirmando-se dispostos a lutar como o sacrifício das suas próprias vidas, se necessário for, para a conquista da liberdade para o povo dessas ilhas. «Essa efeméride tem constituído motivo de orgulho para aqueles que respeitam o passado secular de resistência do povo de Cabo Verde, bem como os esforços e sacrifícios consentidos para que hoje pudéssemos ser o país somos, livre, independente e soberano. Particularmente, para os membros das Foras Armadas e para nós, igualmente, é uma data que simboliza a vontade nacional de lutar pela defesa da soberania e integridade territorial do nosso país, pela construção da paz, do desenvolvimento, da democracia, do bem-estar social e da justiça social».

O conferencista sintetiza que a História é a narrativa de momentos marcantes na vida dos povos, que contribuem para determinar, de forma decisiva, os seus destinos. «Por isso, deve-se ter respeito e resguardo da história», aconselha o comandante Álvaro Dantas Tavares. A declração dos Comandantes referidos foi já remetida ao Primeiro-ministro e Presidente da República, na qual pediram a reposiçáo «dos feitos e fatos» relativos à história das Forças Armadas cabo-verdianas.

Entretanto, a ministra Janine Lélis reagiu, hoje, em conferência de imprensa, afirmando não compreender os questionamentos dos Combatentes da Liberdade da Pátria (ver a peça nesta edição do jornal).

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