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Reportagem: Comerciantes apontam pandemia e guerra como causas de «fracas” vendas às vésperas do natal 23 Dezembro 2022

Com a chegada do Natal é habitual haver uma grande movimentação das pessoas nas ruas e lojas do país, à procura de presentes e artigos de decoração para a quadra festiva. Mas este ano tem se notado uma diminuição em relação ao ano anterior, devido à crise em que o mundo tem atravessado, provocada em grande parte pela guerra entre Rússia e Ucrânia e pela pandemia da Covid-19 que ainda se faz presente.

Reportagem: Comerciantes apontam pandemia e guerra como causas de «fracas” vendas às vésperas do natal

Conforme apurou a reportagem deste jornal, o poder de compra da população foi afetado devido à subida de preços doso produtos, causada sobretudo pelos efeitos da inflação de importados, sendo os produtos alimentares a classe de bens com mais intensidade no agravamento dos custos em 2022. Os dados da INE (Instituto Nacional de Estatística), indicam um aumento de preços referente ao mês de novembro de 0,7%, acelerando face a outubro, acumulando uma subida de 8,0% num ano.

Para saber mais sobre a corrida às lojas nesta época festiva, a nossa equipa de reportagem ouviu as declarações dos comerciantes e compradores das cidades da Praia e das ilhas Sal e São Vicente.
Baixas de vendas na Capital

A vendedeira da Sucupira Jacira Barbosa aponta que até agora o movimento está fraco, mas espera que até os últimos momentos as vendas venham a aumentar.
Já para Danielson Mendes, que vende no mesmo local, considera que o negócio vai “mais ou menos” este ano, mas disse que quer descobrir o que e terá estado na origem de tudo isso.

O que posso pensar é que há, por exemplo, muita oferta no mercado, ou seja, muitas pessoas a venderem vestuários. Outra razão são os preços elevados de produtos e serviços essenciais, que levam as pessoas a optarem por dar prioridade aos bens de primeira necessidade - os alimentos”, explica o vendedor.

Passando por Plateau encontramos Ermelinda Alvarenga, dona de uma boutique, que almeja boas vendas para os próximos dias, visto que até o momento elas estão baixas. A mesma pensa que a pouca afluência de clientes no seu estabelecimento deriva muito do alto nível de desemprego.

Numa loja Chinesa em Palmarejo, a funcionária Elsa Mendes diz que as vendas deste ano ainda não atingiram o nível do que foi no ano passado. Mas avança que ultimamente tem havido um número considerável de clientes à procura de enfeites de natal para a decoração da casa.

Nessa mesma loja, a nossa redação falou com o comprador António Carlos Varela, que no momento estava à procura de uma peça de roupa para passar as festividades. Revela que o momento não é para gastos supérfluos, mas sim pensando em primeiro lugar nos bens de primeira necessidade.

Ainda no Palmarejo, desta vez numa boutique localizada na Praça Center, cujo nome é Leila Shope, a funcionária Cláudia Tavares sublinha que o que tem vendido mais são os vestidos para o fim de ano, mas mesmo assim as vendas continuam fracas.Acredita no entanto que possam melhorar a venda até a véspera de natal, momento em que muitas pessoas deixam para fazer suas últimas compras.

Fraco movimento no Sal e em São Vicente

A primeira é a principal ilha turística de Cabo Verde e a outra é o importante centro cultural do país. Ambas ilhas têm uma afluência enorme da população e de turistas que visitam o nosso arquipélago nesta época do ano.

Em São Vicente a nossa equipa conversou por telefone com Vitor Matias Consultor de Moda da “Vitor Mem”, loja de artigos masculinos, em Mindelo. Este diz ter registado no seu estabelecimento pouca fluência de pessoas, realçando que nessa épocas a venda era maior em anos anteriores.

O comerciante salientou à nossa redação que tudo isto é decorrente das crises provocadas pela pandemia, tendo também em conta que esta época as pessoas têm muitas despesas a realizar. Mas Vitor demostrou-se estar esperançoso que a partir dos dias que se seguem as coisas possam melhorar.

Saltando para ilha da ilha do Sal, em Santa Maria, conversamos com um vendedor da Lucas Shops, lojas de Presentes, que não se identificou. Na mesma linha do nosso entrevistado da ilha do Monte Cara, o “Lucas Shops” nos referiu que as vendas têm estado “mais ou menos”. Destacou que o produto com mais saída tem sido a camisa da seleção cabo-verdiana de futebol.

E assim como todos, o nosso entrevistado reclama que a pandemia complicou muito as vendas, em relação aos outros anos em que conseguiam vender mais.
O ASemanaonline tentou ouvir outros estabelecimentos comerciais, mas tal não foi possível.

Movimento de dinheiro

De relembrar que no ano passado noticiamos que no período de 15 a 25 de dezembro os cabo-verdianos movimentaram cerca de 4,5 mil milhões de escudos na rede vinti4, conforme os dados da Sociedade Interbancária e Sistemas de Pagamentos (SISP), citados pela Inforpress.

E neste mesmo ano a nossa reportagem também verificou que o movimento de compras era um pouco fraco, isto devido ao impacto negativo da crise provocada pela covid-19. O próprio movimento de pessoas e turistas nas ruas do Plateau e principalmente no Sal estava longe de ser como noutros tempos em que havia sempre um grande fluxo de pessoas por ocasião da festa do Natal na Capital cabo-verdiana, no Sal e em São Vicente.

Em jeito de conclusão, este jornal verificou que ninguém escapou da crise que se faz sentir, não só em Cabo Verde, mas também no mundo inteiro, causada pela problemática da Covid-19 e pela guerra da Rússia contra Ucrânia, que já se estende desde fevereiro de 2022. Essa disputa de territórios causou, além milhares de mortes, pausa a produção e exportação de produtos, impossibilitando o envio de mantimentos a outros países que dependem muito disso. Foi esta a principal causa da inflação/subida nos preços que prejudicou os consumidores, conforme constatamos.

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