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Comissão Anticorrupção timorense admite mais detenções em investigação em Díli 13 Outubro 2022

O responsável da Comissão Anticorrupção (CAC) timorense admitiu hoje que possa haver ainda mais detenções no âmbito de uma investigação relacionada com crimes económicos relativos à compra de descodificadores de televisão.

Comissão Anticorrupção timorense admite mais detenções em investigação em Díli

“Fizemos a detenção de duas pessoas para interrogatório, executando um mandado de busca e apreensão. Os detidos vão ser ouvidos e num prazo de 72 horas serão apresentados ao Tribunal Distrital de Díli para primeiro interrogatório”, disse Sérgio Hornai, em declarações à Lusa.

“Continuamos com as diligências de investigações e não excluímos que possa haver suspeitos adicionais envolvidos. Trata-se de alegados crimes de participação económica em negócio e abuso de poder”, referiu.

Hornai falava à Lusa depois de agentes da CAC terem detido hoje duas pessoas em rusgas no Palácio do Governo em Díli e numa empresa na capital timorense.

Equipas da CAC detiveram no Palácio do Governo um assessor do atual ministro de Assuntos Parlamentares e Comunicação Social, Francisco Martins Jerónimo, e uma empresária que foi secretária do governante no seu outro cargo, presidente da Federação de Futebol de Timor-Leste (FFTL).

As equipas, que tinham consigo mandados de busca e apreensão, recolheram documentação e outro material, com rusgas, tanto no Palácio do Governo, como na sede da empresa e ainda na sede da FFTL.

Os suspeitos foram transportados para a sede da CAC que está a investigar o caso, alegadamente responsável por prejuízos para o Estado de valor total ainda não determinado.

Para a detenção, os elementos da CAC executaram um mandado do juiz José Gonçalves, do Tribunal Distrital de Díli, assinado já em 26 de setembro, atuando, segundo Sergio Hornai, dentro do definido na lei 08/2009, que criou a CAC, e que lhe dá competências para "realizar interrogatórios no âmbito da investigação e demais atos instrutórios necessários para o desempenho das suas atribuições" e "realizar buscas e revistas".

Em causa está uma investigação que se arrasta desde 2021 e que se relaciona com suspeitas de abuso de poder e favorecimento relativamente a um contrato que o ministro assinou com a empresa Dili Eternal Innovation Information para a compra de descodificadores terrestre para acesso ao sinal do Rádio e Televisão de Timor-Leste (RTTL).

A investigação indicia que o ministro terá favorecido a sua então secretária na presidência da FFTL, atribuindo-lhe um contrato no valor de quase 900 mil dólares.

Em declarações à Lusa, Francisco Martins Jerónimo recusou-se a comentar as detenções de hoje, acusando os agentes da CAC de atuar “com falta de ética” e rejeitando qualquer acusação.

“São acusações falsas. Não houve qualquer favorecimento ou abuso de poder. As regras, leis e regulamentos de aprovisionamento foram seguidas com normalidade”, disse à Lusa.

“Não tenho comentários sobre as detenções de hoje. Estou a acompanhar o caso para perceber o que se passa. Se a CAC tem evidências, vamos então ver. Mas o que demonstraram hoje foi falta de ética”, disse.

A Semana com Lusa

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