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"Como Matar o seu Marido" é livro e autora ’realizou o crime’ 28 Maio 2022

Esta quinta-feira — 5º ano do heroismo de RJ Best em 26.5.2017 —, a autora norte-americana Nancy Crampton Brophy ouviu o veredicto de "culpada", pelo homicídio de Daniel Brophy com duas balas no coração, em junho de 2018. Um tribunal de júri, de sete mulheres e cinco homens, decidiu ao fim de dois dias de deliberação. A arguida diz-se inocente e contradiz a tese do motivo financeiro: "O meu marido valia mais para mim vivo que morto".

O julgamento de Nancy Crampton Brophy iniciado em 4 de abril — no tribunal de Multnomah County de Portland, capital do Oregon na costa do Pacífico — já tem veredicto de culpa e a sentença foi marcada para o próximo dia 13.

Acusada de matar o marido com duas balas no coração, em 2 de junho de 2018,
a autora famosa pelos seus romances sentimentais está detida desde setembro desse 2018. Quatro anos depois, o seu julgamento encheu a sala dum tribunal de Oregon.

A atração do caso deve-se tanto à fama de Nancy (iniciada com o How to Murder Your Husband) como à da sua alegada vítima, Daniel Brophy. O conhecido chef, de 63 anos, foi encontrado já sem vida pelos seus estudantes ao chegarem para a aula no Oregon Culinary Institute. Imagens de videovigilância mostraram a esposa, de 67 anos, ao volante da sua carrinha perto dessa escola de culinária de Portland.

A Associated Press destaca que "Nancy Crampton Brophy não mostrou nenhuma emoção durante as audiências na apinhada sala do tribunal" e "ouviu sem reação a decisão do júri".

Uma das suas advogadas, Lisa Maxfield, falou à imprensa para anunciar que "a defesa vai recorrer". Desde 7 de abril, a equipa de defesa destacou-se pela contra-argumentação de que os seguros de vida em nome do marido, a totalizar mais de um milhão de dólares, tinham a ver com o facto de que a Nancy era representante de várias seguradoras e dado que "ela era inelegível para esses seguros devido à idade comprara-os para o marido, alguns anos mais novo, para provar que confiava nessas apólices".

Motivo do crime

A instância de acusação manteve a tese de que o crime foi motivado pelos problemas financeiros que a ré enfrentava, e que "podiam ser resolvidos com o montante da apólice de seguro de vida do Sr. Brody".

A rebater a tese da acusação, a defesa expôs que "o casal perfeito" vivia com grande desafogo, tinha bens a valer mais de um milhão e meio de dólares. Nancy Crampton Brophy afirmou que em dado momento os problemas financeiros do casal tinham sido resolvidos com recurso a uma parcela do plano de reforma do marido. Ela rematou na quarta-feira: "O meu marido valia mais para mim vivo que morto".

Mas os magistrados apresentaram mais evidências. Uma, a arma do crime registada em nome da ré, um revólver Glock 9mm, fora manipulada com partes compradas no E-Bay que a polícia nunca pôde encontrar. Outra, as imagens CCTV que colocam a suspeita perto do cenário do crime.

Em sua defesa, a agora septuagenária Nancy depôs que saíra em busca de inspiração para escrever. Deu "voltas e mais voltas" e "por mera coincidência" acabou por estacionar perto do instituto onde o marido dava cursos de culinária.

Tratado de conjugicídio

O Ministério Público apoiou-se no How to Murder Your Husband, que considera ser um "Tratado de conjugicídio" para sustentar a acusação. O ensaio apresenta várias opções para cometer um assassínio sem deixar rasto. Um crime perfeito, em que o assassino não é apanhado.

O juiz-presidente Christopher Ramras excluiu a obra ensaística, com o (fraco) argumento de que fora escrita em 2011, deferindo assim o pedido da arguida que em sua defesa argumentou vigorosamente contra a "tentativa de usar o ensaio" para a incriminar.

A referência à obra acabou, pois, por ser retirada do julgamento. Mas um magistrado seguiu os temas do ensaio para argumentar a tese do conjugicídio. A estratégia foi bem sucedida, pois o tribunal de doze jurados alinhou com a tese do Ministério Público.
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Fontes: AP/The Oregonian/CNN.com. Fotos: A autora em tribunal. O marido. As capas dos seus livros (como este) foram esmiuçadas pelo Ministério Público, como prova de que a ré "sonhava com um estilo de vida diferente do que lhe dava o marido" menos ambicioso que ela. (Foto de rodapé:) Em contraponto, na mesma Portland, celebra-se hoje o 26 de maio de 2017, pelo heroismo de Ricky John Best e Taliesin Namkai-Meche, que morreram aos 53 e 23 anos, para salvar duas adolescentes "de cor", uma com o hijab, que estavam a ser ameaçadas por um jovem supremacista branco.

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