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Comunidade cabo-verdiana mostra lado "positivo" da imigração em França 14 Dezembro 2021

As associações da comunidade cabo-verdiana em França reuniram-se este fim de semana em Paris para falar sobre imigração, numa altura em que a situação política em terras gaulesas não é favorável ao acolhimento de quem procura uma vida melhor.

Comunidade cabo-verdiana mostra lado

"Amensagem que fica deste dia para os políticos franceses é para que a sociedade francesa aceite os migrantes, porque o facto de sermos migrantes é uma riqueza para o país e devemos mostrar as vantagens de acolher migrantes de forma a que as pessoas não tenham medo, nem uma falsa ideia do que é a imigração", disse Fernanda Semedo Cabral, presidente da Federação das associações cabo-verdianas em França, em declarações à Agência Lusa.

Esta federação reúne cerca de 30 associações cabo-verdianas no território francês com as mais diversas missões como desporto, cultura e solidariedade, com muitas delas a desempenharem uma dupla missão, ajudando a diáspora em França e também quem ficou em Cabo Verde.

Neste sábado, a federação associou-se ao Fórum de Organizações de Solidariedade Internacional da Imigração (FORIM) para debater a imigração em França e recolher os pontos de vista da comunidade cabo-verdiana que conta com cerca de 43 mil pessoas recenseadas no país.

"Foi um dia maravilhoso porque hoje muitos testemunhos de vida e de experiências de diferentes pessoas e convidados, havendo muitos intercâmbios entre as pessoas que testemunharam e a sala. O tema era migrantes e nós quisemos mostrar uma forma de imigração positiva e com sucesso", explicou Fernanda Semedo Cabral.

O evento reuniu cerca de 70 pessoas no salão de festas da Câmara Municipal do 11.º bairro de Paris, com a presença das associações CHEDA, Crianças de hoje e de amanhã, Les étoiles de Tarrafal, Cap vers les Étoiles, entre outras.

Uma das associações que veio partilhar a sua experiência foi Nostalgia di Cabo Verde, uma associação nascida em 2005 e que acompanha jovens de origem cabo-verdiana nos arredores de Paris. O seu presidente, Wilson da Graça partilhou a sua experiência pessoal como jovem da periferia sem muitas perspetivas que graças à ajuda da comunidade acabou por encontrar uma carreira, trabalhando agora no setor bancário.

Wilson da Graça utilizou a sua experiência para criar o evento "Croyez en Vous" (Acreditem em Vós, em português), onde mentores ajudam jovens a criar os seus currículos, apresentarem-se em entrevistas de trabalho, mas sobretudo a terem confianças nas suas capacidades.

"É um evento que acompanha os jovens ou menos jovens a saírem da sua zona de conforto, fazer com que acreditem neles próprios, atingirem os seus objetivos e mostra que há pessoas que conseguiram fazê-lo e estão lá para os acompanhar", explicou o líder associativo.

Esta é uma forma de quebrar os preconceitos da sociedade francesa em relação à imigração, preconceitos que têm crescido com o aproximar das eleições presidenciais e com vários candidatos de extrema-direita a mostrarem-se contra a abertura do país aos migrantes.

"É muito importante que a nossa comunidade se expresse e trate temas como a imigração. É verdade que hoje o tema do migrante não é apreciado em França e há correntes políticas em França que só falam nisso e dizem que os migrantes são uma dificuldade para a França. E é bom ver qual é o percurso da comunidade cabo-verdiana neste país, a sua história, a sua caminhada e conversar sobre este tema", disse Isabel Borges Voltine, deputada suplente do Parlamento cabo-verdiano, eleita pelo círculo da Europa.

Os debates fizeram-se em torno também da cultura cabo-verdiana, com uma apresentação do cantor cabo-verdiano radicado em França, Carlos Lopes, e o grupo de batuque Fidju nho são Pedro. A Semana com Lusa

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