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Condenada em Londres a 5 anos por uma burla à Hollywood— Deu pedras por diamantes 29 Julho 2021

A juiz presidente leu a sentença esta quarta-feira, 28, ao sétimo dia do julgamento: a ré de 60 anos é condenada a cinco anos de prisão, mitigando a pena pedida pelo Ministério Público em "conspiração para roubar". O tribunal aceitou em parte a alegação de Lulu Lakatos de que a verdadeira autora do crime — a troca de sete diamantes, avaliados em 4,2 milhões de libras (520 milhões CVE, mais de meio milhão de contos), por seixos — era a sua irmã, que morreu, em 2019, num acidente de carro.

Condenada em Londres a 5 anos por uma burla à Hollywood— Deu pedras por diamantes

O caso começou em outubro de 2016 e envolve "Anna", especialista em pedras preciosas contratada pelo israelita "Simon Glas", que em nome de dois empresários russos pretendia comprar os diamantes, após a "diamantologista" os pesar e avaliar.

Nicholas Wainwright, presidente do grupo britânico de diamantes Boodles, acompanhado da avaliadora Ema Barton, recebeu "Anna" na sede da joalharia multissecular. Ema, em tribunal referiu que ficara a uma curta distância como lhe instruíra o patrão enquanto ’os diamantes eram pesados e avaliados’ pela "perita".

No seu depoimento, Wainwright disse que nem por um momento tirara os olhos dos diamantes. Uma certeza que Ema desfez, com a lembrança do telefonema. Ema suspeitara de algo anormal nesse momento e advertira "Anna" de que não podia abrir a "bolsa" que trazia. Aliás, no fim pediu para revistar o que "Anna" tinha consigo e esta retirou da mala de mão/bolsa o estojo. Mostrou-se confusa por ter consigo o estojo, o que desculpou com o seu "fraco inglês". Esse era o estojo com os falsos diamantes. Uma jogada de mestre — audaciosa, a contar que ninguém ia verificar o conteúdo.

No seu depoimento em tribunal o dono dos diamantes (foto do meio em baixo) contou que foi distraído pelo telefonema de "Alexander", com quem almoçara pouco antes no Hotel Metropole, no principado do Mónaco. Era um dos dois (falsos) compradores russos que chamava para acertar sobre a transferência dos fundos antes de poder recolher os sete diamantes na famosa loja da também famosa Bond Street, no centro de Londres.

Barton disse ao tribunal: «Ela no momento em que o Nicholas ficou de costas pegou o estojo e colocou-o na sua mala de mão. Eu disse-lhe "Não, não, não pode fazer isso, por favor tire os diamantes dessa sua mala. Eu tenho de ver os diamantes sempre. E ela disse "OK, não se preocupe, não tem motivos para se preocupar"».

Como a videocâmara instalada na sala de exposição situada na cave da loja depois mostrou, foi esse o momento em que a falsa perita trocou os estojos. O que trazia com pedras de jardim ficou no lugar do estojo com os verdadeiros diamantes. "Uma operação sofisticada", "a primeira fraude do tipo a envolver montante tão elevado", segundo o tribunal.

A identificação de "Anna" — aliás procurada na Suíça por um crime idêntico, em que trocou um envelope com 400 mil euros (44 mil contos) por um semelhante preenchido com papel — pode-se considerar um cold case, um caso por esclarecer. Com a criminologia tão sofisticada, como pode isso ser?!

Lulu Lakatos afirmou que "Anna" era a irmã, não ela. Liliana Lakatos teria confessado a Lulu o furto do passaporte para cometer o crime. Liliana morreu, aos 49 anos, num acidente de carro, na sua nativa Roménia, em outubro de 2019.

O tribunal de júri, incerto, decidiu condenar Lulu — ladra três vezes condenada em França — por "conspiração para roubar". Uma decisão arrancada a ferros, por 10 a 1, após nove horas e 19 minutos de deliberações.

Quadrilha condenada

Extraditados de França, Lulu Lakatos foi condenada a cinco anos de prisão e os três cúmplices a três anos.

Georgeta Danila, de 53 anos, acompanhara "Anna" até um café. Ali a ajudara a apurar o disfarce com a troca de roupa — um casacão longo e de cor escura, chapéu de aba e cachecol antes de entrar na Boodles (fotos) e ao sair, voltar ao que era.

Christophe Stankovic e Mickael Jovanovic, jovens à volta dos trinta anos, tinham, na véspera, levado "Anna" a reconhecer o terreno. Acertaram os passos importantes que iam ser postos em prática no dia seguinte. A entrega dos diamantes a "duas jovens desconhecidas" assim que "Anna" saísse da Boodles. A sua recuperação por eles que iriam estar perto, de carro.

A quadrilha tinha concluído o assalto em menos de três horas. Os quatro deixaram Londres, elas de comboio e eles de carro. Poucas horas depois estavam todos em França, de onde tinham saído na véspera no mesmo carro. Das duas jovens, apenas uma foi encontrada. Acabou por ser absolvida, como "participante sem o saber".

Os sete seixos de jardim dentro do estojo só foram encontrados no dia seguinte ao roubo, quando a famosa loja viu que os dois "russos", "Alexander" e o sócio, não tinham transferido os fundos.

O paradeiro dos verdadeiros diamantes, um dos quais vale 2,2 milhões de libras, continua desconhecido.

Fontes: The Guardian/Daily Mail. Fotos (AP): Diamantes trocados por pedras. O Tribunal Real de Londres. A loja de diamantes Boodles e o seu dono Nicholas Wainwright, que ficou com o prejuízo de 4,2 milhões de libras (520 milhões CVE, mais de meio milhão de contos). Lulu Lakatos, arguida por si ou pela irmã falecida Liliana Lakatos.

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