OPINIÃO

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Congresso Internacional de Quadros Cabo-verdianos e gastos de 20 mil contos? 10 Fevereiro 2020

Uma reflexão que deve ser sincera. Estes 20 mil contos não ajudava muitos familiares a terem uma habitação condigna, a melhorar os serviços de saúde, a apoiar os jovens nos seus processos de construção de um futuro estável, na melhoria da segurança, da justiça ou então beneficiar as crianças das famílias desfavorecidas no transporte escolar durante o ano letivo? A verdade de Cabo Verde é que a maioria da classe do plebe (povo) está a pagar muito para o belo prazer e a luxuosidade da Elite política (no poder e na oposição).

Por: Albino Sequeira*

Congresso Internacional de Quadros Cabo-verdianos e gastos de 20 mil contos?

Trago desta vez um artigo curto, simples e franco. No dia 23 de janeiro do ano em curso, agência ‘online’ Inforpress, noticiava que está marcada para maio deste ano, a realização do Congresso Internacional de Quadros Cabo-verdianos, sob o lema "Um diálogo entre o País e a Diáspora”, e conta com Alto patrocínio da Presidência da República de Cabo Verde.

Ainda na nota informativa, a Convenção vai integrar 500 participantes, das quais 250 da diáspora, e custará aos cofres do nosso arquipélago 20 mil contos.

Ora, soa muito estranho, um elemento do Conselho da República de Cabo Verde ser a líder da organização do evento que tem como parceiro de destaque a Presidência da República do País.

Há aqui alguém, que queira prestígio e ser reconhecida para ganhar supostamente um futuro cargo de maior calibre daquela que desempenha agora.

Como um cidadão Cabo-verdiano fico surpreso pela pronta resposta da Presidência da nossa República em apoiar e gastar milhares de contos numa atividade que se desconhece os meandros da sua criação, enquanto jovens do arquipélago estão em dificuldades de emprego e o país com problemas na educação, saúde e segurança.

Entende-se que é o último mandato do nosso Presidente, mas devia procurar terminar as suas funções em grande e com sucesso ao invés de associar com tais “patologias”.

Estas categorias de organizações servem única e exclusivamente para gastar milhões e para suportar o belo prazer dos participantes, estadias de hotel, refeições em restaurantes, cokteis, ou seja, para passear. Digo isso, porque nunca trazem resultados palpáveis à comunidade. Vai ser mais um “comi e bebi” nas custas do povo.

A pobreza de uma nação está muitas vezes ligada a estas circunstâncias, banalidades, que empobrecem um povo sem nenhum proveito para aqueles que pagam imposto por melhores serviços do Estado. No entanto, estamos a utilizar mal os recursos do Estado.

Uma reflexão que deve ser sincera. Estes 20 mil contos não ajudava muitos familiares a terem uma habitação condigna, a melhorar os serviços de saúde, a apoiar os jovens nos seus processos de construção de um futuro estável, na melhoria da segurança, da justiça ou então beneficiar as crianças das famílias desfavorecidas no transporte escolar durante o ano letivo?

A verdade de Cabo Verde é que a maioria da classe do plebe ( povo) está a pagar muito para o belo prazer e a luxuosidade da Elite política (no poder e na oposição).

Questiona-se:Que ganhos este congresso vai dar ao País e à Diáspora?
Não há outras alternativas para tais encontros sem que seja necessário despender muito dinheiro? Qual é a real intenção e objetivo desta convenção?
— -
* Economista e escritor

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