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Coragem de 2 jovens salva muitos no atentado de Viena 04 Novembro 2020

O ataque com arma automática, perpetrado em nome do Estado Islâmico por um "radicalizado" macedónio de 20 anos no centro da capital austríaca, Viena, fez quatro mortes além de dezenas de pessoas feridas, antes do atirador ser abatido pela polícia. O número de vítimas podia ter sido maior se não fosse a coragem de dois jovens turco-descendentes que correram para salvar muitos, entre eles um agente da polícia ferido, encaminhando-os para a entrada do metro próximo.

Coragem de 2 jovens salva muitos no atentado de Viena

Os dois jovens nascidos na Áustria de pais originários da Turquia estavam sentados na esplanada da foto, na concorrida praça Schwedenplatz, onde ocorreu o atentado. Um vídeo mostra-os a socorrer várias pessoas encaminhando-as para a entrada do metro.

Horas depois, as imagens do salvamento — filmado a partir dum edifício vizinho — circulavam na net e emocionaram o país. Os comentários aplaudiam os dois que correram risco de vida ao dirigirem-se para o local de onde partiram os tiros.

Entre as pessoas que os dois jovens salvaram estava um agente da polícia ferido.

O Ministério da Administração Interna austríaco confirmou, na terça-feira de manhã, o ato de coragem dos dois jovens. O nome dos dois turco-descendentes não foi referido mas já circulava nas redes sociais e veio a ser confirmado no comunicado do presidente Erdogan.

Vítimas

Um idoso e uma idosa, um jovem e uma empregada de mesa são as quatro vítimas mortais, além de dezenas de pessoas feridas, no primeiro atentado djihadista na Áustria e que ocorre dois dias depois de mais um atentado em Nice, no país mais flagelado pelo terrorismo que é a França.

"Não nos deixaremos intimidar pelo terrorismo e combateremos tais ataques com todos os meios", afirmou o chefe do governo austríaco, o chanceler Sebastian Kurz — que foi captado na foto a prestar homenagem às vítimas mortais.

Segundo o governo da Alemanha, uma das vítimas é alemã.

Segundo as autoridades austríacas da Saúde, de entre as várias dezenas de pessoas feridas, quinze continuavam hospitalizadas na tarde de terça-feira. Três encontram-se em estado crítico.

Erdogan saúda heróis

Mikail Özen e Muahmmed Yüksen, austríacos de origem turca, estavam na esplanada a beber "o últino café do dia" quando ouviram os tiros. E de repente começaram a ver "pessoas ensanguentadas, umas no chão", descreveu Mikhail Özen.

Veem uma idosa em pânico a procurar um lugar para se esconder e ajudam-na, Depois veem deitado no chão um polícia ferido. "Um de cada lado agarrámo-lo pelos ombros e levámo-lo até uma ambulância,

"Não podíamos fazer de conta que não era conosco", explicaram os jovens. Ambos, que se apresentaram como praticantes de artes marciais, aproveitaram a sua fama instantânea para fazer um apelo "à união entre judeus, cristãos e muçulmanos".

Ambos afirmaram ser "muçulmanos autênticos", o que os faz "amar a paz" e "odiar o terrorismo".

Estreia do EI em Viena

A reivindicação do atentado pelo Estado Islâmico — que anunciou o sucesso da operação realizada pelo "soldado do califado" — pode mudar o rumo da investigação no sentido de deixar cair a pista de que haveria vários atiradores em fuga.

República da Macedónia

O macedónio "soldado do califado" (que obteve também a nacionalidade austríaca)tinha sido sinalizado o ano passado por tentar juntar-se aos djihadistas na Síria e Iraque. Isto quando se considera que em 2016 a Áustria tinha conseguido estancar o fluxo iniciado em 2012 para a djihad dos seus nacionais de origem macedónia e confissão muçulmana.

A República balcânica é de maioria cristã ortodoxa. Mas os conflitos étnico-religiosos marcam a história de séculos do país localizado na península balcânica, no sudeste europeu.

E reacenderam-se após a retoma da soberania nacional deste que é um dos estados sucessores da antiga Jugoslávia, da qual declarou independência sob a designação República da Macedónia do Norte, em 1991.

Nestas décadas tem estado no foco mediático devido aos conflitos interétnicos que de tempos a tempos assolam o país dividido. A intervenção do papa Francisco que visitou o país no ano passado foi no sentido de que a unidade entre os macedónios pode ser viabilizada pela integração na União Europeia (Papa na Macedónia polarizada incentiva integração europeia, 09.mai.019)

País vizinho da Grécia, a Macedónia tem disputado também a toponímia, que é a mesma da Macedónia grega.

A província grega e a República recém-independente reivindicaram durante décadas o mesmo nome para si; só com a intervenção da ONU chegaram a um acordo (Macedónia: 91% ’sim’ de 36% do eleitorado invalidará referendo para mudar nome de país, 01.out.018).

Fontes: BBC/DW/Le Figaro. Fotos: Imago.at

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