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Cousteau: "Temos de construir a Estação Espacial Internacional dos Mares" 10 Agosto 2021

O aquanauta Fabien Cousteau, neto mais velho de Jacques-Yves Cousteau, defende que é tão necessário investir na exploração dos oceanos como na aventura extraplanetária. Para isso propõe a construção da Estação Espacial Internacional dos Mares para proporcionar a experiência da "imensa vida do fundo do oceano" a tantas pessoas quantas for possível em tempo real ou virtualmente.

Cousteau:

Em entrevistas Fabien, de 54 anos, tem vindo a falar sobre a experiência de viver debaixo do oceano "ao lado dos peixes", a mais recente durante 31 dias. Foi "a mais longa missão no laboratório" do Aquarius que é o último laboratório submarino ainda em funcionamento.

"Aquela missão abriu-me os olhos" para a importância da experiência de Jean-Jacques que construiu o primeiro habitat submarino. Foi o pioneiro Continental Shelf Station Two, objeto do documentário Le Monde sans Soleil, vencedor de um Óscar em 1964.

Proteus é o futuro do Aquarius. O habitat submarino, que é uma "maravilhosa plataforma", é "a ferramenta que nos falta". Mas o Aquarius tem 32 anos, é um dinossauro. Temos de olhar para o próximo passo", o Proteus.

Viver como os peixes. "O momento mais triste da minha carreira como explorador dos oceanos foi quando tive de abandonar a minha casa submarina, em que os meus vizinhos, os peixes e a vida submarina, se tinham habituado a que eu estivesse ali".

Aquanauta. "Tornar-se aquanauta é diferente de ser mergulhador ou submarinista. Ser aquanauta é ir para o oceano e ficar livre dos limites do tempo. Em vez de termos um mergulho de 45 minutos a partir da superfície até 20 metros, com um habitat submarino podemos ficar cinco ou seis horas na água. Claro que ficamos cansados, precisamos de ir à casa de banho, etc. Mas temos seis vezes mais tempo num único mergulho".

"Isso permite-nos ver coisas que geralmente não se consegue ver. Também nos permite recolher dados, amostras e fazer todo o trabalho necessário no local, porque temos ali o nosso laboratório e todas as ferramentas necessárias, em vez de ter de levar as amostras num navio, atravessar meio mundo, congelá-las durante seis meses, um ano, cinco anos, e só depois fazer a análise de dados".

"O meu momento mais triste foi voltar à superfície e trocar aquela imensa explosão de vida do fundo do oceano por um imenso vazio quando olhei à volta e não havia verdadeiramente muita coisa para ver além de um barco, uns quantos seres humanos e uma gaivota a sobrevoar-nos. Em comparação, o fundo do mar era muito mais a minha casa do que o mundo à superfície".

"Este tipo de experiência emocional é um fator essencial na nossa tomada de decisões. É algo que a maior parte de nós, 99%, não terá oportunidade de experienciar em primeira mão. Mas devemos tentar proporcionar esta experiência a tantas pessoas quantas for possível. Seja em tempo real ou virtualmente. Para perceberem a importância dos oceanos".

Salvar o planeta

"Na minha experiência com os oceanos, e se juntar a isso mais duas gerações da família, vimos uma quantidade extraordinária de devastação num período muito curto de tempo", 50 anos. "O que fizemos foi consumir, consumir, consumir, como se os recursos fossem infinitos. 60% dos recursos pesqueiros desapareceram. E quando chegarmos ao final do século mais de 95% estarão mortos ou moribundos, se não fizermos nada".

Fontes: CNN/DN/. Fotos: 12 redes de plâncton depositadas no fundo do oceano.

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