OPINIÃO

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Covid -19: A Política Social do Poder Executivo 24 Abril 2020

A Administração Central através da sua miserável política social atribuiu algumas migalhas de cestas básicas às famílias para fazer face às necessidades impiedosas de coronavírus. De fato a crise de Covid -19 será mais pontiaguda para as famílias com menos posse, menos rendimento, uma vez que dependem dos seus salários do trabalho e agora auxiliam-se com algumas doações de campanhas de angariação de géneros alimentícios.

Por: Albino Sequeira *

Covid -19: A Política Social do Poder Executivo

Não esquecendo as seguintes pandemias: Peste Negra em 1347 a 1353 com 50 milhões de mortos; Cólera em 1817 a 1824 com quase 1 milhão de mortos; Tuberculose em 1850 a 1950 com 1 bilião de mortos; Varíola em 1896 a 1980 com 300 milhões de mortos; Gripe Espanhola em 1918 a 1919 com 20 milhões de mortos; Tifo em 1918 a 1922 com 3 milhões de mortos; a pandemia de Covid -19 é considerada por especialistas em matérias de saúde, economia e política, a maior crise mundial desde 1919 e tem provocadao impactos sem precedentes no parâmetro socioeconómico no mundo.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) por estes dias fez o raio-X das economias mundiais e relatou a desgraça gerada pela doença de coronavírus. Os dados espelham e bem as fragilidades da economia global, esperando-se uma recessão económica mundial em 2020 de 3%. A China é um dos poucos países que escapa da maldita recessão económica em 2020, prevendo crescer a mais de 1%. Em Cabo Verde essa contração aponta para 4%.

As organizações multilaterais de alimentação, comércio e saúde — a FAO, OMC e OMS emitiram uma declaração conjunta incomum com vigilância para o risco de haver a escassez de alimentos (queda alimentar) no mercado mundial causada pela nova pandemia, coronavírus, consequência das incertezas produzidas sobre a disponibilidade de alimentos que pode desatar um conjunto de restrições à exportação.

O vírus invisível, Covid -19 está a originar uma das piores crises na história da humanidade, um apuro que não inibe nenhuma nação, nenhum poderoso, uma dificuldade catastrófica.

O Covid -19 já resultou no distanciamento social, paralisação de atividades económicas, dificuldade na educação, crise sanitária e problemas de colmatar as necessidades alimentares das pessoas mais pobres do País.

A Administração Central através da sua miserável política social atribuiu algumas migalhas de cestas básicas às famílias para fazer face às necessidades impiedosas de coronavírus.

De fato a crise de Covid 19 será mais pontiaguda para as famílias com menos posse, menos rendimento, uma vez que dependem dos seus salários do trabalho e agora auxiliam-se com algumas doações de campanhas de angariação de géneros alimentícios.

As pessoas que no tempo das eleições são as mais visitadas e abraçadas pelos políticos estão a ser salvas pelas ajudas de emigração e algum apoio de empresas em Cabo Verde com doações para o sustento.

Essas mesmas pessoas que nos pleitos eleitorais buscam a todo custo o voto de um cidadão Caboverdiano, estão em silêncio a ignorar as imagens daqueles que outrora confiaram nas suas promessas e compromissos. Nenhum membro do Governo, Presidente da República e da Assembleia Nacional, Deputados e demais políticos disponibilizaram uma parte dos seus vencimentos ou das regalias para enriquecer a distribuição das cestas básicas durante a emergência de Covid -19 e melhorar a alimentação dos necessitados. Esta atitude está fora do alcance dos dirigentes políticos de Cabo Verde.

Esta situação comprova que a Diáspora tem um peso enorme para o País, é de louvar e de dar os parabéns as grandes iniciativas promovidas pelos conterrâneos em vários cantos do mundo em favor daqueles que mais precisam. Se formos esperar pelo Governo, o crescimento económico invade sem permissão as nossas casas e ficamos todos satisfeitos.

Numa terra onde o Ministro das Finanças afirma que há dinheiro que nunca acaba, as entregas deviam ter outras dimensões, medidas, relevância e de qualidade. Uma economia que se dá ao luxo de pagar um ordenado mensal a uma técnica de Embaixada de Cabo Verde em Roma-Itália, no valor de 1500 euros, o que equivale ao salário bruto do Presidente da República, deve ter meios para suportar as despesas de famílias em condições socioeconómicas seriamente desfavorecidas após uma súbita mudança de estatuto de renda devido à emergência epidemiológica do Covid -19.

Não entendo a política de rendimento do Palácio do Governo. A funcionária da Embaixada só serve para desfilar pelos corredores do serviço consular.

As políticas de austeridade do Governo não servem para responder aos desafios das causas sociais. A falta de uma política social revela a incompetência e a falta de vontade em ajudar as famílias mais pobres do País, o que está a piorar as suas condições de vida e a violarem a Constituição da República. Onde está a política social da situação? Qual é a intenção desta governação?

A pandemia está a colocar Cabo Verde responsabilidades e pode representar para os governantes do arquipélago, uma oportunidade para refletirem e reverem as abordagens nacionais que exigem uma mudança de paradigma, uma nova forma de elencar as prioridades, de alternar a imagem e procurar novo modelo de liderança para atacar os desafios de Covid -19 e entrar nos parâmetros de desenvolvimento sustentável.

O Poder Executivo após o aumento de casos de infetados no território nacional inquieta-se, deveria era arranjar respostas na altura, que evitasse a propagação do vírus e para piorar vai permitir que as pessoas regressem às suas ilhas. Fizesse isso antes que a circunstância tivesse piorado. Vamos agir com inteligência, caros Governantes. Não tenham mentes pobres. Aliás a única pobreza de Cabo Verde são as mentes pobres dos políticos sem visão e sem alternativa.

*Voz das Ilhas

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