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Covid-19: "A situação é alarmante na Guiné-Bissau" 01 Maio 2020

A Guiné-Bissau já registou 205 casos de Covid-19. O responsável pelo Centro de Operações de Emergência Médica receia que, se não forem tomadas medidas rápidas e eficientes, a situação poderá ficar fora de controlo.

Covid-19:

Com 205 casos positivos confirmados, as entidades sanitárias da Guiné-Bissau pedem socorro para evitar que a grave situação no país possa ficar fora de controlo. Até agora, só a China e a Fundação Alibaba enviaram apoio, segundo o responsável pelo Centro de Operações de Emergência Médica, Tumane Baldé. O país continua à espera da ajuda de outros parceiros.

Em entrevista à DW África, o médico mostra-se preocupado com a cadeia de transmissão entre altas figuras do Estado, "que têm inúmeros contactos". Para evitar o pior cenário, Baldé recomenda o uso obrigatório de máscaras, o isolamento das pessoas infetadas e o cumprimento das medidas de confinamento.

DW África: Qual o ponto de situação em relação à Covid-19 na Guiné-Bissau?

Tumane Baldé (TB): A situação é grave. Nos últimos quinze dias havia subidas de casos paulatinas, com registos de dois ou três casos por dia, mas nos últimos dois dias tivemos 131 casos positivos de uma só vez. Por isso, a situação é alarmante, na medida em que os casos positivos têm a ver com figuras públicas que têm inúmeros contactos e ramificações. Neste momento, toda a equipa epidemiológica de resposta rápida está no terreno para correr atrás do prejuízo, porque sabemos que impacto teve dentro da sociedade guineense.

DW África: Hoje os dados não foram atualizados. Isso é porque o próprio pessoal do sistema de saúde está a ser testado?

TB: Sim, também tirámos o dia para recalibrar tudo tecnicamente, verificar os equipamentos, organizar os dossiers dos utentes. Porque, depois destes 131 novos casos, a demanda é grande. Então, temos que organizar melhor todos os dossiers para na sexta-feira [01.05] darmos os resultados precisos. Estamos a reavaliar a nossa capacidade de teste devido ao aumento dos casos.

DW África: Quantas pessoas estão infetadas?

TB: São 205 casos neste momento, dos quais 19 estão fora do perigo e recuperados, e tivemos um óbito.

DW África: Perante este cenário, podemos dizer que a situação está fora de controlo na Guiné-Bissau?

TB: Depende. Mas penso que, se não forem medidas eficientes, a situação pode, brevemente, ficar fora de controlo.

DW África: E que medidas deveriam ser tomadas imediatamente?

TB: Primeiro, o confinamento das pessoas em casa. Depois, o distanciamento social deve ser estritamente observado, tal como as medidas de higiene corporal. A lavagem das mãos deve ser instituída como obrigatória, e deve ser feito o saneamento básico das casas, locais de serviço, a desinfeção dos imóveis nos locais públicos e de serviços. E ainda o confinamento daqueles que estão infetados, para serem isolados e evitar que contactem com o resto do mundo.

DW África: Mas é possível cumprir estas medidas na Guiné-Bissau face à realidade social do país?

TB: A realidade é cruel neste sentido. Sabemos que vivemos todos numa aldeia comum e é extremamente difícil o distanciamento social. Mas temos que tentar fazer o máximo para que isso aconteça, se não a situação pode sair fora de controlo.

DW África: Recomenda o uso obrigatório de máscaras na Guiné-Bissau?

TB: Seria uma das saídas mais airosas. Porque a Guiné-Bissau tem uma forma de economia doméstica. Vive-se do dia a dia: "vendeu hoje, comprou hoje e comeu hoje". As pessoas, por razões de sobrevivência, são obrigadas a sair de casa. Sendo assim, penso que um dos meios de proteção poderia ser o uso obrigatório de máscaras para toda a população, e distribuir baldes de lixívia e sabão por todo o lado para que se possa tomar medidas de higiene e de prevenção.

DW África: Mas há condições para importação de máscaras na Guiné-Bissau?

TB: É muito difícil. Até para o pessoal médico temos reservas mínimas. O pessoal médico está subequipado. Não há equipamentos de proteção individual em quantidade e qualidade suficientes e receio que, se não melhorarmos a situação, os médicos e os enfermeiros começarão a cair também.

DW África: Qual é capacidade do sistema de saúde para responder a esta situação? Há condições para fazer face à pandemia?

TB: O Governo está a fazer o máximo de esforço para ajudar a controlar a situação, mas, tendo em conta a fragilidade institucional, tendo em conta que falta quase tudo, o Governo sozinho não poderá fazer nada. Infelizmente, até agora só tivemos o apoio da China e da Fundação Alibaba. As outras organizações dizem que estão a envidar esforços, estamos à espera.

DW África: Como é que estão os membros do Governo infetados?

TB: Eles estão bem e isolados. Estão estáveis de saúde. São casos sintomáticos. C/DW África

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