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Covid-19: Cabo Verde reforça fiscalização ao uso de máscara e descarta estado de emergência 20 Abril 2021

O primeiro-ministro cabo-verdiano disse hoje que o Governo vai dar diretrizes às autoridades policiais e de saúde para reforçar a fiscalização ao uso de máscara, mas descartou novos estados de emergência por causa da pandemia da covid-19.

Covid-19: Cabo Verde reforça fiscalização ao uso de máscara e descarta estado de emergência

“Nós verificamos que tem havido um certo relaxamento relativamente a esta matéria, nos serviços públicos e privados de atendimento, vamos fazer uma ação proativa, pedagógica, mas também com alguma determinação, para que possamos fazer novamente o uso de máscaras, evitar muitas aglomerações”, disse Ulisses Correia e Silva citado pela Lusa.

O chefe do Governo cabo-verdiano falava aos jornalistas, na cidade da Praia, no final de uma reunião do Gabinete de Crise para analisar a situação epidemiológica do país, que nas últimas semanas tem registado os números diários de novos casos mais elevados de covid-19 desde o início da pandemia.

Ulisses Correia e Silva anunciou que na quarta-feira vai ser realizada outra reunião, agora coordenada pelo ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, sobre as ações de fiscalização, em que vão ser dadas diretrizes à Polícia Nacional, à Inspeção Geral das Atividades Económicas (IGAE), Proteção Civil e à Direção Nacional de Saúde para assegurar uso de máscara.

“É fundamental continuar a proteger. Estamos na linha de conseguirmos aumentar a vacinação, os profissionais de saúde já foram grande parte vacinados, começamos com os idosos, estamos a fazer um grande esforço para termos mais estoque de vacinas, que é o instrumento mais poderoso e eficaz de combate à covid-19, mas até lá é importante continuar a fazer esta ação de prevenção”, apelou.

Além do reforço da fiscalização, o primeiro-ministro avançou que as autoridades vão aumentar a comunicação e a informação nas rádios, nas televisões e nas comunidades, esperando que haja uma “resposta positiva” dos cidadãos.

Disse ainda que o Governo não defende um novo estado de emergência, explicando que esse período pressupõe um conjunto de consequências económicas e sociais, com o encerramento de serviços, de empresas, que vão dificultar ainda mais a vida das pessoas.

“Utilizando os instrumentos que nós temos, que é boa comunicação, informação, fiscalização e controlarmos o nível de transmissão que é preciso reduzir. Esta consciência tem de ser coletiva. Não é políticos versus cidadão em guerra por causa da covid-19. Isto é uma responsabilidade de todos, de cada um, para podermos vencer esta batalha”, pediu.

A reunião aconteceu dois dias após as eleições legislativas, que reconduziram para mais um mandato de cinco anos na governação do país o Movimento para a Democracia (MpD), liderado por Ulisses Correia e Silva.

Na quarta-feira, p Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, vai ouvir os representantes dos partidos com assento parlamentar, com vista à indigitação do primeiro-ministro, após a vitória do MpD nas eleições legislativas de domingo.

Questionado sobre a coerência de novas medidas depois das aglomerações verificadas durante a campanha, Ulisses Correia e Silva respondeu que esse período pressupõe funcionar e deixar funcionar a democracia e que é difícil evitar aglomerações.

“Mas nós temos responsabilidade de governar o país, não podemos ficar condicionados àquilo que aconteceu na campanha eleitoral. A responsabilidade primeira é com a saúde, com a vida, por isso faz todo o sentido que se reforce a mensagem sobre a necessidade de proteção”, frisou.

O primeiro-ministro sublinhou que não foi o Governo de Cabo Verde que esteve em campanha eleitoral, mas sim todos os partidos políticos, estando por isso ciente das dificuldades relativamente à contenção.

“Depois é preciso ter em conta que não se podem fazer leituras lineares. Não há nenhuma evidência de que o aumento do número de casos se deve neste momento às campanhas eleitorais, já antes havia uma tendência de crescimento”, referiu.

Ulisses Correia e Silva disse perceber alguma insatisfação das pessoas, mas não acredita em dificuldades ou resistência em impor novas medidas, salientando que o estado atual assim o obriga e que as pessoas fazem diferenciação entre a campanha eleitoral e a normalidade da vida no país.

“Foi isso que aconteceu nas autárquicas [em outubro de 2020], houve ajuntamentos, nem por causa disso houve disparar de casos. Não há essa ligação direta, apesar da sensação levar a dizer que as campanhas eleitorais podem contribuir”, terminou.

Cabo Verde registou na segunda-feira mais uma morte por covid-19 na ilha de São Vicente, de um total de 193 óbitos no país, e 162 novos infetados pelo novo coronavírus, elevando para 20.627 os casos positivos acumulados em todo o arquipélago.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.031.441 mortos no mundo, resultantes de mais de 141,9 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP. A Semana com Lusa

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