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Covid-19: Cremar ou não divide Argentina e comunidade de judeus, mas já há acordo sobre banhos 31 Mar�o 2020

A cremação da primeira vítima judaica do coronavírus, na quinta-feira, 26, ordenada pelas autoridades da Argentina — que hoje, 30, já conta 820 casos confirmados, 21 óbitos e 91 recuperados —, está a levantar protestos da comunidade cuja religião proíbe essa prática, noticia hoje (2ªfª, 30) o diário online Jerusalém Post.

Covid-19: Cremar ou não divide Argentina e comunidade de judeus, mas já há acordo sobre banhos

O falecido Ruben Bercovich, um empresário da construção civil, de 59 anos, tinha regressado de uma visita ao filho residente nos Estados Unidos no dia 9 e cumpria rigorosamente a quarentena. Mas sofria de problemas respiratórios e no dia 23 quando começou a sentir febre foi submetido ao teste. Deu positivo.

O óbito ocorreu no dia 25, dezasseis dias depois. Foi cremado no dia seguinte.

A sua cremação indignou a comunidade judaica que segue a estrita lei da Torá que obriga à inumação (enterro), referem os diários israelitas de referência.

Mas para as autoridades de Saúde da Argentina, a combustão do cadáver humano é a solução possível em situação de epidemia e estão a tentar convencer disso os rabinos, que são a autoridade religiosa da comunidade hebraica.

Um primeiro compromisso já foi selado entre rabinos e autoridades do Estado argentino: os mikvahs, os banhos rituais do judaismo, vão continuar abertos. Os utentes têm, no entanto, de se premunir de um passe informático emitido pelo sistema de Saúde a quem passar o exame de sanidade.

Casa Rosada em videointercâmbio de experiências

O diário argentino La Nacion na sua edição de hoje (2ªfª, 30) dá conta de que a presidência argentina — através de um grupo de colaboradores do chefe de Estado, Alberto Fernández — tem estado em consulta com a China, Coreia do Sul e Israel para intercâmbio de experiências sobre a nova pandemia.

"Aprender com os erros" também faz parte dessas lições mais recentes sobre a doença do novo coronavírus, indica o governo, ciente de que as medidas implementadas num outro país não são um pronto-a-vestir, mas têm sim de ser adaptadas ao contexto nacional.

O país sul-americano está em quarentena e procura compreender como é que a China geriu a situação e como se está a sair no pós-quarentena.

A China "enviou-nos doações e estamos em vias de lhes comprar consumíveis e ventiladores", informou à imprensa uma fonte oficial que está envolvida nas conversações.

A Coreia do Sul está mais avançada nos testes: "Chegaram a fazer 20.000 testes diários", destacou um funcionário da Casa Rosada.

A Argentina quis sobretudo compreender a experiência sul-coreana de testes realizados na via pública aos condutores dentro das suas viaturas. Os resultados são enviados por SMS. Em caso positivo há instruções para a pessoa entrar em isolamento.

Essa descentralização revelou ser eficaz e a Coreia do Sul é, com a Alemanha, um dos países que testou mais pessoas e com isso está a controlar a doença.

Com Israel — que tal como a Argentina fechou fronteiras e pôs a população em quarentena logo que surgiram os primeiros — a troca de experiências tem sido sobre como proteger o pessoal da área da Saúde e todos quanto assistem os contagiados, bem como os casos suspeitos e os viajantes recém-chegados, diz a fonte governamental argentina.

Fontes: Jerusalém Post/Times of Israel/La Nacion/El Clarín. Foto (Wikipedia): A expectativa é que o governo argentino e a comunidade judaica entrem em acordo quanto à cremação. Como no compromisso obtido para o banho ritual moderno numa sinagoga, o mikvah. Usa-se para as cerimónias de purificação como batismo, penitência, saída /entrada em abstinência devida ao parto/ciclo mensal ou de acordo com o calendário religioso. LS

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