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Covid-19: Mais de 7 mil contágios e sete vezes mais óbitos em três dias levam Suécia a apertar regras 08 Abril 2020

A Agência de Saúde Pública/Folkhälsomyndigheten anunciou, ontem (segunda-feira, 6) que nas últimas 24 horas tinham ocorrido setenta e seis óbitos, o número mais alto até esta data. O rei Carlos Gustavo (foto, à esqª) fez uma rara aparição na televisão, a tranquilizar os dez milhões de suecos. O primeiro-ministro anunciou que ia pedir autorização parlamentar para poder durante três meses fechar aeroportos e comboios. Mas não anunciou nem o fecho de escolas e fronteiras nem a proibição de reuniões e de lojas abertas — as aglormerações que eram de 500 pessoas no máximo agora só podem ir até 50.

Covid-19:  Mais de 7 mil contágios e sete vezes mais  óbitos em três dias levam Suécia a apertar regras

O súbito aumento no número de casos no fim de semana obrigou o governo (foto central) a fazer alguma flexão para se criar uma lei mais restritiva no país onde se acredita(va) que o civismo ia vencer o coronavírus.

As medidas que o primeiro-ministro, Stefan Löfven (foto de grupo, 3º a contar da direita, de gravata azul), anunciou são consideradas insuficientes por muitos analistas. Mas a nível interno os suecos apoiam o facto de que lojas, pubs, restaurantes, serviços, escolas dos zero até ao 10º ano continuam abertos.

No entanto, a diferença sueca — de que escrevemos, dia 27 (Covid-19: Suécia difere e apela ao civismo. Economista alerta para risco de nova "Grande Depressão" e Greta T. acredita ter estado doente) — está a ser desafiada a encontrar outra solução, agora que o país regista 7.206 contagiados e 477 óbitos, mais do séxtuplo do vizinho reino da Noruega (5.866 e 78) e mais do dobro que o também vizinho reino da Dinamarca (4.978 e 187).


Finlândia exige que Suécia proteja finlandeses que todos os dias vão trabalhar no país vizinho

A Finlândia mandou fechar, de hoje até ao dia 13 de maio, as fronteiras com o vizinho que, até esta, mantinha abertas. Só se permite o trânsito diário de "trabalhadores em áreas essenciais".

" A República finlandesa considera indispensável que o Reino da Suécia dê instruções ao seu pessoal do setor da Saúde para a sua efetiva proteção e faça testes adequados ao coronavírus", disse hoje (terça-feira) o governo finlandês, preocupado com as largas centenas de finlandeses que trabalham no sistema de saúde sueco.

Baixo nº de testes, "vírus à solta"

A pressão internacional — afinal, são mais de três mil milhões de pessoas que estão fechadas em casa — faz-se sentir. Assim a Suécia está a ser criticada pelo baixo número de testes realizados, que a colocam na cauda não só dos vizinhos escandinavos, mas da maior parte dos países mais desenvolvidos.

A limitada ação do governo é avaliada por uma das raras vozes críticas internas: "Não estamos a testar tanto como devíamos. Não estamos a fazer o seguimento, a monitorizar. Não estamos a pôr em quarentena em número suficiente. Deixámos o vírus à solta".

Palavras da médica Cecilia Soderberg-Naucler(foto, no rodapé), da Stockholm Karolinska Institute, que remata: "Estão a conduzir-nos para a catástrofe".

"Evitar o desemprego de massa, como nos anos de 1920 e 1930"

Os economistas suecos estão de acordo com as autoridades da Saúde e consideram que fechar o país ia ter também "consequências económicas desastrosas para a sociedade".

Entre esses, está a economista Kerstin Hessius, que há três semanas (19/3) — ao falar num painel da televisão pública, SVT, sobre a reivindicação do presidente da confederação sueca de empresários, Jan-Olof Jacke, para que o Estado atribua às empresas mais ajudas complementares dada a pandemia do corona vírus — expressou que o mundo corre o risco de voltar a ter "o desemprego de massa, como nos anos de 1920 e 1930", a década da Grande Depressão.

Ante essa ameaça, diz Hessius — ex-diretora da Bolsa de Estocolmo e presidente dum dos maiores fundos de pensões — , é imperativo estabelecer um "calendário claro" para a saída do estado de emergência", implementado em diversos países, pois " para limitar a saturação dos hospitais, tem de haver outros meios mais eficazes que fechar a economia inteira".

Réplica da Saúde

A ministra da Saúde e Assuntos Sociais, Lina Hallengren (foto de grupo, 1ª a contar da direita, de azul), disse num pronunciamento público, esta segunda-feira, o que pode ser tido como uma réplica sobre a ênfase posta na economia.

"Vimos já como está a ser rápida a mudança na Suécia e na Europa e vimos a necessidade de estarmos à altura de reagir depressa se a situação pandémica exigir".

Fontes: BBC/Le Monde/STV. Covid-19: Suécia difere e apela ao civismo — Economista alerta para risco de nova "Grande Depressão" e Greta T. acredita ter estado doente, 27.mar.020. Foto: Gabinete do primeiro-ministro. Rei Carl VII Gustav. Médica e investigadora bioquímica.. LS

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